Visão Judaica - Edição N° 22
:.Pessach: Uma visão histórica e universal.:

Por:Edda Bergmann *

A Hagadá de Pessach que foi escrita muitos anos mais tarde se inicia com um relato histórico da maior importância.
“ Entretanto levantou-se no Egito um novo rei que não conhecera José”. Estabeleceu sobre eles inspetores de obras para os oprimirem com trabalhos penosos e eles edificaram para o Faraó as cidades dos armazéns de Pitom e Ramsés (Êxodo 1-8-19). O novo rei que não conhecera José era Ramsés II. Seu desconhecimento é perfeitamente compreensível, porque José viveu séculos antes dele e no tempo dos hicsos.
Os egípcios não nos transmitiram nem os nomes dos odiados soberanos hicsos quanto mais de dignatários.
Portanto, a época de José e posteriormente de seus irmãos no Egito é a época em que o país esteve sob a denominação dos hicsos e quando esta terminou, os israelitas que estavam na fértil terra de Gessem foram feitos escravos pelo faraó que voltava ao poder e resolvera construir as cidades armazéns.
Um egípcio que se prezasse tinha dois motivos para desdenhar os israelitas, estes eram asiáticos e portanto desprezíveis “vagabundos da areia” e teriam sido amigos dos invasores hicsos, o que não representava recomendação para o faraó.
Nos detalhes das inscrições arqueológicas aparece um povo de pele clara vestido com tanga de linho e no trabalho pesado da construção de tijolos os capatazes de pele escura. Está claro que eles não estavam ali de pura e espontânea vontade mas sim, sob um regime de escravidão forçada. As duas cidades dos escravos, uma era a antiga capital de Ecos, Abares, e pela nova política internacional do Egito não era aconselhável a capital em Tebas, muito distante do Delta, de onde os egípcios poderiam controlar melhor a irrequieta Ásia e os domínios de Canaã e da Síria.
De Avaris, a antiga terra dos irmãos de José, surgiu Piton Ramsés Meir Aimon.
Se 4.000 anos a.C. já houvesse um registro de patentes os egípcios poderiam ter registrado a invenção dos silos. Os silos das fazendas americanas e canadenses ainda hoje são construídos sob o mesmo princípio.
José mandou construir celeiros e os seus descendentes construíram-nos como escravos da terra de Gessem.
Ramsés II deu muito trabalho aos arqueólogos, pois por vaidade colocou o seu nome em todas as construções do Egito.
Segundo o nosso conhecimento atual da topografia do Delta Oriental, a narrativa do começo do Êxodo (Ex. 12-37 e 13-20) é absolutamente exata topograficamente e a narrativa histórica também da sua peregrinação nas regiões do Sinai, Madiã e Cades. Até a data da saída do Egito, por tanto tempo discutida, pode ser determinada hoje em 1290 a.C.
O tempo dos filhos de Israel no Egito foi de 450 anos. Moisés era um hebreu nascido no Egito com um nome tipicamente egípcio como era usado no país do Nilo.
Sendo Moisés já grande quando resolvera visitar seus irmãos e viu sua aflição, razão que fez com que matasse um capataz. Saiu da jurisdição do Egito para Madiã, pois Canaã era terra ocupada pelo Egito e a leste do Golfo de Ácaba ficava Madiã com cujos habitantes tinha laços de parentesco pois era a terra de Célera, mulher de Abrão após a morte de Sara.
As pragas são comuns no Egito mas acontecem em diferentes épocas do ano e a coincidência de terem surgido todas ao mesmo tempo é intrigante para os historiadores.

Moisés conduziu seu povo pela região das minas que começava em Menphis e passava junto à ponta do Golfo.
Para uma caravana com muita gente e rebanhos 70 quilômetros representava uma marcha de três dias sem encontrar água, a água é salgada, sulfurosa e amarga diz a Bíblia.
As codornizes e o maná são inteiramente naturais naquela região e não faltam escritores fidedignos sobre sua existência.
Pode-se encontrar o sobrenatural em tudo isto? Com toda a certeza sim!
As coincidências históricas e a naturalidade da comunicação de Moisés com D-us no Monte Sinai onde as Tábuas da Lei que até hoje fazem parte dos códigos universais do mundo chamado civilizado são prova disso.
O sobrenatural pode estar em qualquer parte, dentro e fora de nós mesmos. E ele sempre será detectado como algo superior e inexplicável para nossas inteligências, mas muitas vezes captado pelo que de mais digno existe em cada um de nós, “a nossa alma”.
Vamos estudar as coincidências e teremos um Pessach mais rico e sua influência e percepção mais duradoura.
Vamos conhecer melhor o nosso eu.

* Edda Bergmann é vice-presidente internacional da B’nai B’rith.

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