Em Purim celebramos a milagrosa salvação dos judeus
da Pérsia, que lá foram exilados após a
destruição do Primeiro Templo. O nome da festa
advém da palavra persa "pur", que significa "sorte".
A Meguilat Esther, o livro que relata com detalhes a história
de Purim explica: "Por isso, àqueles dias chamam
Purim (sortes), por causa da sorte que Haman havia lançado,
determinando o dia em que os judeus seriam aniquilados“.
Nossos sábios explicam que existem motivos profundos para Purim ocorrer
no mês de Adar. O Talmud (Torá Oral) assim declara: "Quando
[o mês de] Adar se inicia, nós aumentamos a nossa alegria".
A razão disso é que o povo judeu se torna mais espiritualmente
fortalecido e protegido durante esse mês. A fonte da força judaica
nessa época do ano é baseada em uma conexão mística
entre a Torá e o mês de Adar, cujo signo é peixes. Os livros
místicos revelam que assim como o mar alimenta e protege os peixes, a
Torá alimenta e protege o povo judeu.
Na Meguilat Esther, estão relatados, segundo o testemunho dos personagens
centrais, Mordechai e Esther, os eventos ocorridos no Império Persa por
volta do ano 450 a.E.C. A leitura pública deste relato é um dos
mandamentos mais importantes da festa. Na própria Meguilá estão
mencionados alguns dos preceitos que devem ser observados nesta data, sendo que
outros foram instituídos pelo próprio Mordechai, segundo afirmam
nossos sábios.
" Esses dias serão lembrados e comemorados em todas as gerações,
em todas as famílias, em todas as províncias, em todas as cidades..." (Esther
9:28). Segundo o Midrash, Purim nunca deixará de existir e ninguém
está isento de sua observância — homens, mulheres e crianças.
Mesmo que todos as festas sejam anuladas, Purim nunca o será. E os acontecimentos
serão lembrados pela leitura da Meguilá e celebrados com festas,
oferta de alimentos, alegrias e presentes.
Em Purim agradecemos a D-us "pelos milagres, pela salvação,
pelas maravilhas que obrou conosco...". No dia 14 de Adar, por ser um dia
de muita alegria, é proibido jejuar e não se deve realizar trabalho
desnecessário, nem é ocasião para lamentações
e luto.
Apesar de Purim ser o dia mais alegre do ano, sua história é sobre
a reversão de um édito de genocídio contra o povo judeu.
Conta a história: para salvar seu povo, Esther teve que enfrentar o rei.
Por isso, ciente do grave perigo, pede a Mordechai: "Vá e reúna
todos os judeus que estão em Shushan e jejuem durante três dias
e três noites". Jejuando e pedindo perdão por todas suas falhas,
os judeus de Shushan buscavam a Proteção Divina. Apelaram para
a Misericórdia Divina, pois sabiam, assim como Esther, que somente com
a ajuda do Todo-Poderoso poderiam conseguir a anulação do decreto
fatal. Desde então, para lembrar este acontecimento, os judeus jejuam
no dia anterior a Purim. O "Jejum de Esther", Taanit Esther, é iniciado
pouco antes do nascer do sol do dia 13 de Adar e acaba ao pôr-do-sol do
mesmo dia.
Quando chega a noite e se inicia o dia 14 de Adar, começa a festa de Purim.
Porém, antes de quebrar-se o jejum, ouve-se a Meguilat Esther. Esta deve
ser lida na íntegra de um rolo de pergaminho e em voz alta, tanto à noite
quanto na manhã seguinte. A leitura deve ser realizada na presença
de um minian (um grupo de 10 homens judeus), de preferência na sinagoga.
Toda pessoa deve ficar atenta durante a leitura para ouvir cada palavra, pois
o propósito da leitura é entender o que ocorreu na época
da Rainha Esther e aprender que os eventos de Purim não pertencem ao passado.
Repetem-se, espiritualmente, em todas as gerações.
" Esses dias serão lembrados e comemorados em todas as gerações,
em todas as famílias...” Um dos mandamentos de Purim é o
envio de presentes os mishloach manot. Deve-se enviar pelo menos um presente,
composto de dois diferentes tipos de alimentos, a um amigo. Os alimentos devem
estar prontos para consumo, por exemplo, biscoitos, frutas, doces, vinho ou outras
bebidas. Esta é uma obrigação que homens e mulheres devem
cumprir no dia de Purim, não podendo ser substituída pelo envio
de dinheiro ou de qualquer outro presente que não seja um alimento. É também
aconselhável que esses presentes sejam entregues, sempre que possível,
por terceiros, pois a palavra mishloach, que significa envio, indica que esta
mitsvá (preceito) deve ser cumprida por um intermediário.
Para comemorar Purim, além de enviar presentes, devemos também
dar tsedacá (caridade) a pelo menos duas pessoas carentes. A generosidade
com os mais necessitados é particularmente importante nessa ocasião,
pois nada é mais agradável aos olhos de D-us. Nossos sábios
ensinam que não existe maior mandamento da Torá do que ajudar os
pobres e necessitados. Pois aquele que traz alegria aos outros é comparado
ao próprio D-us, que revive o espírito dos oprimidos e restaura
seus corações “(Rambam, Hilchot Meguilá 2).
A comemoração de Purim por "todas as famílias" é cumprida
através de uma seudá, uma refeição festiva. Todos
devem comer, beber e se alegrar em Purim. O Zohar, obra fundamental da Cabalá,
afirma que em Purim, ao deleitar-se com comida e bebida, pode-se alcançar
a mesma elevação espiritual que ocorre durante o jejum de Yom Kipur.
A refeição festiva de Purim deverá ser realizada durante
o dia 14 de Adar, sendo costume incluir-se carne e vinho. Entre certas comunidades
as comidas favoritas de Purim incluem doces de três pontas, que representam
as orelhas de Haman. O Talmud ordena que em Purim a pessoa beba vinho até que
não consiga diferenciar entre "amaldiçoado é Haman" e "abençoado é Mordechai".
Porém, se a saúde ou a conduta de uma pessoa for afetada negativamente
pelo consumo de bebidas alcoólicas, esta não deverá consumir
mais do que uma quantidade simbólica.
Como o objetivo central da festa de Purim é fomentar e compartilhar a
alegria, muitos judeus, em particular crianças, fantasiam-se e participam
de desfiles e concursos. As fantasias mais populares costumam ser as de Mordechai
e da Rainha Esther.
Bibliografia: Gold, Rabbi Avie, Purim Its Observance and Significance,
Artscroll Mesorah Series; The Book of Our Heritage, Feldheim
Publications.
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