Por: Laura Montserrat Barbosa e Tânia Maria Baibich-Faria
Tendo sido convidadas pela Entidade Mantenedora para lançar um olhar
crítico, de natureza diagnóstica, sobre a Escola, trabalhamos
durante os meses de junho, julho e agosto passados nesta tarefa.
Buscando atingir, de forma não superficial, a amplitude da dinâmica
do funcionamento desta Instituição de Ensino, voltamos nossas “lupas”,
nossos “estetoscópios”, nosso pensamento e nosso coração
para os diversos pilares que a sustentam, qual sejam: alunos, pais, professores,
Conselho Diretor e a própria Entidade Mantenedora.
Fazendo uso de diversas técnicas de diagnóstico, pretendíamos
avaliar de que forma a Escola Israelita de Curitiba tem cumprido os objetivos
básicos da filosofia que norteia sua existência; os procedimentos
que utiliza para favorecer o desenvolvimento de sujeitos morais e intelectualmente
autônomos (sujeitos do próprio pensar); de que maneira preserva
e reascende a chama da cultura judaica; com que intensidade age no sentido
de possibilitar, mediante o estudo e a participação coletiva
e democrática de seu corpo docente, a formação continuada
e permanente dos profissionais da educação que nela atuam;
como procede para lidar com as dificuldades inerentes ao fato de ser uma
Escola Comunitária, entre outros aspectos.
Os resultados, de primeira grandeza, foram compartilhados com os professores,
com o Conselho Diretor, com a Entidade e com alguns pais que se fizeram presentes
na Sucá (espaço privilegiado para reforçar os princípios
que mantêm o povo judeu como é, até hoje) construída
no CIP quando da comemoração de Sucot. Todavia, a satisfação
de termos encontrado a jóia que encontramos (nós que transitamos
bastante, devido à nossa profissão, em meio a Escolas, professores
e alunos), nos leva a desejar compartilhar um pouco deste resultado no âmbito
mais amplo da Comunidade em geral.
Considerando que o espaço de jornal caracteriza-se por ser um espaço
reduzido, selecionamos apenas alguns aspectos dentre os tantos que nos surpreenderam
por sua qualidade:
a) competência técnica e pessoal do quadro docente e Conselho
Diretor;
b) qualidade do projeto pedagógico e da forma pela qual se traduz
no dia-a-dia da escola, isto é, como “corre nas veias de seus
professores”;
c) compreensão, por parte do corpo técnico, do conhecimento
como um processo de construção, e não de mera cópia;
d) capacidade em criar relações multi, pluri e interdisciplinares;
e) capacidade em inventar, em permanente negociação com o grupo
de alunos, ações apropriadas para que o aluno construa seu
processo de aprendizagem;
f) favorecimento de situações de interação (e
não mero contato) do aluno com a ciência, a arte e os valores
(judaicos e humanos em geral);
g) interação da cultura judaica no conjunto do currículo
sem que esta se constitua nem em totalidade nem em apêndice;
h) rigor intelectual na direção do trabalho docente;
i) ambiente de trabalho rico, diverso, estimulante e prazeroso;
j) relação cooperativa entre Entidade Mantenedora e Conselho
Diretor e entre este último e professores, o que se reflete na relação
de ensino/aprendizagem;
k) capacidade de crítica e autocrítica tanto da Entidade Mantenedora
quanto do Conselho Diretor e do Corpo Docente, o que também tem conseqüências
definitivas na educação das crianças e dos jovens; entre
outras tantas características que poderiam ser aqui relacionadas.
Os aspectos que mereceram atenção no que diz respeito à necessidade
de melhoria referem-se a questões de ordem material, no sentido mais
específico de espaço e infra-estrutura. Medidas neste sentido
já estão sendo propostas à Kehilá, pela Entidade
Mantenedora e Conselho Diretor, no sentido de serem solucionadas.
Como profissionais que somos, comprometidas com a Educação
de qualidade socialmente referenciada, esta experiência foi extremamente
gratificante pois que, ao revelar a jóia na qual a Escola Israelita
Salomão Guelman tem se constituído, referendando o valor que
sempre buscou com teimosia ao longo de sua existência, provou que a
clareza de concepção epistemológica que se traduz em
projeto pedagógico qualificado e coletivo, aliada a uma orientação
competente, pode resultar em ação docente de primeira ordem
e de formação de sujeitos autônomos.
Se nos fosse dada à oportunidade de sugerir algo para a comunidade
Israelita do Paraná na certa sugeriríamos que, tal como na
tradução literal do hebraico da expressão “prestar
atenção” (lasim lev), colocassem seu coração
nos cuidados com a Escola, isto é, que a cuidassem como quem cuida
de um tesouro, que é o que ela é.
* Laura Montserrat Barbosa é psicopedagoga, mestre em Educação,
conselheira da Associação Nacional de Psicopedagogia.
** Tânia Maria Baibich-Faria é psicóloga, mestre em Educação,
doutora em Psicologia Social e pós-doutora em Relações
de Preconceito na Escola.