Visão Judaica - Edição N° 22
:. Mubrak dá aulas de política .:

Por:Nahum Sirotsky *

De Israel — Óbvio que estamos acompanhando as confusões políticas no Brasil. Mas, aqui, no Oriente Médio, existem sinais preocupantes. Existiam informações de que os egípcios assumiriam a manutenção da ordem da Faixa de Gaza quando dela fossem retirados colonos judeus e a tropa de Israel. Mubarak, o presidente egípcio no poder, nega e acaba de dizer que não topa a missão. É decisão de grandes conseqüências. Até acredito que aí em Casa, nem se atente para a crise aqui. Temos demais. Porém, as minorias em posição de comando precisam saber. No nosso mundo, como já foi lembrado, mariposa bate as asas na China e escala num tufão no Texas. Se a crise da Argentina com o FMI se aprofunda, vai doer no Brasil. A globalização é maquiavélica. O ruim vem instantaneamente, o bom em etapas.
Acontece que Bush não tenta apenas pacificar o Iraque. Ele quer democracias no Oriente Médio no lugar do autoritarismo, ditaduras e monarquias. Mubarak, o grande aliado americano no mundo árabe, responde que o plano americano de reformas políticas “não terá sucesso, resultará em anarquia na região e, em qualquer hipótese, nada pode dar certo sem a solução do conflito israelense-palestino”. E mais “que os americanos parece que não entendem que tudo que vier de fora será rejeitado pelos nossos povos. Haverá confusão do Marrocos ao Paquistão. Os terroristas se aproveitarão e atacarão aqui, na Europa e nos Estados Unidos”.
No fim de março os líderes árabes se reúnem em Tunis, Tunísia, para responderem em conjunto a iniciativa americana. Em abril Mubarak vai a Bush explicar as decisões árabes Os povos árabes acompanham pela televisão árabe o que acontece no conflito com Israel. Não há ambiente para iniciativa alguma que pareça simpática aos judeus.
Não há nem sombra de entendimento entre israelenses e palestinos. Na zona de Gaza só piora. Sharon anuncia que quer sair de Gaza. Como parte de medidas de solução unilateral do conflito. Arafat, que deveria estar pressionando por retomada de negociações, quer tropas internacionais separando os lados. Ninguém se movimenta no sentido da paz.
Mubarak, do Egito, em conversa com Le Figaro, diário de Paris, acaba de afirmar que “cabe à Autoridade Palestina a segurança e tranqüilidade em Gaza. Eles precisam dos meios para isto”. Mubarak confessa o receio que se mandar forças haverá a possibilidade de que se choquem com elementos palestinos. E mais, se houver problema ”poderemos nos ver em conflito com os israelenses”. Concordou, indiretamente, que é confuso o ambiente em Gaza. O que teme pode acontecer.
Existe o rumor, de fontes de um agência de origem evangélica, de que o Hamas, o mais poderoso e organizado grupo fundamentalista palestino, responsável pela maioria dos ataques de homens-bomba a Israel, e ultimamente, desenvolvendo mísseis Kassam, que projeta sobre centros urbanos em Israel, até agora sem sucesso, treina e cria força regular para tomar o poder em Gaza se, e quando Sharon tirar sua tropa e colonos. Fala-se em 20 mil homens. O general Yalon, comandante em chefe das Forças Armadas de Israel, prevê que a simples hipótese de retirada de sua gente faz aumentar os ataques palestinos. Sair de Gaza, deixando a impressão de retirada sob fogo, só aumentará a audácia das forças extremistas, insiste.
Mubarak quer tranqüilidade. Bush quer evitar escalada de violência entre israelenses e palestinos pelo menos até depois das eleições gerais americanas, no fim do ano, que pretende vencer.
As eleições americanas podem ser decididas pelos acontecimentos no Oriente Médio. Entendem, a globalização?
* Nahum Sirotsky é jornalista, correspondente da RBS em Israel e colunista do Último Segundo/IG. A publicação desta coluna tem a autorização do autor.


 

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