Grandes setores da mídia internacional não apenas relataram erroneamente o conflito no Líbano. Também assopraram as chamas ativamente. O Serviço Mundial da BBC poderia ser considerado de longe o vilão número um. Cada vez mais soa como uma ferramenta de propaganda virtual para o Hezbolá, e, ao tentar, desesperadamente, provar que Israel é culpado de cometer "crimes de guerra" e "crimes contra a humanidade", introduziu uma nova acusação: o locutor lê "comentários do público" cuidadosamente selecionados e, entre esses, nos dizem que "o ataque de Israel contra o Líbano" servirá como "um enorme impulso no recrutamento para a Al-Qaeda em todo o mundo". Mas se alguma coisa vai ganhar novos recrutas para Bin Laden e seus semelhantes, não serão as ações defensivas de Israel, que são muito menos prejudiciais do que as estações de televisão ocidentais andarem tentando convencer-nos, e sim a maneira inflamatória e incorrigivelmente unilateral pela qual estão sendo relatados pelas mesmas organizações noticiosas.
Conquanto os comentários e entrevistas tendenciosos já são suficientemente ruins, o grau de distorção das imagens é ainda pior. Da maneira pela qual muitas das estações de TV estão apresentaram a história, seria de pensar que Beirute agora começou a parecer-se com Dresden e Hamburgo no período que se seguiu aos reides aéreos da II Guerra Mundial. Os canais de televisão internacionais usaram os mesmos segmentos filmados em Beirute repetidamente, mostrando a destruição de alguns prédios isolados de uma maneira que sugere que metade da cidade foi arrasada.
Um exame cuidadoso de fotos de satélite das áreas atingidas por Israel em Beirute mostra que certos prédios específicos, abrigando centros de comando do Hezbolá nos subúrbios ao sul da cidade foram escolhidos. A maior parte do resto de Beirute, afora sítios estratégicos como pistas de aeroporto usadas para transportar homens e armas do Hezbolá para dentro e para fora do Líbano, foi deixada praticamente intocada. A partir das imagens distorcidas, relatos testemunhais selecionados e uma ênfase quase 24 horas por dia a respeito de vítimas, seria lícito pensar que o nível de morte e destruição no Líbano esteja no mesmo nível que aquele de Darfur, onde as milícias árabes estão massacrando centenas de milhares de não-árabes, ou que o do tsunami de 2004 que matou meio milhão de pessoas no Sudeste de Ásia. Na realidade, Israel tomou grande cuidado para evitar matar civis – embora isso tenha sido muito difícil, e muitas vezes tragicamente impossível, já que membros do Hezbolá, se instalaram deliberadamente em lares de civis. Apesar de tudo, o número de mortes de civis foi misericordiosamente baixo comparado com outros conflitos internacionais em anos recentes.
A BBC é a maior e mais financiada organização de notícias do mundo. O seu serviço de rádio atrai mais de 163 milhões de ouvintes. Chega em quase todos os idiomas do Oriente Médio: pashtun, persa, árabe e turco. Desnecessário é dizer que se recusa a transmitir em hebraico, mesmo embora transmita em macedônio, albanês, azerbaidjano, uzbeque, quinyawanda, quirguiz...
O experiente jornalista britânico Nic Robertson, da CNN, revelou como a mídia noticiosa permite que seja distorcida a sua cobertura do Oriente Médio. Ele confessou que o seu relato anti-Israel, de Beirute, em 18 de julho, a respeito de vítimas civis no Líbano, foi emendado, do início até o fim, pelo "oficial de imprensa" do Hezbolá que, segundo ele, tem "operações de mídia muito sofisticadas e espertas". Robertson reconheceu que militantes do Hezbolá tinham instruído a equipe de câmera da CNN sobre onde e o que filmar. O Hezbolá "tinha controle da situação". Outro jornalista deixou escapar a verdade. Escrevendo no seu blog, a partir do sul do Líbano, o colaborador da revista Time, Christopher Allbritton, mencionou por acaso, no meio de um artigo que postou: "Ao sul, ao longo da curva litorânea, o Hezbolá está lançando Katyushas, mas eu não quero dizer demais a respeito deles. Eles têm uma cópia do passaporte de cada jornalista, e já incomodaram vários de nós, e ameaçaram um". Já Richard Engel, da NBC, e Elizabeth Palmer, da CBS, também foram levados em visita às áreas danificadas, por "cuidadores" do Hezbolá. No seu relato, Palmer comentou que "o Hezbolá também está decidindo que pessoas de fora verão apenas o que querem que vejam".
* Tom Gross é jornalista e ex-correspondente em Jerusalém do jornal londrino Sunday Telegraph. Tradução: Hedy Hofman.