Visão Judaica Março de 2005 Artigos e Reportagens
A manipulação midiática contra Israel
Por: Eleonora Bruzual

Um escândalo eclode e as pergunta são: Uma das grandes fotografias bélicas da história ou uma hábil montagem? Um crime do exército de Israel contra um menino palestino ou mais um dos crimes que os terroristas e assassinos de seu próprio povo cometem contra sua gente para com isso danificar a imagem do Estado judeu?

Agora a polêmica desatada na França tornou-se pública pela jornalista Doreen Carvajal do International Herald Tribune na segunda-feira, 7 de fevereiro. Ela informa sobre uma suspeita possibilidade de manipulação midiática. Doreen Carvajal lembra os seus leitores que “desde o começo da segunda Intifada, há mais de quatro anos, muitas crianças foram mortas nos tiroteios. Mas é a alarmante imagem de um aterrorizado rapazinho de 12 anos, tratando, em vão, de proteger-se atrás do corpo de seu pai, que se converteu em um ícone.

Parte desse show tão semelhante à cultura de carpideira e o desonesto pesar expresso nos histéricos gritos tão presente entre os árabes que é com segurança o que levou o Egito e a Tunísia a imprimir selos postais com a imagem desse pobre garoto, Mohamed al-Durra, ajoelhado contra seu genitor no meio de uma chuva de balas em setembro de 2000. Também como o caso dos egípcios — denominando em sua homenagem uma rua do Cairo, não por piedade com certeza, mas para com isso semear ainda mais entre seus habitantes um ódio e uma sede de vingança irracional. Sabe-se que já é parte de um ritual que os terroristas suicidas palestinos invoquem sua recordação ante a câmera de vídeo, antes de ir para o "sacrifício".

Mas segue narrando em seu artigo Doreen Carvajal: “Distante das atormentadas ruas de Gaza, na França, a fotografia provocou milhares de discussões. O debate se torna inflamado porque muitos se perguntam se a filmagem da televisão, da qual foi tirada esta imagem, é autêntica, duvidosa ou — como afirma um acadêmico norte-americano — uma "engenhosa montagem teatral".

Concordo com esta jornalista do International Herald Tribune que qualquer fotografia de guerra tem sido há mais de um século a mais poderosa arma de propaganda. Muitas dessas fotografias são emblemáticas, como o caso de “Morte de um miliciano espanhol" de Robert Capa, citada pela jornalista.

Voltando ao caso que estão denunciando agora na França sobre a manipulação da fotografia desse garoto palestino que talvez seja vítima da mesma perversa prática de fazer de seus próprios filhos mártires para com isso satanizar Israel, com a foto hoje em julgamento se fizeram pôsteres e se teceram sensíveis histórias repetidas e divulgadas até o cansaço por uma imprensa mundial que desde há muito parece haver perdido a objetividade e estar a serviço dos que pretendem nos impor a cultura da morte sobre o valor inviolável do respeito à vida…

O resultado é que agora o tão condenado e “manchetado” crime israelense contra o menino Mohamed al-Durra está rodeado de dúvidas e grandes suspeitas… Como bem assinala o artigo publicado por International Herald Tribune no caso da história de Mohamed al-Durra, a polêmica se viu estimulada por sua "exclusividade".

Mas isso não pode ficar assim, isto temos a obrigação de denunciar, de publicar. Temos que dizer a esses que jogam à “Inocência” quando lhes mostramos a manipulação midiática a favor do terrorismo islâmico que este escândalo parece deixar claro muitas falsidades… Agora devemos dizer que quando a rede francesa de TV France 2 e seu correspondente em Jerusalém, Charles Enderlin, propagaram a imagem, se encheram de glória… E não é difícil encontrar um pequeno duendezinho anti-semita em muitos grandes defensores dos Direitos Humanos de… todo aquele que não seja judeu, ainda que seja um terrorista, um decapitador, um farsante.

Resulta que para a France 2 e seu correspondente em Jerusalém, Charles Enderlin o tempo passou e com ele... também passou a cegueira. Esse tempo que passou permitiu investigar… E o que emerge não é bonito, nem sensível, nem heróico…

Segundo leio, a Metula News Agency, uma minúscula agência de notícias de Israel está divulgando suas investigações a respeito deste caso. Segundo resume Doreen Carvajal, a agência divulga suas notas em francês, e até alugaram um cinema para analisar fotograma por fotograma a filmagem da película ou gravação de onde foi extraída a fotografia…

Ninguém tem a obrigação de calar ante tanta manipulação e tanta cumplicidade, assim sabemos já que o Exército israelense divulgou até mapas e gráficos do local, demonstrando com esses documentos que é impossível que fossem soldados judeus os culpados.

Temos que dizer àqueles que dão como palavra divina toda acusação vinda de terroristas e fanáticos que já existe um documentário alemão, que com o nome de “Três balas para um menino: quem matou Mohamed al-Durra?", procura comprovar se o menino palestino foi alvejado pelos israelenses ou pelos palestinos. Ainda não há conclusões, mas as teremos…

No início de fevereiro Daniel Leconte, ex-correspondente da France 2, publicou no diário francês Le Figaro um artigo colocando em dúvida a autenticidade da foto. Leconte escreveu em dupla com Denis Jeambar, redator-chefe do semanário L’Express. Ambos fizeram públicas suas conclusões semanas depois que a France 2 lhes permitiu ver os 27 minutos completos da filmagem e depois que o diário Le Monde se negou a incluir a nota em suas páginas.

O que acontece senhores que me lêem? O que é essa maracutaia criminosa? Este temor reverencial de muitos em dizer verdades sobre um bando de criminosos e sóciopatas que são os primeiros a causar morte e desolação a seus próprios povos?

Doreen Carvajal também assinala em sua reportagem que durante o ano de 2000, quando se divulgaram as imagens, a France 2 ofereceu gratuitamente o fragmento mais polêmico a qualquer televisão que o quisesse, mas nunca facilitou o filme completo…

Agora sabemos que essa seqüência foi captada por um cinegrafista palestino chamado Talal Abu Rahma e o correspondente Enderlin, que ligeiro e axiomático culpou dessa morte o exército israelense e montou um título sensibilizante e inquisidor, e descreveu o fato como "a morte de um menino por disparos feitos pelos israelenses", não esteve presente. Quanta rigorosidade jornalística!

Vamos também informar sobre Esther Schapira, a produtora alemã que preparava um documentário sobre o tema, e que declarou que tentou, infrutiferamente, que lhe permitissem ver todo o filme original e também da convicta negativa da France 2. Então… O que escondem? O que tratam de ocultar?

Igualmente escreve Doreen Carvajal que no momento em que apareceram artigos críticos, “…e sobretudo um em que o norte-americano The Atlantic Monthly, Charles Enderlin — sem estar presente no momento da morte do menino, asseverou em seus textos e comentários que não se havia alterado a realidade"...

O farsante Charles Enderlin declarou: "Devido ao fato de que algumas cenas, como a agonia, eram muito fortes, tive que cortar vários segundos". Agora, quase cinco anos depois Richard Landes, da Universidade de Boston, estudou outras filmagens desse dia, incluindo várias nas que se vê o menino morto e suas conclusões são terríveis. Diz Landes que a cena é provavelmente "falsificada".

Agora, pressionados por uma opinião pública que deve assumir a defesa da verdade a France 2 se viu forçada a mostrar para o The International Herald Tribune os 27 minutos completos e a conclusão dos jornalistas que viram essa filmagem, é que há cortes e vazios. Diante disso, a pomposa rede France 2 responde que isso se deve ao fato que o cinegrafista deixou de filmar em algumas ocasiões, para "não gastar a bateria". Que cinismo!

Ninguém pôde ver o momento, o instante da morte do garoto e a "agonia" que serviu para Enderlin manipular a opinião pública. Isso não existe na película… A France 2 pretende agora processar por difamação vários personagens, mas não dá nomes… Desrespeitosos e hipócritas se limitam a declarar que diante deste evidente caso de impostura e menosprezo ao público eles são “inocentes” e, portanto, apresentarão uma ação judicial contra "X". Sim, contra “X”… o que é o mesmo que dizer contra ninguém…

Mohamed al-Durra talvez tenha que ser baixado dos pedestais dos mártires terroristas e sóciopatas. O infeliz garoto palestino talvez seja outra vítima entre as milhares de crianças que servem de escudo a uns covardes que os colocam na frente e os mandam para morrer enquanto eles enganam, roubam, falseiam… Mohamed al-Durra vem a ser a expressão gráfica daquele horror plasmado na frase lapidar de Golda Meir:

" Haverá paz, quando as mães árabes amarem mais os seus filhos do que odeiam aos judeus".
D’us dê a Mohamed al-Durra, a paz e o respeito que não lhe deram seus próprios
irmãos. Esses que agora emergem como seus possíveis assassinos... Os que o sacrificaram nos altares da mentira.

* Eleonora Bruzual é jornalista venezuelana, diretora da revista na Internet “Mulheres do Terceiro Milênio” e já trabalhou na TV e em ádio, tanto como repórter, produtora ou diretora. Recebeu diversos prêmios e homenagens no âmbito das comunicações, escreve no Diario El Universal, de Caracas e no Nuevo Herald, de Miami. Atualmente participa do programa radiofônico “Tribuna Democrática”, de Caracas. Tem formação acadêmica nas universidades Autônoma de Barcelona e Complutense de Madrid. É também conhecida artista plástica com exposições nacionais e internacionais. Ela publicou este texto em 8.2.2005. Traduzido por Szyja Lorber para o jornal Visão Judaica.