Visão Judaica - Edição N° 19
:.A BBC pode operar responsávelmente? .:

 

Por:Daniel Seaman *

As reações da mídia sobre a decisão de Israel reavaliar suas relações com a BBC tenderam a ignorar as razões pelas quais ela foi tomada.
Enquanto os méritos da decisão podem ser discutidos, qualquer avaliação das reclamações de Israel deveria estar baseada no fato da BBC adotar ou não padrões universais de ética jornalística. Em resumo: a cobertura da BBC sobre Israel passa pelos testes de integridade, imparcialidade, honestidade e precisão?
Reciclar maliciosas falsidades que foram documentadas e independentemente contestadas são medidas claras da falta de integridade.
Meses depois que uma investigação da ONU concluiu não haver nenhuma evidência de um massacre em Jenin, o noticiário da BBC e o website da BBC ainda insinuavam dúvidas sobre o que realmente aconteceu. Em um programa recente, novamente foram levantadas alegações sobre o uso por Israel de "um gás misterioso" em Gaza, enquanto se ignorava o fato de que os peritos médicos já haviam refutado esse trote há mais de dois anos atrás.
Adotar a narrativa e a terminologia de só um dos lados de um conflito não é imparcialidade. A BBC sai de seu rumo quando se refere ao Monte do Templo como "Haram al-Sharif", forma que os árabes o chamam, implicando isso numa reivindicação ao local. Isto em si próprio não é um problema - exceto pelo fato de que a mesma consideração não é estendida a Israel. A Margem Ocidental nunca é "conhecida pelos judeus como Judéia e Samária".
A BBC vai tão longe que para favorecer a organização terrorista Hezbollah, quando descreve a fronteira israelense-libanesa reconhecida pela ONU como sendo território "disputado". De forma similar, colônias israelenses são "ilegais" e os territórios "ocupados" ao invés de disputados.
Ao objetar a credibilidade das fontes, insinuando dúvidas, questionando e impondo condições, se está sendo insincero, especialmente quando se aplica isso a um só dos lados da questão. Fontes israelenses referidas pela BBC quase sempre "alegam", enquanto que as palestinas "relatam". Quando uma evidência forte é apresentada por Israel, como a fotografia de uma criança palestina vestida como um homem-bomba, sua autenticidade é questionada. Já quando são citados os palestinos, literalmente apresentam as mais absurdas acusações contra Israel.
O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon é freqüentemente designado pelo adjetivo militante "da extrema direita" ou "ex-general", algo que quase nunca é feito ao descrever um líder palestino.
Aqueles que trabalham em televisão estão sutilmente atentos a como algo é dito ou o que é mostrado pode ser muito mais importante ao criar e solidificar uma imagem alterando o conteúdo atual. Com relação a isto a posição israelense sofre repetidamente no tratamento que a BBC dá às matérias regionais, um fato de imediato demonstrado em qualquer análise objetiva de seus arquivos de videoteipe. O uso dos ângulos câmeras, câmeras escondidas, técnicas cinematográficas de insinuação e alusão, entonação - até mesmo perguntas retóricas - podem criar uma imagem sinistra, ou até mesmo diabólica de um entrevistado, infundir dúvidas em seu ponto de vista e levantar preocupações não oficiais sobre seu caráter e intenções.
Além disso a posição de Israel tem repetidamente sofrido quando o foco mostrado é somente sobre aqueles pontos que apóiam uma visão particular. Informações contrárias são omitidas de forma que só possa ser considerada como conhecida àquela deliberada.
Tal tratamento nas edições sobre o altamente complexo Oriente Médio não representam "crítica legítima". Não há uma objetividade tentando expor a verdade, mas difamação buscando criar prejuízo. Este tipo de reportagem não requer uma resposta oficial israelense, ela exige uma defesa legal. Para discutir ou debater tais acusações sem fundamento só concedendo-lhes credibilidade.
No passado, a difamação de Israel era impecavelmente embalada na reivindicação de que Israel deve manter um "alto padrão". Tal pretensão agora evoluiu para um "jornalismo criativo", no qual todos os meios são justificados para descrever Israel como uma sociedade sinistra, cuja arrogância e total indiferença pelas leis internacionais são a real ameaça à estabilidade e à paz mundial.
Assim, a BBC pode traçar uma equivalência moral entre os assassinatos premeditados de homens, mulheres e crianças inocentes em Israel pelos palestinos e seus partidários e as justificáveis ações de autodefesa de Israel.
Criticar as políticas de Israel é uma prerrogativa da BBC. Entretanto, um acúmulo de queixas por vários anos nos leva a acreditar que a BBC cruzou a linha da crítica válida para a difamação e a demonização do Estado de Israel para uma tal extensão como a fronteira da deslegitimização da própria nação. Como causa imediata desse incitamento e de tal tratamento, aumentam os atos de anti-semitismo e violência contra israelenses e judeus em todo mundo.
A BBC pode continuar a operar livremente em Israel. Israel é uma democracia aberta que abraça a liberdade de imprensa. Mas somente quando essa rede corporativa reconhecer sua responsabilidade em prover os espectadores e ouvintes com informes honestos, equilibrados e factuais dos eventos no Oriente Médio, o Governo de Israel irá restabelecer uma cooperação sincera.

* Daniel Seaman dirige a Secretaria de Imprensa do Governo de Israel

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