A comunidade judaica de Uganda
Por: Anna Borzello



Bem-vindos à cidadezinha de Mbale, no leste de Uganda, lar de uma pequena comunidade judaica conhecida como Abayudaya, palavra em luganda para os judeus.



Shalom – bem-vindo em hebraico – está pintada na parede da escola infantil e elementar Hadassah, quase fora de Mbale. É a única escola primária judaica no país e atende sua pequena comunidade.

Mãos ao alto!



As crianças agitam suas mãos no are m resposta à questão: "Quem aqui é judeu?" os alunos são ensinados a recitar o alfabeto hebraico e a cantar o hino nacional de israelense. "Nós os ensinamos porque todo o povo judeu está ligado com a terra de Israel", explica o diretor Aerron Kintu Moses. Música é importante para os abayudaya, que já produziram dois CDs de canções religiosas.

Guerreiro



A sinagoga, nas imediações da escola secundária Semei Kakungulu, foi construída recentemente. Kakungulu, um guerreiro, foi usado pelos britânicos para ajudar na conquista de Uganda. Ele lutou com os colonialistas, que se estabeleceram em Mbale e em 1919 converteu-se ao Judaísmo, sem nem mesmo ter encontrado um religioso sequer. Por volta do tempo de sua morte, uma década mais tarde, ele tinha 2.000 seguidores.


Preparando-se



O diretor da escola secundária prepara-se para a oração. Os abayudaya são uma minoria muito pequena e mesmo poucos ugandenses sabem que eles existem. O grupo passou também por tempos difíceis, particularmente nos anos 70, quando então o presidente Idi Amin, um muçulmano, proibiu a prática religiosa judaica. Muitos abayudaya foram convertidos ao cristianismo ou islamismo, e o número definhou para em torno de 200.



A caminho da escola




Os abayudaya estão experimentando atualmente um renascimento, com mais de 750 membros. Depois de anos ficando de fora do mapa turístico, Uganda passou a ter grandes contatos com o judaísmo internacional, particularmente dos Estados Unidos. Simpatizantes têm doado dinheiro e as instalações têm sido ampliadas. Agora, estudantes muçulmanos e cristãos caminham juntos nas exuberantes colinas verdes para freqüentar as escolas judaicas.


Conversos



A mikvê da comunidade — para o banho da purificação ritual — foi usada duplamente nos últimos três anos por rabino estrangeiros para converter oficialmente 345 abayudaya ao judaísmo, incluindo Jeje, cuja foto está aqui. O judaísmo não é uma religião evangélica; os judeus normalmente herdam a fé de suas mães. Até a cerimônia, os abayudaya ainda não eram considerados judeus aos olhos do judaísmo global.

Entrada decorada



A porta da casa de um abyudaya e decorada com símbolos religiosos e com a mezuzá – um pergaminho religioso colocado nos umbrais das portas das casas judaicas. Contatos com judeus do exterior significam que os abayudaya estão ficando mais bem informados sobre a cultura da crença judaica. E eles esperam ser melhor servidos quando o rabino deles retornar de Israel, onde — graças ao patrocínio externo — ele está freqüentando um colégio religioso.

Segurança



Vintes anos atrás crianças judias como essas, seriam ridicularizadas ou marginalizadas. Mas como a comunidade cresceu, e assim também a sua segurança. Nas palavras de um jovem: "ser chamado de judeu costumava ser um abuso. Nós sempre tínhamos receio de dizer qual a nossa religião. Mas agora se você diz que é judeu, as pessoas tomam isso como normal. E alguns até admiram você”.

* Anna Borzello é jornalista da BBC World Service na África e está baseada em Kampala, Uganda. Ela escreveu esse texto e fotografou os abayudaya para o Photo Journal do o site da BBC News, edição inglesa. O texto, no original, encontra-se em http://news.bbc.co.uk/1/shared/spl/hi/picture_gallery/05/africa_uganda0s_jewish_community/html/1.stm