Visão Judaica Março de 2005 Artigos e Reportagens
A chave para a mudança é o fim do terror
Por: Tzipora Rimon

O Oriente Médio se depara com a oportunidade histórica de iniciar uma nova era. O primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon e o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas se encontraram na última terça-feira, 8 de fevereiro, pela primeira vez após a eleição do líder palestino.

Para Israel, a cúpula realizada no Egito carrega uma mensagem de esperança. Com significado histórico, é capaz de criar uma nova e diferente realidade mais benéfica para os dois povos na região – israelenses e palestinos. Sob nova liderança, o povo palestino tem a possibilidade de caminhar rumo à democracia, até o estabelecimento de um estado independente e democrático que viva em paz com Israel. O primeiro-ministro Sharon disse na reunião: “à violência não será permitido assassinar a esperança”.

Entretanto, apenas solenidades não serão suficientes. Devemos utilizar esta “janela de oportunidade” para dar vazão a ações práticas.

Israel vem dando alguns passos concretos em direção às reivindicações palestinas, como libertar centenas de prisioneiros, transferir o controle da segurança de cidades palestinas à Autoridade Palestina, remover barreiras dentro de Gaza e da Cisjordânia e abrir passagens fronteiriças que facilitam o trânsito de palestinos, muitos dos quais trabalham em cidades israelenses.

Israel também pretende coordenar o processo de desengajamento (plano de retirada de Israel da Faixa de Gaza e de parte da Cisjordânia). Essas são concessões dolorosas, pois parte delas tocam em pontos importantes para Israel, o que gera conflito interno no país. Entretanto, Israel deseja mostrar sua responsabilidade e boa vontade para promover o entendimento entre os dois lados.

A expectativa acerca da postura palestina recai sobre o tratamento a ser dispensado ao terror, o que inclui o desmantelamento das organizações terroristas, sobretudo o Hamas e a Jihad Islâmica, e o recolhimento de todas as armas ilegais. Não menos importante é a suspensão da incitação palestina contra Israel.

A chave para a mudança na região é o fim do terror. A chamada trégua não é solução a longo prazo. O cessar-fogo, que não inclui o desmantelamento da infra-estrutura do terror, é uma ilusão de ótica e uma bomba que não tarda a explodir. A ação decisiva por parte da liderança palestina visando combater o terror através da liquidação de sua infra-estrutura poderá trazer avanços, partindo do “plano de desengajamento” até a implementação do “Mapa do Caminho da Paz”.

A participação ativa de líderes árabes na cúpula, que teve como anfitriões o presidente do Egito Hosni Mubarak e o rei Abdullah da Jordânia reforça o processo de paz e pode criar uma atmosfera de tolerância em nossa região.
O ministro das Relações Exteriores de Israel Silvan Shalom declarou que a decisão do Egito e da Jordânia de reenviar seus embaixadores a Israel pode reaquecer relações até então congeladas com alguns países árabes e encorajar outros, que ainda não mantêm relações com Israel, a fazê-lo.

O sucesso da cúpula depende também do papel exercido pela comunidade internacional através de seu apoio político-econômico. Uma condição básica para o progresso em direção a uma solução pacífica é o desenvolvimento da economia palestina.

Após as manifestações em Sharm el Sheikh, reforça-se a crença de que o caminho para a construção de um futuro melhor para o povo palestino, e para toda a região, começa onde o terrorismo termina.

* Tzipora Rimon é Embaixadora de Israel no Brasil