Visão Judaica Março de 2005 Artigos e Reportagens
Palavras de uma mulher libanesa
Por: Brigitte Gabriel

Sinto-me sinto honrada e orgulhosa de estar aqui hoje perante vocês. Uma libanesa que fala a favor de Israel, a única democracia do Oriente Médio.

Como alguém que foi criada num país árabe, quero dar-lhes um visão geral do coração do mundo árabe.

Cresci no Líbano, onde aprendi que os judeus são a maldade, Israel o demônio, e o único momento em que teremos paz no Oriente Médio será quando matarmos a todos os judeus, e os jogarmos ao mar.

Quando os muçulmanos e palestinos declararam a Jihad sobre os cristãos em 1975, começaram a massacrar cristãos de cidade em cidade, uma atrás da outra. Acabei vivendo em um abrigo subterrâneo antibombas dos 10 aos 17 anos, sem eletricidade, comendo ervas e me arrastava sob as balas dos tiroteios para conseguir buscar água.
Israel veio em ajuda aos cristãos do Líbano. Minha mãe foi ferida por uma bala muçulmana e foi levada a um hospital israelense para ser tratada. Quando entramos na sala de emergência, me chocou o que vi ali. Havia centenas de feridos, muçulmanos, cristãos libaneses e soldados israelenses estendidos no chão. Os médicos atendiam cada um de acordo com a gravidade de seus ferimentos.

Eles atenderam minha mãe antes que ao soldado israelense que estava estendido ao seu lado. Não viram religião nem afiliação política, viram gente em necessidade, e ajudaram. Pela primeira vez na minha vida pude observar a qualidade humana, que sem dúvida alguma, minha cultura não teria mostrado a seu inimigo. Experimentei o valor moral dos israelenses, que eram capazes de amar ao inimigo, ainda que em seus momentos mais críticos.

Passei 22 dias no hospital, dias que mudaram minha vida e a maneira com que acreditava na informação recebida, a forma que escutava o rádio e a televisão. Me dei conta que o governo havia me vendido uma mentira fabricada sobre os judeus e Israel, muito distante da realidade. Sabia por certo que se fosse um judeu em um hospital árabe, teria sido linchado e jogado para fora, enquanto gritos jubilosos de Allahu Akbar, D'us é grande, seriam escutados pelo hospital e nas ruas adjacentes.

Fiz amizade com familiares dos soldados israelenses feridos, uma em particular, Rina, cujo único filho, um jovem de 19 anos, havia sido ferido nos olhos. Um dia, estava eu com Rina, quando chegou uma banda do exército, tocando música para levantar o ânimo dos soldados feridos. Enquanto rodeavam a cama do filho de Rina, tocando uma canção sobre Jerusalém, Rina e eu começamos a chorar. Senti-me deslocada, e comecei a me retirar, e então Rina me pegou pela mão e me aproximou novamente, sem sequer me olhar. Me agarrou, chorando, e disse: "Não é tua culpa". E ficamos ali, as duas paradas, de mãos dadas e chorando.

Que contraste entre ela, uma mãe cuidando de seu único filho, de 19 anos e deformado, e ainda capaz de amar a mim, seu inimigo, e uma mãe muçulmana, que envia seu filho a se explodir em pedaços com o objetivo de matar a alguns judeus ou cristãos.

A diferença entre o mundo árabe e Israel é a diferença de valores e caráter. É barbarie versus civilização. É democracia versus ditadura. É bondade versus maldade.

Houve uma vez em que havia um lugar especial nas profundezas do inferno para aqueles que matavam crianças intencionalmente. Agora, o assassinato intencional de crianças israelenses está legitimado sob o rótulo de "conflito armado palestino".

Sem dúvida, uma vez que este comportamento está legitimado contra Israel, fica legitimado também para qualquer parte do mundo, guiado por nada além da crença subjetiva de pessoas que envolvem a si mesmas com dinamites e pregos, com o propósito de matar crianças em nome de D'us.

Uma vez que os palestinos foram levados a acreditar que o assassinato de civis israelenses inocentes é uma tática legítima para atingir seus objetivos, o mundo inteiro sofre agora a praga do terrorismo, de Nairobi a Nova York, de Moscou a Madrid, de Bali a Beslan.

Justificam os homens-bomba suicidas como "desespero pela ocupação". Permitam-me dizer-lhes a verdade. O maior ato do terrorismo suicida cometido por árabes contra o Estado judeu ocorreu dez semanas antes que Israel tivesse declarado sua independência. No domingo, 22 de fevereiro de 1948, adiantando-se à declaração de independência de Israel, um caminhão-bomba foi detonado na rua Ben Yehuda, no que era então a seção judaica de Jerusalém. Cinqüenta e quatro pessoas foram assassinadas, e centenas feridas. Portanto, é obvio dizer que o terrorismo árabe não é causado pelo "desespero", pela "ocupação", mas sim pela simples IDÉIA de um Estado judeu.

Tantas vezes na história dos últimos cem anos, os cidadãos foram testemunhas, porém nada fizeram, permitindo que a maldade prevalecesse. Assim como a América enfrentou e venceu o comunismo, é agora tempo de enfrentar e lutar contra o terror do fanatismo religioso e a intolerância. É tempo de defender o Estado de Israel, que está na linha de frente da guerra contra o terrorismo.

* Brigitte Gabriel, uma libanesa, pronunciou este discurso na Duke University, em 14 de outubro de 2004. Traduzido por Dov Bigio e publicado” em www.deolhonamidia.org.br em 1º/3/2005.