O presidente George W. Bush declarou que os Estados Unidos apoiarão
Israel frente ao Irã se a segurança dos israelenses
for ameaçada. "Se eu fosse dirigente israelense e
ouvisse algumas declarações dos aiatolás
iranianos, que dizem respeito à segurança de meu
país, eu ficaria preocupado com o fato de o Irã ter
uma arma nuclear", declarou o presidente norte-americano
em entrevista à concedida após a nomeação
de John Negroponte como diretor-geral de inteligência dos
EUA.
"
Israel é nosso aliado e estamos firmemente comprometidos
em apoiá-lo”, disse Bush. Dias atrás o ministro
iraniano da Defesa, Ali Shamkhani, advertira que seu país
responderá "com rapidez e dureza" a qualquer
tipo de ataque inimigo sobre o território nacional do
Irã.
A Síria, que anunciou a formação de uma
frente única com o Irã, também foi alvo
das críticas americanas. "Estamos prontos para ajudar
a Síria em todos os terrenos para confrontar as ameaças",
disse o vice-presidente iraniano Mohammad Reza, em Teerã,
depois de se encontrar com o primeiro-ministro sírio,
Naji al-Otari.
Bush disse que a relação com a Síria "não
está avançando" e que este país está "fora
de sintonia" com os progressos que estão sendo alcançados
no Oriente Médio. O presidente disse que "a democracia
está em movimento, mas a Síria não está se
movendo com ela".
Bush voltou a pedir que a Síria cumpra a resolução
1559 da ONU, que pede a saída dos 15 mil soldados sírios
que estão em solo libanês, e devolva ao Iraque os
baathistas (integrantes do partido do ex-presidente iraquiano
Saddam Hussein) que tenham conseguido encontrar refúgio
em seu território. A Síria já devolveu alguns.
Há duas semanas, os Estados Unidos chamaram de volta sua
embaixadora na Síria para uma conferência urgente
visando mostrar seu forte descontentamento com Damasco um dia
após o assassinato do ex-premiê libanês Rafik
al-Hariri. A Síria é acusada de organizar o atentado
que vitimou Hariri e mais 11 pessoas, além de muitos feridos.
Antes de deixar Damasco, a embaixadora dos Estados Unidos, Margaret
Scobey, leu uma nota dura dirigida ao governo sírio, segundo
o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher.
Autoridades americanas disseram que estão pensando em
impor novas sanções à Síria por causa
de sua recusa em retirar 14 mil soldados do Líbano e do
fato de os EUA acreditarem que a Síria deixa militantes
palestinos e insurgentes iraquianos operarem em seu solo. A Síria
rejeita as acusações de que apóia o terrorismo.
Hariri após deixar o governo criticava fortemente a influência
da Síria no seu país.
O anúncio em Washington coincidiu com a passagem de uma
resolução pelo Conselho de Segurança da
ONU condenando o assassinato. O Conselho de Segurança
pediu no outono passado a retirada de todas as tropas estrangeiras
do Líbano.
Em maio do ano passado, para demonstrar a insatisfação
dos EUA com a Síria por não se empenhar em conter
a ação dos terroristas no Iraque, o presidente
Bush cancelou quase todas as exportações para Damasco
e proibiu os vôos entre Estados Unidos e Síria,
exceto em casos de emergência. O Departamento do Tesouro
também se mobilizou para congelar bens de sírios
suspeitos de manterem vínculos com terroristas.
Os Estados Unidos temem que o mais recente derramamento de sangue
no Líbano possa fazer com que o país volte a mergulhar
em uma guerra civil. E deixaram claro que não aceitam
a alegação da Síria de que o país
atua como força estabilizadora. Recentemente, a secretária
de Estado, Condoleezza Rice, disse durante audiência no
Senado norte-americano que a Síria continua sendo um dos
vários "bastiões da tirania" no mundo.
No ano passado o presidente Lula visitou a Síria e dias
atrás o chanceler Amorim voltou a Damasco para estreitar
relações com esse “bastião da tirania”.