Por:Edda Bergmann
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A Hagadá de Pessach que foi escrita muitos anos mais
tarde se inicia com um relato histórico da maior importância.
“
Entretanto levantou-se no Egito um novo rei que não conhecera
José”. Estabeleceu sobre eles inspetores de obras
para os oprimirem com trabalhos penosos e eles edificaram para
o Faraó as cidades dos armazéns de Pitom e Ramsés
(Êxodo 1-8-19). O novo rei que não conhecera José era
Ramsés II. Seu desconhecimento é perfeitamente
compreensível, porque José viveu séculos
antes dele e no tempo dos hicsos.
Os egípcios não nos transmitiram nem os nomes dos
odiados soberanos hicsos quanto mais de dignatários.
Portanto, a época de José e posteriormente de seus
irmãos no Egito é a época em que o país
esteve sob a denominação dos hicsos e quando esta
terminou, os israelitas que estavam na fértil terra de
Gessem foram feitos escravos pelo faraó que voltava ao
poder e resolvera construir as cidades armazéns.
Um egípcio que se prezasse tinha dois motivos para desdenhar
os israelitas, estes eram asiáticos e portanto desprezíveis “vagabundos
da areia” e teriam sido amigos dos invasores hicsos, o
que não representava recomendação para o
faraó.
Nos detalhes das inscrições arqueológicas
aparece um povo de pele clara vestido com tanga de linho e no
trabalho pesado da construção de tijolos os capatazes
de pele escura. Está claro que eles não estavam
ali de pura e espontânea vontade mas sim, sob um regime
de escravidão forçada. As duas cidades dos escravos,
uma era a antiga capital de Ecos, Abares, e pela nova política
internacional do Egito não era aconselhável a capital
em Tebas, muito distante do Delta, de onde os egípcios
poderiam controlar melhor a irrequieta Ásia e os domínios
de Canaã e da Síria.
De Avaris, a antiga terra dos irmãos de José, surgiu
Piton Ramsés Meir Aimon.
Se 4.000 anos a.C. já houvesse um registro de patentes
os egípcios poderiam ter registrado a invenção
dos silos. Os silos das fazendas americanas e canadenses ainda
hoje são construídos sob o mesmo princípio.
José mandou construir celeiros e os seus descendentes
construíram-nos como escravos da terra de Gessem.
Ramsés II deu muito trabalho aos arqueólogos, pois
por vaidade colocou o seu nome em todas as construções
do Egito.
Segundo o nosso conhecimento atual da topografia do Delta Oriental,
a narrativa do começo do Êxodo (Ex. 12-37 e 13-20) é absolutamente
exata topograficamente e a narrativa histórica também
da sua peregrinação nas regiões do Sinai,
Madiã e Cades. Até a data da saída do Egito,
por tanto tempo discutida, pode ser determinada hoje em 1290
a.C.
O tempo dos filhos de Israel no Egito foi de 450 anos. Moisés
era um hebreu nascido no Egito com um nome tipicamente egípcio
como era usado no país do Nilo.
Sendo Moisés já grande quando resolvera visitar
seus irmãos e viu sua aflição, razão
que fez com que matasse um capataz. Saiu da jurisdição
do Egito para Madiã, pois Canaã era terra ocupada
pelo Egito e a leste do Golfo de Ácaba ficava Madiã com
cujos habitantes tinha laços de parentesco pois era a
terra de Célera, mulher de Abrão após a
morte de Sara.
As pragas são comuns no Egito mas acontecem em diferentes épocas
do ano e a coincidência de terem surgido todas ao mesmo
tempo é intrigante para os historiadores.
Moisés conduziu seu povo pela região das minas
que começava em Menphis e passava junto à ponta
do Golfo.
Para uma caravana com muita gente e rebanhos 70 quilômetros
representava uma marcha de três dias sem encontrar água,
a água é salgada, sulfurosa e amarga diz a Bíblia.
As codornizes e o maná são inteiramente naturais
naquela região e não faltam escritores fidedignos
sobre sua existência.
Pode-se encontrar o sobrenatural em tudo isto? Com toda a certeza
sim!
As coincidências históricas e a naturalidade da
comunicação de Moisés com D-us no Monte
Sinai onde as Tábuas da Lei que até hoje fazem
parte dos códigos universais do mundo chamado civilizado
são prova disso.
O sobrenatural pode estar em qualquer parte, dentro e fora de
nós mesmos. E ele sempre será detectado como algo
superior e inexplicável para nossas inteligências,
mas muitas vezes captado pelo que de mais digno existe em cada
um de nós, “a nossa alma”.
Vamos estudar as coincidências e teremos um Pessach mais
rico e sua influência e percepção mais duradoura.
Vamos conhecer melhor o nosso eu.
* Edda Bergmann é vice-presidente internacional da B’nai
B’rith.