Visão Judaica - Edição N° 18
:. Turismo - Jerusalém 6 - Bairro Judeu 4.:

Por: Antonio Carlos Coelho

Depois de percorrermos o Bairro Judeu chegamos ao Kotel, o Muro Ocidental. Embora nessa coluna, tenha deixado para falar do Kotel depois de muitas edições, ele normalmente é o primeiro local a ser visitado pelos turistas judeus que vão a Jerusalém. O seu significado lhe confere maior importância entre todos os outros locais de Jerusalém e de toda Israel.
Numa grande área aberta encontramos o Muro, Muro das Lamentações como é chamado por muitos. Prefiro chamá-lo de Kotel ou Muro Ocidental. Essa muralha é feita de pedras e de história. Cada pedra, em diferentes tamanhos e cortes, denunciam os vários períodos da história da Cidade Santa. E cada uma daquelas pedras, cada fresta, guardam séculos de orações dirigidas a D-us pelos judeus de todo o mundo.
O Muro é o resto do que sobrou do antigo conjunto de construções que compunham o sagrado Templo, destruído no ano 70 pelos romanos. Ele é parte da antiga muralha ocidental que cercava toda a esplanada do Templo. Com a destruição e incêndio do Templo a vida judaica ficou impraticável em Israel. Grande parte dos judeus teve que deixar sua terra em busca de outras, teoricamente mais seguras.
No entanto, o Kotel ficou como símbolo da presença judaica em Israel, de uma presença que, senão física, de memória e esperança de um dia retornar. Diariamente, todas as orações judaicas foram e são feitas voltadas para Jerusalém. E, por todo esse tempo, o Muro esteve lá, como símbolo do acolhimento de todas a preces, das alegrias e tristezas do povo judeu.
Entre as milhares de fotos feitas do Muro Ocidental, há uma de que gosto especialmente. É aquela dos três jovens soldados olhando para o Kotel no dia da reconquista da Cidade. O olhar dos soldados traduz a vitória, a recuperação de séculos de separação imposta aos judeus. È uma pena que os profetas, os filósofos, os poetas não viveram para ver os três soldados, ou, talvez, os três anjos anunciadores do novo tempo, onde não se lamenta mais por Jerusalém, e que cada judeu pode olhar para a Cidade com a certeza de que há um lugar onde é possível viver intensamente toda história, tradição e fé dos seus pais.

 

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