Por: Herman
Glanz *
O líder sionista Zeev Jabotinsky,
em seu último livro, de 1940, pouco antes de morrer, escreveu
que o "ódio aos judeus é o que azeita a propaganda
política pelo desenvolvimento e progresso", referindo-se
ao que estava sendo feito pelo nazi-fascismo de então.
Se atentarmos para esse fato, veremos que tinha razão.
Jabotinsky: lembra-nos, entre outros casos, o do ex-presidente
do Brasil, Collor, que se elegeu pregando o ódio aos marajás.
Jabotinsky dizia que a propaganda com amor não vinga; o
que seduz as massas é o ódio, que fez rolar as cabeças,
literalmente, na Revolução Francesa e da aristocracia
na Revolução Russa, dos judeus nos diversos pogroms
e em outras revoltas. O terrorista Yasser Arafat explora o ódio
aos judeus para levantar suas massas e alcançar os seus
objetivos de "progresso" para os palestinos - construir
um Estado palestino sobre os escombros do Estado de Israel. O
ódio aos judeus é ensinado às crianças
nas escolas palestinas.
Nota-se, ainda, a formação de uma cultura anti-Israel,
explorando o ódio que se assenta no anti-semitismo antigo.
Os meios de comunicação, no mundo inteiro, informam
de maneira tendenciosa, sempre contra Israel. Se dermos uma olhada
na Enciclopédia Encarta, encontraremos o vocábulo
"Palestina, região histórica, cuja extensão
passou por grandes transformações, desde a antiguidade,
(...). Atualmente é dividida (...) entre Israel, os territórios
independentes palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza
e a Jordânia". Palestina desde a antiguidade, esse
é o nome romano do Estado judeu? Territórios independentes
palestinos? A Encarta já criou o Estado palestino e a gente
não sabia? Para que o Roadmap? Prossegue o verbete da enciclopédia
falando dos cananeus, que ali se estabeleceram três mil
anos a.C, etc. O aluno que estuda e consulta a enciclopédia
fica sabendo que a Palestina sempre existiu e não que é
um nome mais recente do Estado judeu, inventado pelos romanos,
fato só encontrado na enciclopédia como pequeno
detalhe, se lido o extenso texto. Outros meios de comunicação
falam em território árabe ocupado por Israel, quando
se dá exatamente o contrário (aliás, a edição
de 1994 da Encarta, falava em territórios ocupados por
Israel). Assim, o ódio se espalha: esses israelenses ocupam
o território palestino... e o associa ao palestino de hoje,
que é a tônica da propaganda de Arafat. Lembremos
que não havia palestinos depois que Israel foi criado:
havia egípcios em Gaza e jordanianos na Cisjordânia.
Hoje presenciamos mais uma forma da propaganda para seduzir as
massas com fins políticos, pregando o ódio aos americanos,
associado ao ódio aos judeus. Afinal, o ódio é
que conta, pois a América é a superpotência
mundial, e é associada a todos os males e sofrimentos dos
subdesenvolvidos e daqueles que pretendem ocupar os espaços
do poder, como a França, que pretende retomar o poderio
dos seus tempos de imperialismo.
As tentativas de um acordo de paz que permita a convivência
pacífica de árabes com os israelenses têm
sido infrutíferas porque os líderes árabes
têm-se mostrado contrários à presença
de um Estado não muçulmano junto aos demais países
árabes no Oriente Médio. Quando foi lançado
o tal Roteiro da Paz, o Roadmap, dissemos, lembrando de Chico
Buarque: "Já conheço os passos dessa estrada,
sei que não vai dar em nada...". Esse Roadmap foi
preparado, sem o conhecimento prévio de Israel, sob a inspiração
da Arábia Saudita, por um Quarteto - que, além dos
Estados Unidos, inclui a União Européia, Rússia
e a ONU, cujos dirigentes sempre hostilizaram o Estado de Israel.
Apesar do Roadmap exigir que a Autoridade Palestina desmantele
a sua estrutura de terror, pois esse terror palestino é
o grande exportador do terror mundial, o Quarteto tem dado mostras
de permitir aos palestinos não cumprir a sua parte. E para
isso, também contribuem os meios de comunicação.
Quando Israel constrói um muro divisório para vedar
a entrada de terroristas palestinos, informam que essa construção
contraria o Roadmap. Mas quando um suicida-homicida mata dezenas
de israelenses, nada é informado que contraria o Roadmap.
Assim se forma uma opinião mundial contrária a Israel,
que até seduz um segmento que se autodenomina progressista,
talvez suicida às avessas. Vive-se um estado de guerra.
E para estado de guerra é preciso reagir contra a guerra.
Os Estados Unidos, devido ao ataque de 11 de setembro de 2001,
fizeram a guerra contra o Afeganistão e contra o Iraque,
nesse último caso sem o consentimento da ONU. Israel está
sendo atacado diariamente e tenta acreditar em esforços
de paz, que só fizeram mais israelenses morrerem. Lembremo-nos
dos Acordos de Oslo, hoje completamente mortos, apesar do mesmo
grupo inspirador tentar uma nova versão, para matar mais
israelenses. Custou muito aceitar que Arafat não quer a
paz e parece que seu reinado está chegando ao fim. Farouk
Khadoumi, chefe do Departamento Político da OLP e Ministro
do Exterior, de facto, da Autoridade Palestina, e chefe da delegação
palestina na Organização da Conferência Islâmica,
reunida agora na Malásia, declara que a luta armada é
uma obrigação, como única solução
do conflito israelo-palestino, contando com o apoio da Carta das
Nações Unidas, pois não é terror,
mas luta pela libertação. Portanto, enquanto Israel
não responder à guerra não se chegará
ao fim do terror palestino e à construção
de uma nova era de paz. A paz só se consegue preparando
corações e mentes. Com o ódio instilado pela
propaganda será difícil a paz. Para declarar guerra,
basta um dos lados atacar. Para fazer a paz é preciso a
vontade dos dois lados. E Arafat, decididamente, não quer
paz.
* Herman Glanz é
presidente do Likud no Rio de Janeiro. Foi um dos fundadores e
ex-presidente do Grupo Universitário Hebraico do Brasil.
Foi Diretor da FIERJ, vice-presidente da Organização
Sionista do Rio de Janeiro e do Brasil. É Secretário
do Comitê Eleitoral Regional da Organização
Sionista do Brasil e 1º Secretário da Chevrá
Kadishá do Rio de Janeiro