Visão Judaica Maio de 2005 Editorial


Estamos avançando ou retrocedendo?

O último atentado em Tel Aviv deixou um sabor amargo. Já havíamos comentado que não nos entusiasmássemos demais com os acordos verbais de Sharm El-Sheik. Afinal, outros de maior envergadura já tinham sido assinados e deram em nada. Mas sempre resta uma esperança, pois o ser humano é um otimista por natureza. Quando as coisas pareciam avançar, sem as euforias exageradas, e observávamos em silêncio o início de uma nova etapa, num só instante todas as expectativas mais otimistas desmoronaram. E novamente a sensação é a de que não só o processo de paz parou, mas começou a retroceder.

Outra vez o terror, mortos e feridos. E como em cada um desses atentados terroristas, as vítimas não são anônimas. Cada nome tem sua história e atrás de cada história há uma ou mais famílias destroçadas. Foram dois meses de tranqüilidade. O covarde-bomba suicida da Jihad Islâmica chegou e misturou-se aos que esperavam para entrar no nightclub Stage, um dos pontos mais freqüentados pela juventude de Tel Aviv, e fez explodir sua carga mortífera: O saldo, cinco mortos e 34 pessoas feridas, três em estado estado grave. Morreram Yael Urbach (28 anos), Itzchak Buzaglo (40 anos), Arik Nagar (37 anos), Ronen Reubenov (30 anos) e Odelia Chubara (26 anos).

Alguém poderia dizer que foi algo atípico. Porém, desde que o acordo fora anunciado, vários atentados foram frustrados, um deles com um carro-bomba, além de ataques com armas de fogo contra carros, como o próximo a um assentamento judaico na Cisjordânia ferindo duas pessoas. E o que dizer das demonstrações de apoio à Jihad Islâmico, num ato na Universidade de Hebron onde estudantes palestinos expressaram apoio ao ataque suicida de Tel Aviv?

É preciso muito mais que intenções verbalizadas ou assinaturas em pedaços de papel para acabar com mais de 20 anos de educação para o ódio aos judeus, propagada entre palestinos, sírios e outros árabes. A lavagem cerebral faz os jovens acreditarem que seu futuro está traçado para o martírio e para o paraíso. O terror é algo único, que não tem outro nome, nem explicação que possa justificar de alguma forma seu significado. Mas tem responsáveis, sabe-se de onde vem, e quem o promove. Somos vítimas do ódio cego, irracional, desumano, incompreensível para muitos e isso nos envolve a todos que habitamos a Terra. Vejam o que está ocorrendo no Iraque e no mundo todo, onde a Al Qaeda exibe suas garras. Os que vivem em Israel têm de fato uma difícil realidade, mas isso não os impede de continuar vivendo e até mesmo de freqüentar clubes noturnos.

Lamentavelmente foi um ato terrorista suicida que acabou trazendo à tona um fato desconhecido do público no mundo todo, mas que não era nenhuma novidade em Israel.

Trata-se do assassinato político do ex primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, por sua insistência para que as tropas sírias se retirassem de seu país. Muita gente desconhecia que os sírios ocupam o Líbano há 29 anos porque a grande mídia, certas esquerdas cooptadas e a Europa, simplesmente omitiram isso. Durante todo esse tempo, os lacaios do Hezbollah promoveram ataques diários aos israelenses, forçando-os a criarem uma faixa de proteção no Sul do Líbano, sob os aplausos dos cristãos libaneses, vítimas de morticínios sírio e muçulmano. Com Israel, porém, o comportamento foi bem diverso. Dia e noite, a imprensa, a esquerda e dirigentes europeus martelaram contra a ocupação israelense. Israel se retirou em 2000, mas os sírios continuam lá até hoje.

A Redação