Visão Judaica - Edição N° 19
:.Arafat ganha. O quê? Guerrilha em casa .:

Por: Nahum Sirotsky *

De Israel - A constituição do novo governo palestino, chefiado por Abu Ala, tem significados escondidos que, no prazo, são mais importantes do que os óbvios. Para todos os efeitos, Abu Ala se dobrou à vontade de Yasser Arafat, que provou aos americanos e israelenses que é relevante e nada se fará sem que ele decida. Arafat disse à Abu Ala quem ele queria nos ministérios. E sua foi a palavra final. Ganhou. Mas, o quê?
O novo ministério pode desagradar americanos e palestinos. E congelar o processo de paz, o chamado "roadmap", o roteiro da paz, no ponto que está e que não representa avanço algum. Arafat não terá apressado a retomada de negociações. Não parece provável, hoje, não haja um estado palestino interino até o fim do ano como previsto no roteiro aprovado pela Rússia, Estados Unidos, ONU e União Européia, o "roadmap". No médio prazo, a derrota dos candidatos de Abu Ala ao ministério significa que não há personalidade alguma com suficientes apoios para liderar os palestinos. Arafat não é imortal. A imposição de seus favoritos para o gabinete de Abu Ala sinaliza que ele é o único fator de consenso entre os palestinos. Nenhum outro líder pode contar com suficiente apoio político. Se algo acontecer com Arafat o lugar dele será disputado a bala. Será uma guerra civil.
Imagino, sem afirmar, pois de ninguém ouvi, que o governo Abu Ala não irá longe em suas negociações com os israelenses. Sharon mantém sua exigência de que o chefe do governo palestino desmonte as organizações extremistas. E os palestinos a de que os israelenses desmanchem os assentamentos de seus colonos na Judéia e Samária, o que chamam de territórios ocupados. Lado algum fez coisa alguma a não ser falar. O quadro favorece a intensificação do conflito. Deve acontecer a qualquer momento.
Há grande movimento em torno dos atentados na Arábia Saudita. Morreram até agora menos de vinte pessoas. Vieram manifestações de apoio moral à monarquia saudita. Os americanos prometem ajudar na luta aos terroristas, que atacaram um país árabe em pleno mês de Ramadan, o mais sagrado deles todos. Foram grupos vinculados a organização Al Qaeda. Espera-se mais ataques. O Al Qaeda está dizendo à monarquia saudita que seu fim se aproxima e, contrário ao que se anuncia, não é pecado operar obra dele, Alá, em época alguma. O ataque dos terroristas a Ryad pretendeu sinalizar o começo da purificação do que é um reino que Bin Laden considera corrupto e impuro. Toda a região se instabiliza. Não é impossível a queda dos Ibn Saud e ascensão de sistema efetivamente puritano.
O Iraque entra na sua pior fase. Os generais americanos declararam que têm todo o necessário para dominar a situação pelas armas. Mas preferem que sejam suspensos os ataques aos soldados americanos ou eles engrossarão.
O Iraque está entre a opção por ações e força, muita força, para ganhar. A crise do Iraque, de Israel, a reorganização da guerrilha do Afeganistão com agressividade é coisa séria. É muita gente se reorganizando para a luta.
Este tipo de coisa é contagioso. Na minha opinião o comando militar brasileiro, deveria examinar melhor as fontes da nova agressividade dos bandidos no país. Eles jamais foram tão agressivos e audaciosos. Deve existir ligação entre eles e os grupos guerrilheiros. Não adianta autoridade dizer que é tática infantil. É tática guerrilheira que pode agitar o país inteiro. Tem de ser parada.
O terrorismo se espalha cada vez mais. Não vamos permitir que assuma o controle de nossas vidas.

* Nahum Sirotsky é jornalista, correspondente da RBS em Israel e colunista do Último Segundo/IG. A publicação desta coluna tem a autorização do autor

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