Visão Judaica - Edição N° 22
:. O quinto filho.:

Por: Yossef Dubrawsky

A leitura da Hagadá, em Pessach, sempre foi direcionada principalmente para as crianças, procurando chamar sua atenção para a os fatos narrados e os detalhes do Seder.
A Hagadá nos traz os quatro tipos de personalidades que nossos filhos podem apresentar (e o tipo de educação que vão necessitar): o sábio, o perverso, o simples e aquele que não sabe perguntar.
Porém há um filho que não é mencionado na Hagadá, pela simples razão de que é o ausente. Entre os outros quatro filhos, mesmo o perverso está presente, e a vida judaica que está à sua volta é uma esperança de tornar-se também consciente da verdade de Torá e mitsvot.
Esse filho ausente não pode ser considerado apenas como resultado da modernidade e do apego aos valores materiais. Tem raízes mais profundas em nossa história.
Nossos antepassados, vencendo perseguições e sofrimentos encontraram no caminho da imigração uma esperança de um futuro melhor. Porém, para muitos deles, isso teve um preço muito alto para a vida espiritual de seus descendentes. Chegando a um novo mundo, um ambiente desafiador para quem vinha de pequenas comunidades de intensa vida judaica, quiseram poupar seus filhos dos conflitos entre o mundo material e o espiritual.
As concessões foram se tornando cada vez maiores, levando infelizmente à assimilação. Procuravam justificativas para deixar a vivência judaica em detrimento das aparentes facilidades da vida material. Dessa maneira esperavam assegurar-lhes um bom entrosamento no novo ambiente; mas a tão sonhada liberdade transformou-se em escravidão aos costumes alheios ao judaísmo.
Apesar de serem escravos no Egito, uma minoria oprimida, os judeus preservaram com orgulho suas tradições, costumes e fé, o que manteve sua identidade como um povo, assegurando a libertação de qualquer forma de tirania, seja ela física ou espiritual.
Pessach é também a festa da esperança, de promessas cumpridas. Temos certeza de que através de Ahavat Yisrael (amor ao próximo judeu), até mesmo esta geração que muitos pessimistas consideram “perdida”, pode ser trazida em retorno para D-us e Torá, tornando-se não só um dos quatro filhos, mas um “filho sábio”.
Desejamos que a reunião de todos os judeus das “tribos perdidas de Yisrael” à mesa do Seder nos traga, logo em nossos dias, a completa redenção de nosso povo com a vinda de Mashiach.
(Baseado em uma carta do Rebe de Lubavitch, 11 de Nissan de 5717)

* Yossef Dubrawsky é rabino do Beit Chabad de Curitiba.

 


Voltar