Por:
Eric Hoffer *
Os judeus são
um povo peculiar - coisas permitidas a outros povos lhes são
proibidas.
Outros países expulsam milhares, até mesmo milhões
de pessoas, e neles inexiste o problema de refugiados. A Rússia
agiu dessa forma e a Polônia e Checoslováquia fizeram
o mesmo. A Turquia enxotou um milhão de gregos, enquanto
um milhão de franceses foram expulsos pela Argélia.
A Indonésia expulsou, só D-us sabe quantos chineses
- e ninguém proferiu uma palavra sequer sobre os refugiados.
Mas, no caso de Israel, os árabes que a deixaram tornaram-se
"os eternos refugiados". E todos insistem em que Israel
tem que aceitar de volta, um por um, todos esses árabes.
Arnold Toynbee considera o deslocamento dos árabes uma
atrocidade maior do que a cometida pelos nazistas. Outros povos,
quando vitoriosos no campo de batalha, ditam os termos da paz.
Mas quando o vencedor é Israel, este país precisa
mover uma ação judicial para usufruir dessa paz.
Todos esperam que os judeus sejam os únicos cristãos
autênticos no mundo. Outros povos, quando derrotados, sobrevivem
e se recuperam, mas se Israel for derrotado, será, certamente,
destruído. Tivesse Nasser triunfado em junho passado (1967),
Israel teria sido varrido do mapa sem que ninguém tivesse
movido uma palha sequer para salvar seu povo. Nenhum compromisso
selado com os judeus, independentemente de quem seja a contraparte
- nem mesmo se for o nosso país (EUA) - vale sequer o papel
no qual está escrito.
Há um clamor desenfreado, mundo afora, quando morrem pessoas
no Vietnã ou quando dois negros são executados na
Rodésia. Mas quando Hitler assassinou friamente os judeus,
não se ouviu protesto algum contra ele. Os suecos, que
estão a ponto de romper relações diplomáticas
com os Estados Unidos em virtude de nossas ações
no Vietnã, não deram um pio sequer enquanto Hitler
matava os judeus. Pelo contrário, enviaram-lhe minério
de ferro de primeira e rolamentos de esfera para mancais, além
de fazer a manutenção dos trens com as tropas nazistas
a caminho da Noruega.
Os judeus estão sós no mundo. Se Israel sobreviver,
será única e exclusivamente graças ao empenho
dos judeus. E graças a seus recursos pessoais. E, apesar
disso, neste momento, Israel é nosso único aliado
confiável e incondicional. Podemos confiar mais em Israel
do que Israel em nós. E basta apenas imaginar o que teria
acontecido no verão passado tivessem os árabes -
e os russos que os apóiam - vencido a guerra, para entender
o quão vital a sobrevivência de Israel é para
os Estados Unidos e para o Ocidente, de modo geral.
Tenho uma premonição que não me sai da cabeça:
a sorte que tocar a Israel, tocará a nós. Se Israel
sucumbir, o Holocausto, desta vez, cairá sobre nossa cabeça.
* Eric Hoffer escreveu
este artigo em junho de 1968. Mal dá para crer... há
35 anos atrás, mas ele continua muito atual. Hoffer, um
filósofo social americano, não judeu, nasceu em
1902 e faleceu em 1983, deixando nove livros publicados. Foi agraciado
com a "Medalha Presidencial da Liberdade". Seu primeiro
livro, "The True Believer" (O verdadeiro crente), publicado
em 1951, foi mundialmente aclamado como um clássico.