Professor que nega Holocausto é condenado a prisão na França



 

Negacionista é reincidente, mas desta vez pegou cadeia

O professor de literatura Robert Faurisson, de 77 anos, foi considerado culpado, das acusações de "cumplicidade de contestação da existência de crime contra a humanidade", por negar a existência do Holocausto. Ele foi condenado a três meses de prisão, na França, com possibilidade de recurso, ou deve pagar uma multa de 7.500 euros. A informação é do jornal Le Monde.
"Nunca houve câmaras de gás de execução alemã, nem uma.[...] Sendo assim, o que os milhões de turistas que visitam Auschwitz vêem, é uma mentira, uma falsificação, uma enganação para turistas", afirmou Robert Faurisson no canal iraniano Sahar 1, em fevereiro de 2005.
No dia 11 de julho, o Ministério Público francês requisitou uma pena de prisão sem recursos. Faurisson, que se lançou em um conflito revisionista ao manter suas declarações à televisão iraniana, foi condenado a um ano de prisão e a 45 mil euros de multa. Seu advogado entrou com recurso alegando o fundamento da liberdade de expressão.
A Liga internacional contra o racismo e o anti-semitismo (Licra), o Movimento contra o racismo e pela amizade entre os povos (MRAP), e a Liga dos direitos do homem entraram com o pedido civil. Faurisson deve pagar-lhes um euro por danos e interesses, numa multa simbólica.
Robert Faurisson, o negacionista mais conhecido do mundo universitário francês, já foi condenado anteriormente a cinco repreensões e multas entre 1992 e 1998 por contestar crimes contra a humanidade.
Outro em julgamento
Um dos líderes da extrema-direita francesa, Bruno Gollnisch, começou a ser julgado dia 7/11 em Lyon, acusado de "colocar em dúvida um crime contra a humanidade", em declarações feitas em 2004 sobre as câmaras de gás nazistas. Gollnisch, número dois da Frente Nacional, partido de extrema-direita de Jean Marie Le Pen, poderá ser condenado a um ano de prisão.
Em outubro de 2004, Gollnisch assegurou em uma entrevista coletiva que "não colocava em dúvida as deportações nem os milhões de mortos nos campos de concentração nazistas". Mas, acrescentou: "Agora, em relação à maneira pela qual essa gente morreu, deveria haver um debate". Respondendo a uma pergunta mais específica sobre as câmaras de gás, o político declarou: "Não nego as câmaras de gás homicidas, mas não sou um especialista no assunto e creio que é preciso deixar que os historiadores investiguem isso, e esta investigação deverá ser livre". Estas afirmações fizeram com que Gollnish perdesse sua imunidade de eurodeputado e, além disso, ele foi suspenso durante cinco anos de seu cargo de professor de Língua e Cultura japonesa na Universidade de Lyon.