Comunidade judaica vai render preito aos pracinhas que lutaram
contra o nazismo
Uma extensa programação está sendo elaborada
para acontecer a partir de domingo, 1º de maio para homenagear
os soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra contra
o nazi-fascismo. Será às 16h30, no Grande Templo
da Rua Tenente Possolo. Em maio, comemorar-se-á o 60º aniversário
do armistício, quando as potencias do Eixo se renderam
aos Aliados.
A comissão que organiza o programa definiu uma frase
de trabalho: "Os judeus que foram combater o nazismo e
o fascismo se expuseram a um risco duplo: se capturados pelos
alemães, seriam imediatamente mortos ou enviados para
os campos de concentração. A Convenção
de Genebra para prisioneiros de guerra não seria aplicada".
Samuel, Jacob, Salomão, Marcos e outros tantos que ostentam
nomes dos grandes profetas são alguns dos heróis
brasileiros judeus da Segunda Guerra que arriscaram suas vidas
na luta contra os países do eixo.
Relembrar os feitos heróicos dos militares brasileiros
das três armas que defenderam, por terra, mar e ar, os
ideais máximos da liberdade e da democracia, maculados
pelo nazi-fascismo é um dos objetivos definidos pela
comissão formada pela Federação Israelita
do Rio de Janeiro principal dos objetivos da homenagem.
O Brasil enviou a Itália 25 mil homens, que compuseram
a FEB – Força Expedicionária Brasileira,
sob o comando do Marechal Mascarenhas de Moraes, integrando
o Quinto Corpo do Exército dos Estados Unidos.
Vitórias como Monte Castelo e Montese e tantas outras
custaram a vida de 480 soldados brasileiros, que hoje repousam
eternamente no Monumento do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.
A Força Aérea Brasileira participou com o 1º Grupo
de Aviação de Caça, cumprindo importantes
missões nos céus da Itália, além
de ter patrulhado as costas do Brasil e afundado submarinos
alemães.
A Marinha de Guerra, diante dos sucessivos torpedeamentos de
navios mercantes brasileiros (pois Hitler queria se vingar
do Brasil por ter declarado guerra à Alemanha), passou
a proteger os comboios, quando então cessaram os ataques
dos submarinos alemães U-2 no nosso litoral.
Dentre esses milhares de combatentes de todas as fés
havia um número expressivo de judeus: soldados, cabos,
sargentos e oficiais. A Federação Israelita do
Estado do Rio de Janeiro e diversas instituições
judaicas decidiram fazer uma homenagem a esses heróis
anônimos que arriscaram duplamente suas vidas ao se alistar
nas unidades enviadas para a guerra na Itália e estão
preparando um grande evento para lembrá-los esses heróis
que deixaram para seus familiares um legado de orgulho e amor à pátria.
Nesse evento serão relatadas as emocionantes histórias
de alguns desses heróis que virão à tona,
pela primeira vez, para orgulho de todos os brasileiros, judeus
e não-judeus. O evento contará também
com a presença do rabino Henry Sobel, da Congregação
Israelita Paulista, do escritor Moacyr Scliar, do embaixador
Sergio Correa da Costa entre outros além da cantora
Ithamara Koorax que interpretará o Hino Nacional Brasileiro.
Uma cerimônia religiosa homenageará, pelo toque
do corneteiro seguido do toque do Shofar (chifre de carneiro)
e da leitura do Kadish (oração judaica para os
mortos), a memória dos brasileiros de todas as religiões
que tombaram nos campos de batalha, dos inocentes desaparecidos
nos navios torpedeados em nosso litoral, e dos seis milhões
de judeus assassinados pelos nazistas.
Desta forma, as comunidades judaicas do Brasil se integram
aos atos oficiais que estão sendo realizados, em 2005,
no mundo todo, em que se comemora a derrota da tirania e da
opressão.
No momento em que relembramos os 60 anos da libertação
do campo de morte de Auschwitz e em que temos a infelicidade
de presenciar o renascer do anti-semitismo, sabemos que os
brasileiros judeus sempre contribuíram e continuarão
a contribuir para o aprimoramento da cultura, da ciência,
das artes, da justiça e das demais atividades que compõem
a sociedade. Vale a pena relembrar a epopéia de um punhado
de heróis, nossos patrícios, que se ofereceu
voluntariamente para lutar contra o ódio e a tirania
nazistas. É uma forma de poder dizer a todos irmãos
brasileiros de outras religiões:
“
Não esquecemos de vocês, heróis da Marinha
de Guerra e Mercante, Exército e Aeronáutica”.
Se você conhece alguém que tenha participado como
pracinha, que tenha servido na Marinha de Guerra ou Mercante
ou que tenha feito parte da FAB ou FEB, comunique-se com a
FIERJ. Sua participação é muito importante
para que não seja omitido nenhum nome. Informações
para social@fierj.org.br ou tel. 021-2172-7843 e 8114-2817,
fax 021-2172-7888.