O Oriente Médio se depara com a oportunidade histórica
de iniciar uma nova era. O primeiro-ministro de Israel Ariel
Sharon e o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas
se encontraram na última terça-feira, 8 de fevereiro,
pela primeira vez após a eleição do líder
palestino.
Para Israel, a cúpula realizada no Egito carrega uma
mensagem de esperança. Com significado histórico, é capaz
de criar uma nova e diferente realidade mais benéfica
para os dois povos na região – israelenses e palestinos.
Sob nova liderança, o povo palestino tem a possibilidade
de caminhar rumo à democracia, até o estabelecimento
de um estado independente e democrático que viva em
paz com Israel. O primeiro-ministro Sharon disse na reunião: “à violência
não será permitido assassinar a esperança”.
Entretanto, apenas solenidades não serão suficientes.
Devemos utilizar esta “janela de oportunidade” para
dar vazão a ações práticas.
Israel vem dando alguns passos concretos em direção às
reivindicações palestinas, como libertar centenas
de prisioneiros, transferir o controle da segurança
de cidades palestinas à Autoridade Palestina, remover
barreiras dentro de Gaza e da Cisjordânia e abrir passagens
fronteiriças que facilitam o trânsito de palestinos,
muitos dos quais trabalham em cidades israelenses.
Israel também pretende coordenar o processo de desengajamento
(plano de retirada de Israel da Faixa de Gaza e de parte da
Cisjordânia). Essas são concessões dolorosas,
pois parte delas tocam em pontos importantes para Israel, o
que gera conflito interno no país. Entretanto, Israel
deseja mostrar sua responsabilidade e boa vontade para promover
o entendimento entre os dois lados.
A expectativa acerca da postura palestina recai sobre o tratamento
a ser dispensado ao terror, o que inclui o desmantelamento
das organizações terroristas, sobretudo o Hamas
e a Jihad Islâmica, e o recolhimento de todas as armas
ilegais. Não menos importante é a suspensão
da incitação palestina contra Israel.
A chave para a mudança na região é o fim
do terror. A chamada trégua não é solução
a longo prazo. O cessar-fogo, que não inclui o desmantelamento
da infra-estrutura do terror, é uma ilusão de ótica
e uma bomba que não tarda a explodir. A ação
decisiva por parte da liderança palestina visando combater
o terror através da liquidação de sua
infra-estrutura poderá trazer avanços, partindo
do “plano de desengajamento” até a implementação
do “Mapa do Caminho da Paz”.
A participação ativa de líderes árabes
na cúpula, que teve como anfitriões o presidente
do Egito Hosni Mubarak e o rei Abdullah da Jordânia reforça
o processo de paz e pode criar uma atmosfera de tolerância
em nossa região.
O ministro das Relações Exteriores de Israel
Silvan Shalom declarou que a decisão do Egito e da Jordânia
de reenviar seus embaixadores a Israel pode reaquecer relações
até então congeladas com alguns países árabes
e encorajar outros, que ainda não mantêm relações
com Israel, a fazê-lo.
O sucesso da cúpula depende também do papel exercido
pela comunidade internacional através de seu apoio político-econômico.
Uma condição básica para o progresso em
direção a uma solução pacífica é o
desenvolvimento da economia palestina.
Após as manifestações em Sharm el Sheikh,
reforça-se a crença de que o caminho para a construção
de um futuro melhor para o povo palestino, e para toda a região,
começa onde o terrorismo termina.
* Tzipora Rimon é Embaixadora de Israel no Brasil