O antídoto para o veneno de Ahmadinejad
Em pleno século 21 ainda somos obrigados a ver e ouvir governantes, que como emergidos das trevas medievais, lançam ao mundo, ódio e preconceito, dos mais grosseiros e semelhantes em tudo ao anti-semitismo nazista da Alemanha de Hitler. Mas é bom ver que o mundo repudiou veementemente as declarações do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que incitaram abertamente à destruição de Israel.
O chamamento para “riscar Israel do mapa” pronunciado numa conferência denominada "O mundo sem o sionismo", repete a prática da instrumentalização da causa palestina pelos fundamentalistas islâmicos e pelas forças políticas mais reacionárias do Oriente Médio.
A conclamação ao genocídio por parte do chefe de um Estado que apóia abertamente organizações terroristas, não podia mesmo ser recebida em silêncio pela comunidade internacional. E as reações se fizeram presentes. O Brasil, que sempre externou a paz e o respeito à autodeterminação dos povos, não pode compactuar com a barbárie de um regime retrógrado, que oprime sua própria população e prega a destruição de um outro país. Muito menos é tolerável que coopere em atividades bélicas e de pesquisa nuclear com fanáticos que mobilizam massas privadas de liberdade, inflamando-as ao extermínio de um pretenso inimigo comum.
O Sionismo é a expressão do direito do povo judeu a ter seu país na Terra de Israel e é tão legítimo quanto o direito do povo palestino a ter seu Estado na Palestina. Já tivemos demonizações demais e genocídios demais por causa do racismo e da intolerância. Todos os países, todas as sociedades e todas as organizações internacionais, inclusive a ONU, que buscam a paz mundial e uma solução justa e duradoura para o conflito árabe-israelense, precisam manifestar veementemente sua indignação diante de tais incitações criminosas, como premissa da luta pelo reconhecimento do direito de todos os povos à liberdade e soberania.
Nem tudo, felizmente, parece ser obscuro no Oriente. Parece haver luzes no fim do túnel. O Paquistão, por exemplo, aceitou a ajuda internacional de Israel, pela primeira vez, após o devastador terremoto de outubro. No Afeganistão, o presidente Hamid Karzai anunciou a intenção de reconhecer Israel caso o Estado palestino seja criado. E no Golfo Pérsico, jornais do Kuweit adotaram uma postura impopular, a de sugerir a normalização das relações bilaterais com Israel nem decorrência da retirada de Gaza. O Catar, que mantém relações de escalão mais baixo com Israel, doou 10 milhões de dólares para a construção de um complexo desportivo, como sinal de aproximação. Egito e Jordânia enviaram seus embaixadores de volta a Israel depois de fevereiro, quando judeus e palestinos declararam uma trégua para facilitar o fim de 38 anos de ocupação de Gaza.
Construir o diálogo e fortalecer as relações com seus vizinhos é uma necessidade para Israel levar adiante o processo de paz no Oriente Médio. E isso já está sendo feito pelo governo Sharon, que em 2003 havia criado um departamento inédito para tratar com a imprensa árabe. Recentemente, o Exército de Israel fez o mesmo e hoje, todos os grandes canais árabes por satélite têm sucursais em Israel, em Gaza ou na Cisjordânia, inclusive a Al Jazeera. Com consentimento israelense, a imprensa árabe deu ampla cobertura à retirada dos colonos judeus de Gaza. Parece ser um bom antídoto para o veneno de Ahmadinejad.
A Redação