A palestra “A legitimidade dos atos terroristas”, nas Faculdades
Curitiba encerrou dia 10/11 a Semana de Estudos Acadêmicos, coordenada
pelos professores Luiz Fernando Pereira e Ângela Moreira. A gravidade
do tema não foi forte o suficiente para que a direção
da instituição de ensino evitasse que um professor, um advogado
e uma ‘escritora’ chamada Silvia Palacio, defendessem a questão
perante os acadêmicos.
Um grupo de judeus sem medo de defender Israel foi até lá se
contrapor à lavagem cerebral repleta de mentiras, o que acontece também
em outros centros de ensino superior de Curitiba. Dispostos a intervir nos
debates, assim procederam. E diante da reclamação de que nenhum
judeu participava da mesa nas discussões, foi convidado alguém
e apresentou-se então Maurício Gleiser que, com clareza e farto
material comprobatório defendeu Israel e povo judeu.
Silvia Palácio, professora da UFRJ e do MSIa (Movimento de Solidariedade
Ibero-Americana, aparentemente uma entidade que critica os Estados Unidos
e procura ridicularizar o presidente norte-americano George Bush, foi a principal
oradora. Ela é mulher de Lorenzo Carrasco, representante no Brasil
do grupo nazi-fascista demagogo norte-americano Lyndon La Rouche. Enquanto
falava, distribuíram exemplares do Boletim Solidariedade Ibero-americana
e outra publicação, “Imperium dementum”, depreciativa
aos Estados Unidos. Num deles, há três artigos de Lyndon La
Rouche, um político extremista e controverso dos EUA, adepto das “teorias
da conspiração”, semelhantes aos ‘Protocolos dos
Sábios de Sião’, e que já foi preso pelo FBI,
acusado de sonegação de impostos e de fraudes. Responde a processos
do governo e também é conhecido por seu anti-semitismo. É com
esse tipo de gente que fazem a cabeça dos universitários.
Para Silvia Palacio, também adepta das “conspirações”,
há um “arco de instabilidade” sendo criado por “alguns
teóricos norte-americanos”, como Zbignew Brzezinski, ex-assessor
de Segurança do governo, o professor Bernard Lewis e Henry Kissinger,
que atuam como conselheiros de presidente americanos. Criando focos de tensão
no mundo, segundo ela, os EUA intervêm e atacam – o que considerou
terrorismo. Citou o Afeganistão e o Iraque como exemplos. Sugeriu
que os tais “teóricos” citados estariam manipulando Bush
para o domínio do mundo. (Não é difícil perceber
que são judeus).
Ela também é partidária de outra teoria conspiratória. “Não
se pode dizer que as Torres Gêmeas foram derrubadas por Bin Laden”,
fazendo coro aos afirmam que foram os próprios norte-americanos — ou
os judeus — que fizeram aquilo, como circula pela internet em boatos
anti-semitas. Nem mesmo as freqüentes aparições de Bin
Laden na TV Al-Jazeera, assumindo o ataque terrorista para a derrubada das
torres a demoveram do delírio. “Bin Laden é apenas um
maluco”, disse ela aos estudantes, inocentando-o.
Maurício Gleiser rebateu toda essa questão das torres, observando
que há filmes, vídeos e documentos que provam quem foram os
autores, além da assunção da culpabilidade. Ao surgirem
vários questionamentos do público, como Sabra e Chatila, ele
também esclareceu os fatos, ajudado pelos demais judeus presentes.
Já o professor Al Jedine declarou que a mídia possui grande
poder manipulação, é tendenciosa, e se dedica à “continuidade
do imperialismo”. Falou da Palestina, que “alguns querem chamar
de Israel”, com mentiras do tipo “onde mulheres têm partos
sem luz elétrica, crianças choram enquanto soldados atiram
nelas”. Isso para ele é terrorismo. Falou da fome na África,
que para ele também é terrorismo. Disse que há terrorismo
em todas as partes do mundo e que todos acham que todos os terroristas são
islâmicos, graças à imprensa. Declarou ainda que o islamismo é contra
tirar a vida, mas que as agressões aos palestinos não lhes
deu outra forma de defesa, pois se lhes tirou até mesmo o direito
de “comer e de beber” (!). Disse ainda que o FBI norte-americano
sabia do ataque às torres gêmeas em 11 de setembro e não
avisou o governo... Mentiras e mais mentiras.
O advogado El Tassi disse que o terrorismo não está definido
em lei no Brasil e que roubar poderia também ser considerado terrorismo,
numa evidente tentativa de minimizar a gravidade do crime. Citou os tribunais
de Nurenberg e de Tóquio, quando disse que esses tribunais supranacionais
estavam a serviço dos vencedores que julgaram os vencidos, sem base
em legislação pré-existente. Classificou esses tribunais
de “farsas” e de “circos”. Exemplificou dizendo um
dos acusados de Nurenberg a certa altura levantou e declarou que não
sabia o porquê de estar sendo julgado, uma vez que cumprira a constituição
e leis de seu país (a Alemanha). Talvez tenha com isso tentado dizer
ao público presente que os nazistas não poderiam ser condenados
pelo fato de que não havia lei na Alemanha que proibisse a matança
de judeus (!). Falou ainda sobre o Tratado de Roma, onde foi definido o que é e
o que não é crime de guerra, e que os Estados Unidos não
assinaram o tratado. Depois, instado por um questionamento, reconheceu que
nenhum país árabe o assinara também. Falando sobre crimes
de guerra e genocídio citou o caso de Jenin, no que foi contestado,
lembrando-se lhe que uma comissão da ONU atestara, e isso se tornou
público, de que não houvera ali nenhum crime de guerra nem
genocídio. Ele teve que concordar que a ONU dissera não ser
genocídio e aí se saiu com esta: “Mas eu considero genocídio...”