Visão Judaica - Edição N° 30
:. Editorial: Quais são as perspectivas de que agora haverá paz? .:

 

Arafat foi enterrado em meio a uma desordem descomunal, onde não faltaram mortes, disparos, feridos, empurrões, sinais de que não há entre os palestinos pulso forte que acabe com o caos e a anarquia. Anunciada a morte na manhã de 11/11, uma morte pré-anunciada várias vezes durante a semana, insolitamente a data do funeral no Cairo e do enterro em Ramallah, foram divulgados bem antes. Se entre os israelenses não houve lamentos pelo desaparecimento de Arafat, o que é evidente, dentro do mundo árabe e também entre os palestinos houve muitos que não derramaram nenhuma lágrima. Devem estar fazendo um balanço sobre os prejuízos que Arafat causou ao seu próprio povo.
Não se pode evitar que os palestinos considerem Arafat um herói ou um símbolo, mas a única verdade é que viveu e morreu como terrorista. Incitou sempre à violência e ao ódio, e quando teve oportunidades de mudar, optou por continuar pelo terror. Foi o grande responsável por milhares de assassinatos de vitimas inocentes. Por isso, é duro ver certos líderes mundiais e segmentos da imprensa cobrirem-no de glória como um combatente da paz e da liberdade, que nunca foi. Alguém perguntará por que então recebeu o Prêmio Nobel da Paz? A resposta é que, primeiro, recebeu-o juntamente com Itzhak Rabin e Shimon Peres. Segundo, porque os membros da Academia Real da Suécia incluíram Arafat na esperança — hoje já se sabe vã — de que ele realmente fizesse a paz a partir dos Acordos de Oslo. Nesta edição, Visão Judaica traz para seus leitores vários artigos de diferentes autores contando quem foi o que fez Arafat.
Por isso, a morte de Arafat é considerada por muitos como o começo de uma nova era. Mas é preciso dar tempo ao tempo. Não faltam as lutas internas entre as distintas facções palestinas para tratar de ficar com sua parte do poder. Até já tentaram assassinar Abu Mazen e Ahmed Korei, os principais sucessores. Mas é evidente que um dos maiores obstáculos que impediam qualquer possibilidade de acordo entre as partes, já se retirou da cena. Em que medidas a nova liderança palestina tratará de dar uma esperança a seu povo e à região, ainda não se sabe.
O fundamental é que essa nova liderança se afaste do caminho de sangue, do terror e dos sofrimentos que caracterizaram toda sua existência de Arafat. Podemos ser otimistas, mas não muito, pelo menos por enquanto, em imaginar um futuro melhor. Torcemos muito por isso e desejamos muito isso. Grupos como as Brigadas Al Aqsa, Jihad, Hamas, que contavam com o apoio de Arafat, já anunciaram que a luta (leia-se o terrorismo) continua.
E outro arquiterrorista apareceu tentando influir na eleição de Bush. Bin Laden deu-se mal. Sua aparição via TV Al-Jazeera foi uma ameaça aos norte-americanos, mas evidenciou sua descontextualização da Guerra do Líbano e sua notória judeufobia. Creditou o ataque ao World Trade Center, em 2001, ao fato dos EUA terem apoiado Israel na Guerra do Líbano, em 1982, ou seja, quase vinte anos antes (!). A Guerra do Líbano teve como causa os ataques sistemáticos contra Israel, incluindo, entre outras coisas, o lançamento diário de mísseis e infiltrações terroristas. A OLP e Yasser Arafat, nessa época, se refugiavam em Beirute. A gota d’água fora a tentativa pela OLP de assassinato de um embaixador israelense no exterior. Muito antes de qualquer ataque ao WTC Israel já havia retirado todas as suas tropas do sul do Líbano.
Arafat, o ditador dos palestinos está morto, e Bin Laden está sendo derrotado. Pensemos na paz que é o que interessa. Sobretudo agora que nos aproximamos da Festa de Chanucá. Que suas luzes iluminem o caminho da humanidade!
A Redação


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