Estamos
avançando
ou retrocedendo?
O último atentado em Tel Aviv deixou um sabor amargo.
Já havíamos comentado que não nos entusiasmássemos
demais com os acordos verbais de Sharm El-Sheik. Afinal, outros
de maior envergadura já tinham sido assinados e deram
em nada. Mas sempre resta uma esperança, pois o ser
humano é um otimista por natureza. Quando as coisas
pareciam avançar, sem as euforias exageradas, e observávamos
em silêncio o início de uma nova etapa, num só instante
todas as expectativas mais otimistas desmoronaram. E novamente
a sensação é a de que não só o
processo de paz parou, mas começou a retroceder.
Outra vez o terror, mortos e feridos. E como em cada um desses
atentados terroristas, as vítimas não são
anônimas. Cada nome tem sua história e atrás
de cada história há uma ou mais famílias
destroçadas. Foram dois meses de tranqüilidade.
O covarde-bomba suicida da Jihad Islâmica chegou e misturou-se
aos que esperavam para entrar no nightclub Stage, um dos pontos
mais freqüentados pela juventude de Tel Aviv, e fez explodir
sua carga mortífera: O saldo, cinco mortos e 34 pessoas
feridas, três em estado estado grave. Morreram Yael Urbach
(28 anos), Itzchak Buzaglo (40 anos), Arik Nagar (37 anos),
Ronen Reubenov (30 anos) e Odelia Chubara (26 anos).
Alguém poderia dizer que foi algo atípico. Porém,
desde que o acordo fora anunciado, vários atentados
foram frustrados, um deles com um carro-bomba, além
de ataques com armas de fogo contra carros, como o próximo
a um assentamento judaico na Cisjordânia ferindo duas
pessoas. E o que dizer das demonstrações de apoio à Jihad
Islâmico, num ato na Universidade de Hebron onde estudantes
palestinos expressaram apoio ao ataque suicida de Tel Aviv?
É
preciso muito mais que intenções verbalizadas
ou assinaturas em pedaços de papel para acabar com mais
de 20 anos de educação para o ódio aos
judeus, propagada entre palestinos, sírios e outros árabes.
A lavagem cerebral faz os jovens acreditarem que seu futuro
está traçado para o martírio e para o
paraíso. O terror é algo único, que não
tem outro nome, nem explicação que possa justificar
de alguma forma seu significado. Mas tem responsáveis,
sabe-se de onde vem, e quem o promove. Somos vítimas
do ódio cego, irracional, desumano, incompreensível
para muitos e isso nos envolve a todos que habitamos a Terra.
Vejam o que está ocorrendo no Iraque e no mundo todo,
onde a Al Qaeda exibe suas garras. Os que vivem em Israel têm
de fato uma difícil realidade, mas isso não os
impede de continuar vivendo e até mesmo de freqüentar
clubes noturnos.
Lamentavelmente foi um ato terrorista suicida que acabou trazendo à tona
um fato desconhecido do público no mundo todo, mas que
não era nenhuma novidade em Israel.
Trata-se do assassinato político do ex primeiro-ministro
libanês, Rafik Hariri, por sua insistência para
que as tropas sírias se retirassem de seu país.
Muita gente desconhecia que os sírios ocupam o Líbano
há 29 anos porque a grande mídia, certas esquerdas
cooptadas e a Europa, simplesmente omitiram isso. Durante todo
esse tempo, os lacaios do Hezbollah promoveram ataques diários
aos israelenses, forçando-os a criarem uma faixa de
proteção no Sul do Líbano, sob os aplausos
dos cristãos libaneses, vítimas de morticínios
sírio e muçulmano. Com Israel, porém,
o comportamento foi bem diverso. Dia e noite, a imprensa, a
esquerda e dirigentes europeus martelaram contra a ocupação
israelense. Israel se retirou em 2000, mas os sírios
continuam lá até hoje.
A Redação