Por:Nahum Sirotsky
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De Israel — Óbvio que estamos acompanhando as confusões
políticas no Brasil. Mas, aqui, no Oriente Médio,
existem sinais preocupantes. Existiam informações
de que os egípcios assumiriam a manutenção
da ordem da Faixa de Gaza quando dela fossem retirados colonos
judeus e a tropa de Israel. Mubarak, o presidente egípcio
no poder, nega e acaba de dizer que não topa a missão. É decisão
de grandes conseqüências. Até acredito que
aí em Casa, nem se atente para a crise aqui. Temos demais.
Porém, as minorias em posição de comando
precisam saber. No nosso mundo, como já foi lembrado,
mariposa bate as asas na China e escala num tufão no Texas.
Se a crise da Argentina com o FMI se aprofunda, vai doer no Brasil.
A globalização é maquiavélica. O
ruim vem instantaneamente, o bom em etapas.
Acontece que Bush não tenta apenas pacificar o Iraque.
Ele quer democracias no Oriente Médio no lugar do autoritarismo,
ditaduras e monarquias. Mubarak, o grande aliado americano no
mundo árabe, responde que o plano americano de reformas
políticas “não terá sucesso, resultará em
anarquia na região e, em qualquer hipótese, nada
pode dar certo sem a solução do conflito israelense-palestino”.
E mais “que os americanos parece que não entendem
que tudo que vier de fora será rejeitado pelos nossos
povos. Haverá confusão do Marrocos ao Paquistão.
Os terroristas se aproveitarão e atacarão aqui,
na Europa e nos Estados Unidos”.
No fim de março os líderes árabes se reúnem
em Tunis, Tunísia, para responderem em conjunto a iniciativa
americana. Em abril Mubarak vai a Bush explicar as decisões árabes
Os povos árabes acompanham pela televisão árabe
o que acontece no conflito com Israel. Não há ambiente
para iniciativa alguma que pareça simpática aos
judeus.
Não há nem sombra de entendimento entre israelenses
e palestinos. Na zona de Gaza só piora. Sharon anuncia
que quer sair de Gaza. Como parte de medidas de solução
unilateral do conflito. Arafat, que deveria estar pressionando
por retomada de negociações, quer tropas internacionais
separando os lados. Ninguém se movimenta no sentido da
paz.
Mubarak, do Egito, em conversa com Le Figaro, diário de
Paris, acaba de afirmar que “cabe à Autoridade Palestina
a segurança e tranqüilidade em Gaza. Eles precisam
dos meios para isto”. Mubarak confessa o receio que se
mandar forças haverá a possibilidade de que se
choquem com elementos palestinos. E mais, se houver problema ”poderemos
nos ver em conflito com os israelenses”. Concordou, indiretamente,
que é confuso o ambiente em Gaza. O que teme pode acontecer.
Existe o rumor, de fontes de um agência de origem evangélica,
de que o Hamas, o mais poderoso e organizado grupo fundamentalista
palestino, responsável pela maioria dos ataques de homens-bomba
a Israel, e ultimamente, desenvolvendo mísseis Kassam,
que projeta sobre centros urbanos em Israel, até agora
sem sucesso, treina e cria força regular para tomar o
poder em Gaza se, e quando Sharon tirar sua tropa e colonos.
Fala-se em 20 mil homens. O general Yalon, comandante em chefe
das Forças Armadas de Israel, prevê que a simples
hipótese de retirada de sua gente faz aumentar os ataques
palestinos. Sair de Gaza, deixando a impressão de retirada
sob fogo, só aumentará a audácia das forças
extremistas, insiste.
Mubarak quer tranqüilidade. Bush quer evitar escalada de
violência entre israelenses e palestinos pelo menos até depois
das eleições gerais americanas, no fim do ano,
que pretende vencer.
As eleições americanas podem ser decididas pelos
acontecimentos no Oriente Médio. Entendem, a globalização?
* Nahum Sirotsky é jornalista, correspondente da RBS em
Israel e colunista do Último Segundo/IG. A publicação
desta coluna tem a autorização do autor.