Por: Yossef Dubrawsky
A leitura da Hagadá, em Pessach, sempre foi direcionada
principalmente para as crianças, procurando chamar sua
atenção para a os fatos narrados e os detalhes
do Seder.
A Hagadá nos traz os quatro tipos de personalidades que
nossos filhos podem apresentar (e o tipo de educação
que vão necessitar): o sábio, o perverso, o simples
e aquele que não sabe perguntar.
Porém há um filho que não é mencionado
na Hagadá, pela simples razão de que é o
ausente. Entre os outros quatro filhos, mesmo o perverso está presente,
e a vida judaica que está à sua volta é uma
esperança de tornar-se também consciente da verdade
de Torá e mitsvot.
Esse filho ausente não pode ser considerado apenas como
resultado da modernidade e do apego aos valores materiais. Tem
raízes mais profundas em nossa história.
Nossos antepassados, vencendo perseguições e sofrimentos
encontraram no caminho da imigração uma esperança
de um futuro melhor. Porém, para muitos deles, isso teve
um preço muito alto para a vida espiritual de seus descendentes.
Chegando a um novo mundo, um ambiente desafiador para quem vinha
de pequenas comunidades de intensa vida judaica, quiseram poupar
seus filhos dos conflitos entre o mundo material e o espiritual.
As concessões foram se tornando cada vez maiores, levando
infelizmente à assimilação. Procuravam justificativas
para deixar a vivência judaica em detrimento das aparentes
facilidades da vida material. Dessa maneira esperavam assegurar-lhes
um bom entrosamento no novo ambiente; mas a tão sonhada
liberdade transformou-se em escravidão aos costumes alheios
ao judaísmo.
Apesar de serem escravos no Egito, uma minoria oprimida, os judeus
preservaram com orgulho suas tradições, costumes
e fé, o que manteve sua identidade como um povo, assegurando
a libertação de qualquer forma de tirania, seja
ela física ou espiritual.
Pessach é também a festa da esperança, de
promessas cumpridas. Temos certeza de que através de Ahavat
Yisrael (amor ao próximo judeu), até mesmo esta
geração que muitos pessimistas consideram “perdida”,
pode ser trazida em retorno para D-us e Torá, tornando-se
não só um dos quatro filhos, mas um “filho
sábio”.
Desejamos que a reunião de todos os judeus das “tribos
perdidas de Yisrael” à mesa do Seder nos traga,
logo em nossos dias, a completa redenção de nosso
povo com a vinda de Mashiach.
(Baseado em uma carta do Rebe de Lubavitch, 11 de Nissan de 5717)
* Yossef Dubrawsky é rabino do Beit Chabad
de Curitiba.