Visão Judaica - Edição N° 19
:.O leitor escreve .:

Resposta a Saramago

Ao jornal Visão Judaica:

Não tendo tido acesso ao texto de Saramago na íntegra, senão apenas ao que foi publicado pelo jornal "O Globo", posso apenas referir-me ao que li e lamentar as atrocidades verbais ali contidas. Israel não espera demonstrações de simpatia por parte de uma pessoa que nos compara aos nazistas. Nazistas não podem receber e tampouco merecerem nenhuma simpatia. Recomendo ao ilustre escritor ler um artigo, bastante curto, de um escritor israelense, Ephraim Kishon, publicado após a guerra de 1967, intitulado "Como perdemos a simpatia mundial". Neste artigo, hipoteticamente Kishon descreve, de maneira humorística, como Estado de Israel perdeu a guerra, foi destruído (como prometido pelos líderes árabes naquela ocasião), recebendo os sobreviventes enorme simpatia e muito pouca ajuda. Mas, ao contrário, ganhamos a guerra, não fomos destruídos, entretanto perdemos a simpatia mundial. Israel tem todo o direito de se proteger e lutar contra terroristas que declaram, uma vez e outra, abertamente, que o seu único objetivo é a destruição do Estado de Israel.
Para uma pessoa como o sr. Saramago, que não vê diferença entre um campo de concentração e a cidade de Ramallah, não há necessidade de confundir-lhe com os fatos. Não importa para ele, por exemplo, que Ramallah, como toda a Autoridade Palestina, estava prosperando economicamente, com um índice anual de crescimento de 9.2%, segundo estatísticas do Banco Mundial, até que Arafat decidiu abrir a guerra de terror contra Israel, em setembro de 2000. Não importa para o sr. Saramago, que os palestinos podiam ter tido o seu estado independente durante 20 anos, de 1947 a 1967. Entretanto preferiram montar uma organização denominada Organização de Libertação da Palestina, cujo objetivo declarado não era o de construir seu país, mas sim o de destruir o Estado de Israel. No momento em que a OLP declarou seu desejo de paz e uma convivência pacífica, encontrou, por parte de Israel, a vontade de deixar os territórios, numa clara demonstração de que desejava também, mais do que nunca, a paz.
Arafat, após estabelecer a Autoridade Palestina, fez entrar o seu exército de 40 mil homens em Israel, demonstrando que ao invés de construir um estado, estava construindo uma máquina do terror, a qual estaria sob sua proteção e ajuda. Arafat negou o seu primeiro compromisso - deixar o caminho do terror e de não permitir mais atos de terror. Não vou entrar em uma discussão para contradizer todos os argumentos de Saramago. Para ele, um grupo bem armado, organizado e financiado, que quer matar o máximo de pessoas, não é considerado um grupo terrorista, não tendo Israel o direito de lutar contra ele, senão sentar tranqüilo e esperar pela próxima bomba. Há uma lição que tiramos do Holocausto - a de não contarmos com a simpatia dos outros para sobrevivermos e levarmos a sempre a sério quando alguém nos diz que quer nos matar. Se o sr. Saramago quer conhecer melhor o espírito nazista, não precisa ir longe, basta passar um tempo nos campos de férias na Faixa de Gaza, onde se ensinam as crianças como devem matar judeus, todos os judeus e liquidar o usurpador estado sionista.
Prefiro viver sem a simpatia do sr. Saramago, mas viver.

Daniel Gazit
Embaixador de Israel no Brasil
Brasília - DF

Saramago e o Holocausto

Senhor diretor:

Como sobrevivente do nazismo - passei cinco anos e meio em campos de concentração -, não posso ficar calado diante das acusações de José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, de que "os judeus vivem à custa do Holocausto". Tendo presenciado as atrocidades cometidas e perdido minha família pela fúria nazista, quero acreditar que o seu ponto de vista seja fruto de ingenuidade, influenciado pela propaganda antijudaica, e não uma 'desonestidade intelectual' que poria em dúvida o merecimento da mais alta láurea da literatura a ele concedida. Para nós, judeus, a lembrança do Holocausto não é a procura da piedade do mundo, que ficou inerte quando milhões de seres humanos foram assassinados, mas sim demonstrar a necessidade de uma pátria, Israel, cuja existência naquela negra época teria evitado o extermínio de um terço do nosso povo.

Ben Abraham
Presidente da Sherit Hapleitá do Brasil e vice-presidente da Associação Mundial dos Sobreviventes do Nazismo, São Paulo - SP

Intercâmbio


Senhores editores:

Moro nos Estados Unidos na cidade de Fort Myers, Flórida e gostaria de manter contato com pessoas que queiram trocar idéias sobre o judasimo. Além disso gostaria de saber se é possível receber revistas com informaçòes sobre o judaismo no Brasil. Minha caixa postal é P.O.Box 6698 Fort Myers - Florida - Estados Unidos. Zip: 33911

Shlomo ben Avraham (Sergio Salomon)
Fort Myers, Flória, EUA



Memória dos 65 anos - Kristallnacht

Prezados Amigos da Visão Judaica,

Traduzimos um texto escrito pelas nossas Irmãs em Canaã, na Alemanha, para divulgar em grande escala, a memória do terrível evento que marcou o início do Holocausto, o Kristallnacht, há 65 anos atrás. Realizamos um encontro no domingo, dia 9 de novembro, para conservar viva a memória do que ocorreu nos corações dos alemães e do mundo.
A escritora Christa Wolf disse: "O passado não está morto, ele nem mesmo passou" - 9 de novembro de 1938 - 9 de novembro de 2003. Somente 65 anos depois - tudo começa novamente.
O ataque intencional com explosivos contra a sinagoga em construção em Munique, na Alemanha, marcado para o dia 9 de novembro, fala uma linguagem fortíssima.
Escondido atrás do nome "noite de cristais", o pogrom sangrento de 9 de novembro de 1938, na realidade, iniciou o massacre de 6 milhões de judeus. Por que ninguém se preocupou em auxiliá-los? Por que ninguém se posicionou a favor deles?
Nós lamentamos - a indiferença dos cristãos em nosso país, quando as sinagogas foram destruídas e incendiadas.
Nós lamentamos - que apenas poucos cristãos ficaram ao lado dos nossos irmãos e irmãs judeus na hora de sua maior necessidade.
Nós lamentamos - os preconceitos, o racismo e a propaganda de ódio - o que levou muitas pessoas a consentirem na perseguição dos judeus no Terceiro Reich - concordância passiva e ativa. Confessamos esta culpa dos nossos pais.
Há poucos anos, começou novamente uma onda de anti-semitismo, a pior desde o terrível massacre dos seis milhões em campos de extermínio. A reportagem distorcida e unilateral da mídia sobre o Oriente Médio é largamente aceita, sem nenhuma averigüação, e dessa maneira está sendo preparado o terreno para uma ideologia de ódio. E nós, cristãos, geralmente reagimos com indiferença.
Hoje judeus em todo o mundo estão sendo atacados, perseguidos, assassinados...
Lamentamos, cheios de pesar, que também em nosso povo e em nosso país, se manifesta uma atitude anti-judaica, e judeus se sentem novamente ameaçados e com medo.
Nós rogamos ao Todo-Poderoso por perdão e misericórdia, e pela proteção do Seu Povo da Aliança, em Israel e no mundo todo.
Desejamos usar estes dias e fazer todo o possível para evitar uma repetição do passado.
Israel - você não está só!
Irmandade Evangélica de Maria, de Kanaan em Darmstadt, Alemanha e Beth Avraham em Jerusalém
Irmãs Adola e Nechama
Irmandade Evangélica de Maria em Curitiba
Curitiba - PR


Arquitetura e Judaísmo
Prezados Amigos:
Andei silencioso e faz tempo não escrevo para o Visão Judaica. É que estive no Brasil, mas infelizmente não pude ir a Curitiba.
A proposito disso, reparei que nos últimos números apareceram matérias sobre o livro de Bruno Zevi "Arquitetura e Judaismo" e sua edição brasileira a cargo de Anat Falbel. Sobre isso, parece que esqueceram que meses atrás eu próprio havia escrito uma resenha sobre o mesmo, que foi regularmente publicada na "Visão Judaica" número 11, de março de 2003.
Com um cordial Shalom.

Vittorio Corinaldi
Tel Aviv, Israel



Boicote trabalha em ambos sentidos

Ao jornal:

Semanas atrás a Alemanha anunciou sua decisão de paralisar as vendas de armas para Israel. Desde então outros países seguiram o mesmo. Em retaliação, Israel cancelou seu contrato anual multimilionário em dólar para compra de ônibus das linhas nacionais Dan fabricados na Alemanha. Israel está procurando por outros fornecedores de ônibus nos Estados Unidos e no Japão.
Os europeus e os seus aliados muçulmanos devem entender que boicotes trabalham ambos os sentidos. Quando nós falamos "Nunca Novamente", nós queremos dizer exatamente isto. Mas a Europa ainda está presa à mentalidade de 1933 e condicionada a pensar em judeus como entidades indefesas. Só que a realidade é muito diferente. Enquanto a Europa aderir e apoiar seu primitivo culto de morte da Idade Média, produtos europeus, devem ficar fora dos limites.
Eu apoio e continuo pedindo um boicote completo de viagens e produtos dos seguintes países: França, Bélgica, Espanha, Alemanha, Suécia, Suíça, Noruega, Dinamarca, Holanda e China devido ao seu apoio, patrocínio, e até participação de em/ou ataques terroristas. O registro da votação dos países anteriormente citados na ONU abertamente endossa terror palestino.
Lembrem-se de que toda vez que comprarem uma garrafa de Evian, um produto da Karlsberg, um melão espanhol, um chocolate da Godiva, um batom Dior, uma bolsa Gucci, ou um utensílio de cozinha alemão, vocês estarão financiando o próximo homem-bomba assassino em Israel.
A União Européia dá mais de US$ 10 milhões por mês para a Autoridade Palestina, sabendo que o dinheiro é completamente destinado ao treinamento de terroristas muçulmanos e à compra e importação de armas para o assassinato de massa de civis inocentes. É por isso que encorajo e peço a todos para comprar produtos canadenses, americanos e israelenses ao invés dos países mencionados.
Compre Estee Lauder ou Ahava em vez de Chanel, Dior, e YSL. Conte aos vendedores o porquê. Oriente seus parentes e amigos quando fizerem compras.
A Europa está subscrevendo a guerra para exterminar o estado judeu. Não permita que possa acontecer. Faça sua voz ser ouvida e deixe que
sintam isso inclusive não comprando os livros de bolso deles. Deixe os europeus saberem que apoiando terror não terão seu dinheiro.

Jerry Flamembaum
Hartford, Connecticut - EUA
Carta Aberta

Caros amigos:

Todos nós que trabalhamos para a comunidade somos voluntários. Eu classifico o voluntário de três tipos:
1. O efêmero, que se oferece para executar um determinado serviço, faz e desaparece.
2. O temporário, que trabalha com diretor da sociedade por um ou dois anos e se afasta.
3. O perene, que trabalha 10, 20 anos ou mais e geralmente não reclama.
Nossa família no mês de outubro perdeu uma pessoa muito querida, Sara Bromfman Mohrer.
Nessa hora, quando os parentes mais próximos estão chocados, apela-se para uma pessoa que resolve todos os problemas burocráticos para o sepultamento. Refiro-me a Jaime Nudelman, que é um VOLUNTÁRIO perene. E ele é um voluntário com letras maiúsculas.
Constatado o óbito de minha irmã, telefonei para o Jaime e ele me respondeu: estou pronto, pode vir me buscar. Em menos de 10 minutos, cheguei e o Jaime já estava no portão me esperando.
Fomos ao hospital apanhar a documentação, atestado de óbito etc e rapidamente tudo foi resolvido. Pelo celular chamou as senhoras que ajudam nestas horas e são excelentes voluntárias.
Não há quem no nosso ishuv desconheça o Jaime. Prestativo, educado, ético e pessoa agradável. Acredito que ele nem avalia o bem que está fazendo para a família enlutada.
Cada atendimento é uma mitzva.
Quero em meu nome e de nossa família agradecer esta dedicação carinhosa e cumprimentar o ishuv que tem a sorte de sempre poder contar com a sua colaboração.
Desejamos ao Jaime Nudelman, esposa, filhos e netos, muitos anos de vida com saúde e paz. Recebam um grande abraço do amigo.

Moyses Bromfman
Curitiba - PR

 

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