Beer-Sheva

Conforme o texto bíblico Beer-Sheva era o antigo limite sul de Israel: “... desde Dan até Beer-Sheva....” Jz 20:1. Isto significa que a localidade já era uma referência no período em que Israel estava se fixando na Terra Prometida. No entanto, muito antes disso Beer-Sheva foi um importante local de concentração de nômades criadores de cabras e carneiros. Escavações realizadas em torno da cidade moderna comprovam a presença de pastores no ano 4.000 a.e.c.
Localizada ao sul  das montanhas do norte do Negev, serviu, no período dos Juízes, como ponto de controle territorial. No entanto, desde o período patriarcal Beer-Sheva tem a sua importância na história judaica. Foi no “Poço dos Sete” – Beer-Sheva - que Abraão estabeleceu um acordo sobre o uso da água com o filisteu Abimelek – Gn 21:25,33.  Neste mesmo local aconteceu a renovação da Aliança com Isaac. Gn 26:23,25; e foi também local do sonho de Jacob, ocasião em que D-us ordena a sua ida para o Egito. Gn 46:1,7.
Os conflitos com os amalequitas eram constantes. Desde Abraão, esse povo levantou questões com Israel. No final do reinado de David foi construída uma fortaleza no alto de um monte. Saul já havia fixado anteriormente um posto de defesa contra os ataques dos filhos de Amalek. Mais tarde a fortaleza foi destruída, possivelmente por ataques egípcios e, no final do século 8 a.e.c a cidade foi invadida e destruída por Senequaribe.
Sobreviventes ao ataque dos assírios reconstruíram a cidade em um local próximo da primeira, e é essa que hoje podemos visitar suas ruínas. E a antiga fortaleza, que hoje temos seus restos, foi construída em parte pelos persas no século 4 a.e.c e concluída pelos romanos cinco séculos depois.
Graças às escavações realizadas pelos arqueólogos israelenses, hoje é possível se ter uma idéia do que foi a Beer-Sheva dos séculos após a invasão assíria. É possível ver restos de residências, ruas, a porta (única) da cidade, seus armazéns, construídos no mesmo estilo dos de Hazor e Meguido.
Mas, à parte da Beer-Sheva trazida à tona pela arqueologia, há uma cidade que desempenha um importante papel para o desenvolvimento cultural e econômico de Israel e também, para muitos países do mundo.
A Universidade Ben Gurion, criada com o objetivo de alavancar o desenvolvimento da agricultura no deserto, tem hoje mais de 17 mil estudantes. Conta com um avançado centro de pesquisas e desenvolvimento de tecnologias na área da agricultura, centros de pesquisas nas áreas da Saúde, das Ciências Naturais, Humanas e Sociais. Além disso, abriga importantes centros de pesquisa como, o Instituto Nacional de Biotecnologia, o Instituto de Pesquisas Ben Gurion e o Instituto de Pesquisas para o Deserto Jacob Blaustein.
O visitante de Beer-Sheva encontrará uma bela cidade plantada no deserto: com shuk no melhor estilo médio-oriental, com a presença de muitos beduínos que vendem seus artesanatos, museus da história da cidade e o memorial Ha Palmach, lembrando a ação daqueles que defenderam a cidade durante a Guerra de Independência.
Aqueles que se dirigem às cidades do sul de Israel, como Arad, Dimona, Eilat ou que vão para conhecer as belezas do deserto, não podem perder a oportunidade de ficar algum tempo na cidade. E aqueles, com interesse em pesquisa e novas tecnologias, podem marcar uma visita a Universidade Ben Gurion.

* Antonio Carlos Coelho é professor, diretor do Instituto Ciência e Fé, e colaborador do jornal Visão Judaica.