Visão Judaica - Edição N° 30
:. Israel tem seu primeiro diplomata beduíno .:



Ele nasceu numa aldeia que não era nem reconhecida oficialmente, sem água potável nem eletricidade. Há poucos dias Ishmael Khaldi foi aceito no curso de capacitação do serviço exterior de Israel e passou a ser o primeiro diplomata beduíno de Israel
A reportagem contando sua história saiu no jornal Maariv e foi escrita pelos jornalistas Ilil Shajar e Jalal Bana.
Muitos dos habitantes da aldeia beduína de Khawalid nem sequer sabiam que um de seus residentes, Ishmael Khaldi, de 34 anos de idade, havia sido aceito para o curso de capacitação de diplomatas do serviço exterior de Israel. Khaldi é mestre em Relações Internacionais e provém de uma família numerosa e é um dos poucos membros de sua aldeia que obteve educação superior.
Khaldi foi escolhido entre 2.000 candidatos, depois de passar com êxito por uma serie de exames de conhecimento geral, inglês e outros temas. Quando o curso terminar, no final deste ano, Khaldi e os demais 23 participantes se unirão às fileiras do serviço exterior israelenses como diplomatas de carreira.
“ Ishmael é sem dúvida o orgulho de toda a aldeia”, diz o ex-professor de Khaldi, Muhamed Kazali, membro do Conselho Regional Zevulun. “É um filho exemplar. Sempre foi inteligente e perseverante e suas qualificações eram as melhores da escola. Mas o que é singular não é que seja beduíno, mas sua determinação e desejo de ter êxito e alcançar suas aspirações apesar das dificuldades inerentes e o difícil ambiente em que cresceu”.
Khaldi começou a envolver-se na hasbará israelense antes de integrar-se no serviço exterior. Durante uma visita particular aos Estados Unidos foi convidado a dissertar sobre suas experiências como beduíno israelense. Sua conferência lhe deu popularidade rapidamente e foi convidado por organizações estudantis e comunidades judaicas de todo o mundo. Há pouco tempo Khaldi regressou de uma série de conferências na Austrália.
Apesar da sensação de negligência e falta de bem-estar em sua aldeia, Khaldi não tem queixas contra o governo de Israel. “Há amargura contra as autoridades municipais, mas o Estado de Israel é meu país e minha avó também construiu este país há 60 anos”.
Há 4 diplomatas drusos e 2 árabes que servem no Ministério de Relações Exteriores, mas nunca houve um diplomata beduíno.
O serviço exterior começou a inscrever árabes em suas fileiras há mais de uma década, quando Moshé Arens era ministro de Relações Exteriores.
Fontes do Ministério sustentam que os diplomatas não judeus têm uma significativa vantagem publicitária. “Quando um diplomata árabe aprova o governo israelense e o defende da difamação palestina, isso tem um enorme significado”, sustenta uma fonte do Ministério das Relações Exteriores. “Quando diplomatas árabes explicam que vivem em Israel como cidadãos de direitos iguais e que o Tribunal de Juízes de Nazaré conta com a única juíza muçulmana do mundo, isto causa uma profunda impressão”.
O ministro de Relações Exteriores Silvan Shalom declarou alegrar-se com o primeiro candidato beduíno aceito em seu período. “Assim deveria ser em todas as áreas e eu atribuo especial importância à participação da maior quantidade possível de setores, especialmente os setores árabes, no serviço exterior. O fato de que a representação diplomática do país reflete em todo o espectro da sociedade israelense é um certificado de honra para o Ministério de Relações Exteriores e para Israel”, disse. (Boletim Informativo do Keren Hayesod de 14/10/04).




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