Por: Antonio
Carlos Coelho
Depois de percorrermos o Bairro Judeu chegamos
ao Kotel, o Muro Ocidental. Embora nessa coluna, tenha deixado
para falar do Kotel depois de muitas edições, ele
normalmente é o primeiro local a ser visitado pelos turistas
judeus que vão a Jerusalém. O seu significado lhe
confere maior importância entre todos os outros locais de
Jerusalém e de toda Israel.
Numa grande área aberta encontramos o Muro, Muro das Lamentações
como é chamado por muitos. Prefiro chamá-lo de Kotel
ou Muro Ocidental. Essa muralha é feita de pedras e de
história. Cada pedra, em diferentes tamanhos e cortes,
denunciam os vários períodos da história
da Cidade Santa. E cada uma daquelas pedras, cada fresta, guardam
séculos de orações dirigidas a D-us pelos
judeus de todo o mundo.
O Muro é o resto do que sobrou do antigo conjunto de construções
que compunham o sagrado Templo, destruído no ano 70 pelos
romanos. Ele é parte da antiga muralha ocidental que cercava
toda a esplanada do Templo. Com a destruição e incêndio
do Templo a vida judaica ficou impraticável em Israel.
Grande parte dos judeus teve que deixar sua terra em busca de
outras, teoricamente mais seguras.
No entanto, o Kotel ficou como símbolo da presença
judaica em Israel, de uma presença que, senão física,
de memória e esperança de um dia retornar. Diariamente,
todas as orações judaicas foram e são feitas
voltadas para Jerusalém. E, por todo esse tempo, o Muro
esteve lá, como símbolo do acolhimento de todas
a preces, das alegrias e tristezas do povo judeu.
Entre as milhares de fotos feitas do Muro Ocidental, há
uma de que gosto especialmente. É aquela dos três
jovens soldados olhando para o Kotel no dia da reconquista da
Cidade. O olhar dos soldados traduz a vitória, a recuperação
de séculos de separação imposta aos judeus.
È uma pena que os profetas, os filósofos, os poetas
não viveram para ver os três soldados, ou, talvez,
os três anjos anunciadores do novo tempo, onde não
se lamenta mais por Jerusalém, e que cada judeu pode olhar
para a Cidade com a certeza de que há um lugar onde é
possível viver intensamente toda história, tradição
e fé dos seus pais.