A Torá nos conta acerca de um inimigo especial do povo
judeu: o povo de Amalec. Ao contrário de todos os outros
povos da região, este ganhou um status especial por
parte de D-us: se tornou aquele que deveríamos combater
até o fim. Até o último deles.
A pergunta que fica é: Por que? Por que a Torá,
que é só bondade e amor, promove isso? Não
vai contra a sua própria essência?
Agora que estamos chegando na época de Purim, onde um
dos descendentes deste povo maldito é um dos protagonistas
da história, nos cabe entender melhor isso.
Ainda nos facilita o entendimento, o fato de vivermos em
tempos de anti-semitismo, anti-sionismo, cercado do espírito
que gerou esta aberração (e explicarei melhor
porque mais abaixo).
Amalec surge no momento em que todos tremiam diante dos judeus.
Assim que ocorreu a saída do Egito. O mundo viu os milagres
que D-us realizara, e teve medo do povo de Israel. Amalec não
temeu a D-us.
E ao atacar-nos, este povo abriu caminho para que todos os
outros tivessem coragem de realizar o mesmo. Haman, I’S,
um de seus descendentes, viria muitos anos depois, quando tentávamos
novamente retornar a nossa Terra, atacar-nos. Isto gerou a
festa de Purim. Pouco tempo depois, efetivamente retornamos
a Jerusalém e construímos o Segundo Templo. Hoje,
a história se repete.
O mundo, depois do Holocausto, ficou temeroso de atacar o
povo judeu. O genocídio tornou politicamente incorreto ser
anti-semita. A renovação do Estado Judeu assombrou
nossos inimigos. Vivemos um curto período de relativa
tranqüilidade.
Então o espírito de Amalec retorna. Novamente
tenta o extermínio físico do povo judeu (e esta é uma
outra característica desta anormalidade: ela não
nos quer convertidos, não quer apenas destruir nossa
alma, mas nosso corpo tem que ser aniquilado também).
Homens-bomba, atentados suicidas, vandalismo de sinagogas e
de cemitérios, esfaqueamentos, espancamentos, etc...
Um filme velho - nosso conhecido - numa reprise de mau gosto.
E então, o que começou como “politicamente
correto” - atacar Israel pelo que o país supostamente
fazia aos palestinos, pela “ocupação” -
descambou em pouco tempo em anti-semitismo puro. Em “Paixões
de Mel Gibson”. Em artigos publicados na Internet que
falam dos “Protocolos dos Sábios de Sião”,
entre tantos outros exemplos. Amalec abriu o caminho. O mundo
perdeu o medo.
O povo de Israel vive. Mas o espírito de Amalec nos
acompanha - nossa sina - e vive também. Somos obrigados
todos os dias a nos recordar de não nos descuidarmos
dele ao final da reza da manhã (“as seis lembranças
diárias”). Mas lembrar somente não basta. É preciso
agir.
Amalec é o contra-posto do povo judeu. Ai está o
segredo da pergunta sobre a Torá que abre este texto.
Se o povo judeu veio a este mundo para trazer Santidade, os
amalequitas vieram para retirar ela (a Santidade) daqui. Se
viemos trazer a palavra de D-us, e ser o povo que espalharia
moral e ética recebida no Sinai pelo mundo, os nossos
opositores seriam aqueles que espalhariam blasfêmia e ódio.
Pela palavra. Assim foi com Goebbels, I’S, ministro da
propaganda nazista. Assim é hoje nos países árabes,
onde o incitamento ao ódio percorre escolas, mídia,
meios religiosos e afins. A palavra é nossa inimiga.
Basta ver as mentiras, deturpações, erros e desinformações
que lemos todos os dias em grandes jornais pelo mundo ou na
Internet, assistimos na TV e ouvimos no rádio.
Por fim, a covardia. Diz a Torá que Amalec atacava os
fracos e os que ficavam para trás. E que se entregava à morte.
Mesmo sabendo que não podia vencer, atacava para matar
o povo judeu, ou os fracos destes e as crianças. Mais
do que uma boa descrição de homens-bomba e terroristas
islâmicos, o versículo fala de covardia. E o que
fazem hoje os veículos de mídia com o povo judeu
e Israel é difamação pura e covardia.
Usam de pequenas mentiras, de truques de semântica para
apregoar o ódio a estes. Somado àqueles que agem
por pura ignorância ou desinformação, temos
um belo caldo. Cabe a nós, que por quase quatro mil
anos aprendemos a conviver e enfrentar este mal, fazer nossa
parte. Temos que dar o exemplo oposto. Nos engajarmos na luta
pela verdade, e no combate ao anti-semitismo. Na mídia
ou fora dela. Através de iniciativas como o “De
Olho Na Mídia” ou em outras de propósitos
semelhantes. Lembrar, lembrar, lembrar... Nunca Esquecer! E
lutar sempre. Afinal, pode parecer um velho chavão,
mas sempre é válido: O futuro de Israel e do
povo judeu - dos meus e dos seus filhos - está em nossas
mãos. Cabe a nós fazermos nossa parte. Am Israel
Chai. E que em breve possamos comemorar um Purim Shlema (completo)
com o fim do espírito de Amalec e com a chegada de
Maschiach (Messias). Que seja breve, em nossos dias. Chag
Sameach!
*Daniel Benjamin Barenbein, 28 anos, é jornalista,
trabalha no site de combate a distorção na imprensa, "De
Olho na Mídia" (www.deolhonamidia.org.br) e como
coordenador do movimento juvenil Betar de SP. Ainda exerce
voluntariamente cargos de Hasbará na Organização
Sionista de SP, Espaço K e Aish Brasil, e como orador
nas sinagogas Beit Menachem e Kehilat Achim Tiferet. Possui
um livro publicado na internet sobre neonazismo digital: www.varsovia.jor.br