A comunidade judaica reagiu com ênfase aos artigos anti-semitas de colunistas do Jornal do Brasil. Entre as reações, destaca-se a carta incisiva enviada pelo presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro (FIERJ), jornalista Osias Wurman, ao presidente do jornal Nelson Tanure, que respondeu afirmando que os textos foram de "mau gosto" e assegurou "estar tomando as medidas internas cabíveis".
Em sua carta, Wurman, escreve: “Venho manifestar, em nome da comunidade judaica deste Estado, o mais veemente protesto e repúdio às inequívocas manifestações preconceituosas contidas nas páginas do JB, através das colunas de Jebão (17 de outubro) e Fausto Wolf (18 de outubro)”.
“A pretexto de partidarizar o conflito israelo-palestino, que tem raízes históricas e causas específicas, são assacadas piadas de mau-gosto e assertivas inteiramente distorcidas acerca do povo judeu, pretendendo importar para o solo brasileiro problemas do Oriente Médio. Seria o mesmo que acusar os africanos e/ou seus descendentes pelo genocídio em Ruanda e no Sudão, ou os muçulmanos em geral pelos atentados terroristas”.
“Só se pode atribuir à falta de conhecimento ou a mais pura má-fé, tais tentativas, veladas ou ostensivas, de satanização de um povo, tal como ocorreu na Idade Média e, mais recentemente, na Alemanha nazista. É lamentável que um jornal de tantas tradições nas lutas em favor da liberdade e do respeito à igualdade e dignidade humanas venha a incidir em tamanho primarismo, contrário aos mais elementares princípios conquistados pela civilização”.
Em resposta o presidente do JB, Nelson Tanure, afirma que “o Jornal do Brasil, ao longo de seus 115 anos de história, tem sido reflexo de características que marcam a alma brasileira. Pluralismo. Tolerância. Democracia. Equilíbrio. Valores republicanos”.
Em outro trecho de sua resposta declarou que “Discriminação baseada nesses critérios não encontra -- e jamais encontrará - guarida no JB. Orgulhamo-nos, nesse sentido, de saber que dentre nossos funcionários, colaboradores e amigos encontram-se vários representantes da comunidade judaica”.
Mais adiante, disse que “não se deve, assim, confundir a linha editorial do JB, e a pluralidade democrática que acolhe, com o despropósito e mau gosto do texto inserido na coluna a que o senhor bem faz referência - e em relação ao qual, asseguro-lhe, já tomamos as medidas internas cabíveis”.
Anti-semitismo
Ocorre que Jebão e Fausto Wolf são a mesma pessoa. Os textos notoriamente anti-semitas “são graçolas”, como afirmou o jornalista carioca Victor Grinbaum, e que tentam, ao mesmo tempo, minimizar o terrorismo que os israelenses sofrem, qualificando-os, e aos seus governantes, de nazistas e assassinos cruéis, negando-se lhes ainda o direito de defesa. O conflito do Oriente Médio é um processo complicado para virar piadinha de mau gosto na coluna de Jebão/Fausto Wolf, conhecido por suas posições à esquerda das esquerdas no que se refere a Israel. Pegando uma contramão da História e, ao invés de batalhar decentemente pela paz entre israelenses e palestinos, foi colocando sua lenha na fogueira dos ódios.
No dia 17/11 foram anunciadas à Federação Israelita do Rio de Janeiro alterações no Caderno B do Jornal do Brasil. Nelson Tanuri informou que a coluna de Nataniel Jebão (Fausto Wolff), que difamou de forma grosseira Ariel Sharon, deixará de ser publicada.
E a outra coluna diária, assinada por Fausto Wolff, passará a ter artigos apenas às terças, quintas e domingos. A Federação promete vigiar Wolff e o JB.