Por:Daniel
Seaman *
As reações
da mídia sobre a decisão de Israel reavaliar suas
relações com a BBC tenderam a ignorar as razões
pelas quais ela foi tomada.
Enquanto os méritos da decisão podem ser discutidos,
qualquer avaliação das reclamações
de Israel deveria estar baseada no fato da BBC adotar ou não
padrões universais de ética jornalística.
Em resumo: a cobertura da BBC sobre Israel passa pelos testes
de integridade, imparcialidade, honestidade e precisão?
Reciclar maliciosas falsidades que foram documentadas e independentemente
contestadas são medidas claras da falta de integridade.
Meses depois que uma investigação da ONU concluiu
não haver nenhuma evidência de um massacre em Jenin,
o noticiário da BBC e o website da BBC ainda insinuavam
dúvidas sobre o que realmente aconteceu. Em um programa
recente, novamente foram levantadas alegações sobre
o uso por Israel de "um gás misterioso" em Gaza,
enquanto se ignorava o fato de que os peritos médicos já
haviam refutado esse trote há mais de dois anos atrás.
Adotar a narrativa e a terminologia de só um dos lados
de um conflito não é imparcialidade. A BBC sai de
seu rumo quando se refere ao Monte do Templo como "Haram
al-Sharif", forma que os árabes o chamam, implicando
isso numa reivindicação ao local. Isto em si próprio
não é um problema - exceto pelo fato de que a mesma
consideração não é estendida a Israel.
A Margem Ocidental nunca é "conhecida pelos judeus
como Judéia e Samária".
A BBC vai tão longe que para favorecer a organização
terrorista Hezbollah, quando descreve a fronteira israelense-libanesa
reconhecida pela ONU como sendo território "disputado".
De forma similar, colônias israelenses são "ilegais"
e os territórios "ocupados" ao invés de
disputados.
Ao objetar a credibilidade das fontes, insinuando dúvidas,
questionando e impondo condições, se está
sendo insincero, especialmente quando se aplica isso a um só
dos lados da questão. Fontes israelenses referidas pela
BBC quase sempre "alegam", enquanto que as palestinas
"relatam". Quando uma evidência forte é
apresentada por Israel, como a fotografia de uma criança
palestina vestida como um homem-bomba, sua autenticidade é
questionada. Já quando são citados os palestinos,
literalmente apresentam as mais absurdas acusações
contra Israel.
O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon é freqüentemente
designado pelo adjetivo militante "da extrema direita"
ou "ex-general", algo que quase nunca é feito
ao descrever um líder palestino.
Aqueles que trabalham em televisão estão sutilmente
atentos a como algo é dito ou o que é mostrado pode
ser muito mais importante ao criar e solidificar uma imagem alterando
o conteúdo atual. Com relação a isto a posição
israelense sofre repetidamente no tratamento que a BBC dá
às matérias regionais, um fato de imediato demonstrado
em qualquer análise objetiva de seus arquivos de videoteipe.
O uso dos ângulos câmeras, câmeras escondidas,
técnicas cinematográficas de insinuação
e alusão, entonação - até mesmo perguntas
retóricas - podem criar uma imagem sinistra, ou até
mesmo diabólica de um entrevistado, infundir dúvidas
em seu ponto de vista e levantar preocupações não
oficiais sobre seu caráter e intenções.
Além disso a posição de Israel tem repetidamente
sofrido quando o foco mostrado é somente sobre aqueles
pontos que apóiam uma visão particular. Informações
contrárias são omitidas de forma que só possa
ser considerada como conhecida àquela deliberada.
Tal tratamento nas edições sobre o altamente complexo
Oriente Médio não representam "crítica
legítima". Não há uma objetividade tentando
expor a verdade, mas difamação buscando criar prejuízo.
Este tipo de reportagem não requer uma resposta oficial
israelense, ela exige uma defesa legal. Para discutir ou debater
tais acusações sem fundamento só concedendo-lhes
credibilidade.
No passado, a difamação de Israel era impecavelmente
embalada na reivindicação de que Israel deve manter
um "alto padrão". Tal pretensão agora
evoluiu para um "jornalismo criativo", no qual todos
os meios são justificados para descrever Israel como uma
sociedade sinistra, cuja arrogância e total indiferença
pelas leis internacionais são a real ameaça à
estabilidade e à paz mundial.
Assim, a BBC pode traçar uma equivalência moral entre
os assassinatos premeditados de homens, mulheres e crianças
inocentes em Israel pelos palestinos e seus partidários
e as justificáveis ações de autodefesa de
Israel.
Criticar as políticas de Israel é uma prerrogativa
da BBC. Entretanto, um acúmulo de queixas por vários
anos nos leva a acreditar que a BBC cruzou a linha da crítica
válida para a difamação e a demonização
do Estado de Israel para uma tal extensão como a fronteira
da deslegitimização da própria nação.
Como causa imediata desse incitamento e de tal tratamento, aumentam
os atos de anti-semitismo e violência contra israelenses
e judeus em todo mundo.
A BBC pode continuar a operar livremente em Israel. Israel é
uma democracia aberta que abraça a liberdade de imprensa.
Mas somente quando essa rede corporativa reconhecer sua responsabilidade
em prover os espectadores e ouvintes com informes honestos, equilibrados
e factuais dos eventos no Oriente Médio, o Governo de Israel
irá restabelecer uma cooperação sincera.
* Daniel Seaman dirige a Secretaria de Imprensa do Governo de
Israel