Visão Judaica Março de 2005 Artigos e Reportagens
Em caso de ameaça, Bush diz ao Irã que apóia Israel

O presidente George W. Bush declarou que os Estados Unidos apoiarão Israel frente ao Irã se a segurança dos israelenses for ameaçada. "Se eu fosse dirigente israelense e ouvisse algumas declarações dos aiatolás iranianos, que dizem respeito à segurança de meu país, eu ficaria preocupado com o fato de o Irã ter uma arma nuclear", declarou o presidente norte-americano em entrevista à concedida após a nomeação de John Negroponte como diretor-geral de inteligência dos EUA.

" Israel é nosso aliado e estamos firmemente comprometidos em apoiá-lo”, disse Bush. Dias atrás o ministro iraniano da Defesa, Ali Shamkhani, advertira que seu país responderá "com rapidez e dureza" a qualquer tipo de ataque inimigo sobre o território nacional do Irã.

A Síria, que anunciou a formação de uma frente única com o Irã, também foi alvo das críticas americanas. "Estamos prontos para ajudar a Síria em todos os terrenos para confrontar as ameaças", disse o vice-presidente iraniano Mohammad Reza, em Teerã, depois de se encontrar com o primeiro-ministro sírio, Naji al-Otari.

Bush disse que a relação com a Síria "não está avançando" e que este país está "fora de sintonia" com os progressos que estão sendo alcançados no Oriente Médio. O presidente disse que "a democracia está em movimento, mas a Síria não está se movendo com ela".

Bush voltou a pedir que a Síria cumpra a resolução 1559 da ONU, que pede a saída dos 15 mil soldados sírios que estão em solo libanês, e devolva ao Iraque os baathistas (integrantes do partido do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein) que tenham conseguido encontrar refúgio em seu território. A Síria já devolveu alguns.

Há duas semanas, os Estados Unidos chamaram de volta sua embaixadora na Síria para uma conferência urgente visando mostrar seu forte descontentamento com Damasco um dia após o assassinato do ex-premiê libanês Rafik al-Hariri. A Síria é acusada de organizar o atentado que vitimou Hariri e mais 11 pessoas, além de muitos feridos.

Antes de deixar Damasco, a embaixadora dos Estados Unidos, Margaret Scobey, leu uma nota dura dirigida ao governo sírio, segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher.

Autoridades americanas disseram que estão pensando em impor novas sanções à Síria por causa de sua recusa em retirar 14 mil soldados do Líbano e do fato de os EUA acreditarem que a Síria deixa militantes palestinos e insurgentes iraquianos operarem em seu solo. A Síria rejeita as acusações de que apóia o terrorismo.

Hariri após deixar o governo criticava fortemente a influência da Síria no seu país.

O anúncio em Washington coincidiu com a passagem de uma resolução pelo Conselho de Segurança da ONU condenando o assassinato. O Conselho de Segurança pediu no outono passado a retirada de todas as tropas estrangeiras do Líbano.

Em maio do ano passado, para demonstrar a insatisfação dos EUA com a Síria por não se empenhar em conter a ação dos terroristas no Iraque, o presidente Bush cancelou quase todas as exportações para Damasco e proibiu os vôos entre Estados Unidos e Síria, exceto em casos de emergência. O Departamento do Tesouro também se mobilizou para congelar bens de sírios suspeitos de manterem vínculos com terroristas.

Os Estados Unidos temem que o mais recente derramamento de sangue no Líbano possa fazer com que o país volte a mergulhar em uma guerra civil. E deixaram claro que não aceitam a alegação da Síria de que o país atua como força estabilizadora. Recentemente, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, disse durante audiência no Senado norte-americano que a Síria continua sendo um dos vários "bastiões da tirania" no mundo. No ano passado o presidente Lula visitou a Síria e dias atrás o chanceler Amorim voltou a Damasco para estreitar relações com esse “bastião da tirania”.