(continuação da edição nº 62, de outubro de 2007).
Na edição de outubro, Visão Judaica publicou, com exclusividade no Brasil, o teor da palestra do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad na Universidade de Columbia, nos EUA, dia 24/9/2007, a convite — polêmico — do decano suplente da Escola de
Assuntos Públicos e Internacionais daquela universidade, John Coatsworth. No mesmo texto, publicamos a apresentação do presidente da Universidade de Columbia, Lee Bollinger, que na verdade foi um dos mais contundentes, corajosos e críticos discursos já ouvidos alguma vez, cara a cara, pelo déspota de Teerã. Pelas respostas de Ahmadinejad pode-se entender melhor, agora, porque parte da imprensa americana e internacional, disse que ele se saiu bem do questionamento. Na verdade, não respondeu praticamente nada do que lhe foi perguntado. Disse o que queria, manipulou Coatsworth e a platéia, desviou-se de tudo e de todos, usando do artifício de devolver e creditar tudo ao governo americano. As claques de esquerda dos estudantes o ajudaram aplaudindo algumas de suas respostas. Porém deu-se muito mal quando declarou que no Irã não existem homossexuais... Ao final, Bollinger, ao agradecer a presença de Ahmadinejad foi irônico ao lembrar que ele não respondeu algumas das perguntas que lhe foram formuladas.
Tão logo o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, concluiu seu pronunciamento na Universidade de Columbia, em Nova York, o decano John Coatsworth, que o convidara para falar naquela instituição disse: Senhor Presidente, suas declarações aqui, hoje, e no passado, provocaram muitas indagações que eu gostaria de colocar em nome dos estudantes e da faculdade que as submeteram a mim. Deixe-me começar com a pergunta para a qual o senhor só...
Ahmadinejad (Em inglês, interrompendo): É uma por uma, uma por uma.
Coatsworth: Uma por uma, é sim. A primeira pergunta é: O senhor ou seu governo buscam a destruição de Israel como um Estado judeu?
Ahmadinejad: Nós amamos todas as nações. Somos amigos do povo judeu. Há muitos judeus no Irã que vivem pacificamente e com segurança. Vocês devem entender que em nossa Constituição, nas nossas leis, nas eleições parlamentares, para cada 150.000 pessoas nós temos um representante no Parlamento. Para a comunidade judaica, um quinto deste número, ela ainda possui um representante independente no Parlamento. Assim, nossa proposta para a situação palestina é uma proposta humanitária e democrática.
O que nós dizemos é para resolver o problema de 60 anos. Temos que permitir ao povo palestino decidir sobre seu futuro por si próprio. Isto é compatível com o espírito da Carta das Nações Unidas e os princípios fundamentais contidos nela. Temos que permitir aos judeus palestinos, muçulmanos palestinos e cristãos palestinos determinação do seu próprio destino por um referendo livre. O que quer que escolham como nação todo mundo deveria aceitar e respeitar. Ninguém deve interferir nos assuntos da nação palestina ou lançar as sementes da discórdia. Ninguém deve gastar dezenas de bilhões de dólares equipando e armando um grupo lá. Nós dizemos: Permita que a nação palestina decida seu próprio futuro, tenha o direito de autodeterminação. Isto é o que estamos dizendo como nação iraniana. (Aplausos).
Coatsworth: Sr. Presidente, creio que muitos membros de nossa audiência gostariam de ouvir uma resposta mais clara àquela pergunta que é...(interrompido por vivas e aplausos).
A pergunta é: O Sr. ou seu governo buscam a destruição de Israel como um Estado judeu? E creio que poderia responder a pergunta com uma única palavra, sim ou não. (Aclamações e aplausos).
Ahmadinejad: Então quer uma resposta da maneira que queira ouvi-la. Bem, este realmente não é um fluxo livre de informação. Estou só lhe falando onde eu... Qual é a minha posição. (Aplausos).
Estou lhe perguntando, o tema palestino é um assunto internacional de importância? Ou não? Por favor, diga-me, sim ou não. O pedido é de um povo. (Risadas e aplausos).
Coatsworth: A resposta para sua pergunta é sim. (Risadas).
Ahmadinejad: Bem, obrigado por sua cooperação. É — reconhecemos — um problema que existe há 60 anos. Todo mundo aponta uma solução, e nossa solução é um referendo livre. Deixem este referendo acontecer, e então verão quais os resultados. Deixe os palestinos escolherem livremente o que querem para o seu futuro. E então, o que deseja em sua mente que aconteça, acontecerá e será concretizado. (Aplausos).
Coatsworth: O que foi colocado antes pelo presidente Bollinger, e por vários outros estudantes é por que seu governo está ajudando terroristas? Vai parar com isso e permitir o monitorando internacional para uma certificação de que o senhor parou?
Ahmadinejad: Bem, eu quero colocar uma pergunta aqui para você. Se alguém vem e explode bombas ao seu redor, ameaça seu presidente, membros da administração, mata os membros do Senado ou do Congresso, como você os trataria? Você os premiaria ou você os denominaria um grupo terrorista? Bem, está claro. Você os chamaria de terroristas.
Meus caros amigos, a nação iraniana é vítima do terrorismo. Por... Há 26 anos atrás, onde eu trabalho, perto de onde trabalho, numa operação terrorista, o presidente eleito do Irã e o primeiro-ministro eleito do Irã perderam suas vidas numa explosão a bomba. Eles se transformaram em cinzas. Um mês depois, em outra ação terrorista, 72 membros do nosso Parlamento e altos funcionários, incluindo quatro ministros e oito vice-ministros, foram despedaçados como resultado do ataque terrorista. Em seis meses, mais de 4 mil iranianos perderam suas vidas, assassinados por terroristas, tudo isso conduzido pela mão de um único grupo terrorista. Com pesar digo, que o mesmo grupo terrorista, agora, hoje, em seu país, está... operando com do apoio da administração norte-americana, trabalhando livremente, fazendo declarações livremente. E os seus acampamentos no Iraque são apoiados pelo governo norte-americano. Eles têm o aval do governo norte-americano. Nossa nação foi prejudicada por atividades terroristas. Fomos a primeira nação que contestou o terrorismo e a primeira a apoiar a necessidade de lutar contra o terrorismo. (Aplausos).
Coatsworth: Vários questionadores, desculpe, várias pessoas perguntaram isso.
Ahmadinejad: Precisamos descobrir as causas do terrorismo e erradicá-las. Vivemos no Oriente Médio. Para nós, está bastante claro que tipo de poderes incita os terroristas, os apóia, os financia. Sabemos isso. Nossa nação, o Irã, historicamente sempre estendeu a mão da amizade a outras nações. Somos uma nação culta. Não precisamos recorrer ao terrorismo.
Nós mesmos fomos vítimas do terrorismo, e é lamentável que pessoas que dizem combater o terrorismo, ao invés de apoiar a nação e o povo iraniano, e lutar contra os terroristas que estão os atacando, estejam apoiando os terroristas e apontam os dedos contra nós. Isto é muito lamentável.
Coatsworth: Uma boa quantidade de questões adicionais desafia sua visão do Holocausto. Desde a evidência de que isto ocorreu na Europa nos anos quarenta como resultado das ações do governo nazista alemão, desde então esses fatos têm sido bem documentados. Por que então pede pesquisas adicionais? Parece não haver nenhum propósito para agir assim, ao não ser o de questionar se o Holocausto aconteceu de verdade e de questioná-lo como um fato histórico. Pode explicar por que acha que é preciso mais pesquisas para um fato que é incontroverso?
Ahmadinejad: Muito obrigado por sua pergunta. Sou um acadêmico, assim como o senhor é. Você pode argumentar que pesquisar um fenômeno sempre é conclusivo, terminado? Podemos fechar os livros para o bem de um evento histórico? Há perspectivas diferentes que lançam luzes depois que toda pesquisa for concluída. Por que deveríamos parar de pesquisar tudo? Por que deveríamos parar o progresso da ciência e do conhecimento? Vocês não deveriam me perguntar por que estou fazendo perguntas. Vocês deveriam perguntar a si próprios por que pensam ser questionável.
Por que pararmos o progresso de ciência e da pesquisa? Vocês já têm o que é conhecido como absoluto em Física? Tivemos princípios na matemática que foram aceitos como absolutos durante mais de 800 anos, mas uma nova ciência libertou-nos desse absolutismo adquirido... Assim, outros pontos de vista lógicos, diferentes de olhar para a matemática, e outros tipos de mudança de pontos de vista viraram completamente algo como uma ciência de 800 anos. Temos que permitir as pesquisas, os estudantes devem pesquisar tudo, todos os fenômenos — D-us, universo, seres humanos, história e civilização. Por que deveríamos parar isso?
Não estou dizendo que não ocorreu nada. Este não é (o?) julgamento que estou passando aqui. Disse em minha segunda pergunta (referindo-se á sua palestra, publicada na edição anterior), concordando que aconteceu, o que tem isto a ver com o povo palestino? É uma questão séria, são duas dimensões. Na primeira pergunta, eu...
Coatsworth: Deixe-me só... Deixe-me avançar um pouco. É difícil ter um debate científico sem haver alguma base pelo menos... Alguma base empírica, um acordo sobre o que são os fatos. Assim, clamar por pesquisas de fatos quando os fatos são tão bem estabelecidos, representa para muitos um desafio a esses fatos, e uma negação do fato terrível acontecido na Europa naqueles anos. (Aplausos).
Deixe-me ir para... (pausa). Senhor Presidente, outro estudante pergunta: Agora são negados às mulheres iranianas os direitos humanos mais básicos, e seu governo impôs castigos draconianos, inclusive execução de cidadãos iranianos homossexuais. Por que vocês estão fazendo essas coisas?
Ahmadinejad: No Irã há liberdades verdadeiras e genuínas. Os iranianos são livres. As mulheres no Irã desfrutam dos mais altos níveis de liberdades. Temos duas vice-ministras... Bem, duas vice-presidentes do sexo feminino nos níveis mais altos de especialização; especializadas (funções?) em nosso Parlamento, nosso governo e nossas universidades. Elas estão presentes nos nossos campos biotecnológico e tecnológico. Há centenas de mulheres cientistas bem ativas no mundo político. Não é... É errado para alguns governos, quando discordam de outro governo, ordenar que... Tentam disseminar mentiras que distorcem a verdade completa. Nossa nação é livre. Tem o nível mais alto de participação eleitoral. No Irã, 80 por cento... 90 por cento do povo votam nas eleições, metade disso... Metade delas são mulheres. Assim, como se pode dizer que as mulheres não são livres? Isso é a verdade inteira?
Quanto as execuções, gostaria de levantar duas questões. Se alguém vem e estabelece uma rede de tráfico de drogas ilícitas que afeta o (uso?) no Irã, Turquia, Europa e os Estados Unidos, introduzindo estas drogas ilícitas que os destrói, você o recompensaria? Pessoas que conduzem as vidas... Causam deterioração das vidas de centenas de milhões de jovens ao redor do mundo, incluindo o Irã, devemos ter alguma consideração com elas? Vocês não têm pena de morte nos Estados Unidos? Vocês também executam. (Aplausos).
No Irã, também, há pena de morte para narcotraficantes, para os que violam os direitos das pessoas. Se alguém armado invade uma casa, mata pessoas lá, e tenta obter resgate, como vocês os confrontariam no Irã com... Nos Estados Unidos? Você os premiaria? Pode um médico permitir que micróbios, simbolicamente falando, se espalhem por uma nação? Temos leis. Os que violam os direitos públicos das pessoas usando armas, assassinando, criando insegurança, vendendo drogas, distribuindo drogas em alto nível são condenados à morte no Irã, e alguns destes castigos... Muito poucos são levados à vista de todos, ante o olhar público. É uma lei baseada em princípios democráticos. Vocês usam injeções e germes para matar estas pessoas, e eles são executados ou são enforcados, e o resultado é que no fim são mortos.
Coatsworth: (Afastado do microfone) Isso para contrabandistas de drogas. A pergunta era sobre preferência sexual e mulheres. (Aplausos).
Ahmadinejad: No Irã, nós não temos homossexuais como em seu país. (Risadas). Nós não temos isso em nosso país. (Vaias e gritos). No Irã, não temos este fenômeno. Não sei quem lhe disse que nós temos isto... (Risos). Mas sobre as mulheres, talvez vocês pensem que ser mulher seja um crime. Não é um crime ser mulher. Mulheres são as melhores criaturas criadas por D-us. Eles representam a bondade, a beleza que D-us incute nelas. São respeitadas as mulheres no Irã. No Irã, cada família à qual é dada uma menina... Todas as famílias iranianas que têm uma menina são 10 vezes mais felizes do que ter um filho. As mulheres são mais respeitadas que os homens. Elas são isentas de muitas responsabilidades. Muitas das responsabilidades legais recaem nos ombros dos homens na nossa sociedade por causa do respeito cultural devido às mulheres, às futuras mães. Na cultura iraniana, homens, filhos e meninas constantemente beijam as mãos de suas mães em sinal de respeito, um respeito às mulheres, e estamos orgulhosos desta cultura.
Coatsworth: (Longe do microfone) Uma questão é o que o senhor espera obter falando hoje em Columbia? E a segunda é, o que diria se lhe permitissem visitar o local da tragédia de 11 de Setembro?
Ahmadinejad: Bem, aqui sou seu convidado. Fui convidado pela Columbia, um convite oficial feito para vir aqui, mas quero dizer algo. No Irã, quando se é convidado você o respeita. Esta é a tradição requerida por nossa cultura, e eu sei que o povo americano tem essa cultura também.
No ano passado, quis ir ao local da tragédia do 11 de Setembro mostrar respeito às vítimas da tragédia, mostrar minha simpatia para com suas famílias, mas nossos planos foram superestimados. Estávamos envolvidos em reuniões e negociações até meia-noite, e eles diziam que seria muito difícil ir visitar o local àquela tardia hora da noite. Então, disse aos meus amigos que precisamos planejar isso para o ano seguinte, de forma que eu pudesse ir visitar o local e mostrar meus sentimentos. Infelizmente, certos grupos reagiram com força, são reações muito ruins. É ruim para alguém... Que se impeça de mostrar condolências às famílias das vítimas do evento de 11 de Setembro... Um trágico evento.
Isto é um respeito de minha parte. Alguém me disse que é um insulto. Eu disse: O que você está dizendo? Este é o meu modo de mostrar respeito. Por que você pensaria assim? Pensando assim, como espera administrar o mundo e os assuntos mundiais? Não pense que muitos problemas mundiais são do modo que você vê por causa da sua forma de pensar, ou pelo tipo de aproximação pessimista de muitas pessoas, em função de certo nível de egoísmo e auto-absorção que precisam ser postas de lado para que mostremos respeito com todo mundo, permitamos um ambiente de amizade crescente, e para que todas as nações falem umas com as outras, rumo à paz.
Eu quis falar com a imprensa. Há um 11 de Setembro... Um 11 de Setembro trágico, um evento enorme. Que conduziu posteriormente para muitos outros eventos. Depois de 9/11, o Afeganistão foi ocupado e então o Iraque foi ocupado, e durante seis anos em nossa região há insegurança, terror e medo. Se a causa-raiz do 9/11 for examinada corretamente... Por que isso aconteceu, o que causou isto, quais eram as condições que levaram a isto, o que verdadeiramente estava envolvido, o que realmente estava envolvido — e coloque tudo isso junto para entender como prevenir a crise no Iraque, resolver o problema no Afeganistão e Iraque, combinam.
Coatsworth: Várias indagações dizem respeito ao seu programa nuclear. Por que seu governo está querendo obter urânio enriquecido suficiente para armas nucleares? Vai parar com isso?
Ahmadinejad: Primeiro, nosso programa nuclear opera sob a vigência da lei, e segundo, sob as inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), e em terceiro lugar, são totalmente pacíficos. A tecnologia que temos é para enriquecimento abaixo do nível de 5 por cento, e qualquer nível abaixo de 5 por cento é só para prover combustível às usinas de energia. Repetidos relatórios da AIEA dizem explicitamente que não há nenhuma indicação de que o Irã se desviou do caminho pacífico do seu programa nuclear. Estamos todos bem atentos de que essa questão nuclear do Irã é uma questão política; não é uma questão legal.
A AIEA verificou que nossas atividades são para propósitos pacíficos. Mas há duas ou três potências que pensam que elas têm o direito de monopolizar toda a ciência e o conhecimento. E elas esperam que o povo iraniano, o Irã, se volte aos outros para obter combustível, ciência, e conhecimento que ele próprio tem, humilhando-o. E então, claro, as potencias se absteriam de dá-los também a nós.
Assim, fica bem claro para o que precisamos. Se vocês criaram a quinta geração de bombas atômicas e já as estão testado, em que posição vocês estão para questionar os propósitos pacíficos de outros povos que desejam energia nuclear? (Aplausos). Não acreditamos em armas nucleares. Ponto. Vai contra a humanidade inteira. Assim,
deixem-me contar uma piada. Creio que políticos atrás de bombas atômicas ou as estão testando, ou construindo-as. Politicamente são retrógrados, retardados. (Aplausos).
Coatsworth: Sei que seu tempo é curto e que precisa se mexer. O Irã está preparado abrir amplas discussões com o governo dos Estados Unidos? O que esperaria o Irã alcançar nestas discussões? Como o senhor vê, no futuro, uma resolução dos pontos de conflito entre o governo dos Estados Unidos e o governo do Irã?
Ahmadinejad: Desde o início anunciamos que estamos prontos para negociar com todos os países. Há 28 anos, quando nossa revolução teve êxito e nós estabelecemos — trouxemos liberdade e democracia que foram barradas à distância por uma ditadura pró-ocidental, anunciamos nossa prontidão, exceto para dois países, que estávamos prontos para relações amigáveis e entendimento com todos os países do mundo. Um dos dois era o regime do apartheid da África do Sul, que foi eliminado, e o outro, é o regime sionista. Para todos os outros ao redor do mundo, anunciamos que queremos laços amigáveis e fraternos.
A nação iraniana é uma nação culta. É de natureza civilizada. Procura, quer novas conversações e negociações. É para isso. Acreditamos que negociações e conversas podem solucionar tudo muito facilmente. Não precisamos de ameaças; não precisamos apontar bombas ou armas; não precisamos entrar em conflito se falarmos. Temos uma lógica clara sobre isso.
Questionamos o modo como o mundo é dirigido e administrado hoje. Acreditamos que não conduzirá à paz viável e à segurança no mundo, a forma que é feita atualmente. Temos soluções baseadas em valores humanos para relações entre os estados. Com o governo norte-americano, nós também negociaremos. Não temos nenhum tema sobre isso em questão, só há circunstâncias com respeito mútuo de ambos os lados.
Vocês viram isso na ajuda para a segurança no Iraque, tivemos três etapas de conversas com os Estados Unidos. E no ano passado, antes de vir a Nova York, anunciei que estava pronto, nas Nações Unidas, a fazer um debate com o Sr. Bush, o presidente dos Estados Unidos, sobre assuntos internacionais críticos. Isso, para mostrar que queremos falar, fazer um debate diante do público mundial, ante toda a audiência, de forma a revelar a verdade, afastando enganos e erros de interpretação, de maneira a encontrar um caminho claro para as relações fraternas e amigáveis. Creio que se a administração norte-americana — se o governo norte-americano abandonar alguns de seus velhos comportamentos, pode ser de fato um bom amigo do povo iraniano, da nação iraniana.
Durante 28 anos eles constantemente nos ameaçaram, nos insultaram, barraram nosso desenvolvimento científico, todos os dias, sob um pretexto ou outro. Todos vocês sabem que o ditador Saddam foi apoiado pelo governo dos Estados Unidos e alguns países europeus para atacar o Irã. E... Ele lançou uma guerra de oito anos, uma guerra criminosa. Mais de 200 mil iranianos... perderam suas vidas. Mais de 600 mil iranianos resultaram feridos dessa guerra. Ele usou armas químicas; milhares de iranianos foram vítimas de armas químicas que ele usou contra nós. Hoje, o Sr. Nobal Vinh (ph), que é repórter, um repórter oficial, repórter internacional, que por muitos anos cobriu relatórios da ONU, que cobre as Nações Unidas, é uma das vítimas das armas químicas usado pelo Iraque contra nós.
E desde então, estivemos sob vários tipos de propaganda, diferentes espécies de embargos, sanções econômicas, sanções políticas. Por quê? Por que queríamos nos livrar de um ditador? Por que queríamos a liberdade e a democracia que escolhêramos para nós mesmos? Mas nem sempre pudemos contar. Cremos que se o governo norte-americano reconhecer os direitos do povo iraniano, e de todas as nações, e estender a mão da amizade a todos os iranianos, eles também verão que os iranianos serão um dos seus melhores amigos. Posso agradecer por um momento a audiência?
Eu... Bem, há muitas coisas que gostaria de abordar, mas não quero tomar mais o tempo de vocês. Foi perguntado se eu permitiria que estudantes da faculdade de Columbia fossem ao Irã. Desta forma, convido os membros do corpo docente e estudantes da Columbia a visitar o Irã, falar com nossos estudantes universitários. O Sr. é convidado oficialmente. (Aplausos).
Professores da faculdade e os estudantes que a universidade decidir, ou a associação de estudantes escolherem são bem-vindos. Vocês são bem-vindos a visitar qualquer universidade que escolham no Irã. Nós lhes proporcionaremos uma lista das universidades. Há mais de 400 em nosso país, e poderão escolher qualquer uma que queiram visitar. Nós lhes daremos a verdadeira plataforma. Vocês podem... Nós os respeitaremos 100 por cento. Teremos nossos estudantes sentados lá para os escutarem, falarem com vocês, ouvirem o que vocês têm a dizer.
Bem agora, nas nossas universidades, diariamente, há centenas de reuniões como esta. Eles ouvem, falam, fazem perguntas, e dão boas-vindas.
Por fim, gostaria de agradecer a Universidade de Columbia. Tinha ouvido falar que muitos políticos dos Estados Unidos são educados na Universidade de Columbia, e há muitas pessoas aqui que acreditam na liberdade de expressão, no diálogo claro e honesto; gostaria de estender minha gratidão aos dirigentes aqui nos EUA, na Universidade de Columbia — peço desculpas — àqueles que tão bem organizaram esta reunião. Gostaria de estender minha gratidão mais profunda aos membros do corpo docente e os queridos estudantes aqui presentes. Peço a D-us Todo-Poderoso, que nos ajude a todos a darmos as mãos para estabelecer a paz e um futuro cheio de amizade, justiça e fraternidade. Boa sorte a todos vocês. (Aplausos).
Bollinger: Sinto muito que a agenda do presidente Ahmadinejad o obrigue a partir antes de ele ter respondido muitas das perguntas que ainda temos ou até mesmo responder algumas das que nós colocamos a ele. (Risadas e aplausos). Mas penso que podemos nos dar por satisfeitos com a presença dele aqui que demonstra o profundo compromisso da Columbia com a liberdade de expressão e o debate. Quero agradecê-lo por ter vindo participar. (Aplausos). Obrigado.
Nota: A tradução das perguntas e respostas não foi editada, preservando, ipisis litteris, o debate. As palavras entre parêntesis, também preservadas, de conformidade com o texto fornecido pela Universidade de Columbia, significam termos inaudíveis e/ou inteligíveis, pronunciadas pelo tradutor de Ahmadinejad ao inglês, e cuja transcrição procurou identificar, e por esse motivo aparecem seguidas de pontos de interrogação.