Visão Judaica - Edição N° 22
:. crítica árabe aos atentados suicidas.:

No jornal egípcio “Al Shark El Awsat” a jornalista Mona El Tjawi [1] criticou abertamente os atentados suicidas e o uso de mulheres por parte das organizações terroristas.
Num artigo publicado dia 25 de janeiro ela escreveu que desta forma, a mensagem do Hamas aos palestinos é reforçar a idéia de que as mulheres não valem nada. A jornalista expressa sua preocupação ante a impossibilidade de avivar um debate no seio da sociedade palestina sobre o inútil e imoral estímulo ao sacrifício de meninos para auto-imolação. Também destaca que se opõe aos atentados suicidas em todas suas formas e que até agora o envio de suicidas nunca havia envolvido crianças.
Do seu ponto de vista, o atentado que Al Riashi [2] realizou não servirá como apoio aos trabalhadores palestinos, como justificou o Hamas, mas só os prejudica mais ainda. Após o atentado, Israel fechou a passagem de Erez e isso deixou os operários jogados à sua sorte. Assim mesmo, a jornalista pede ao povo palestino para superar suas dúvidas e negar-se claramente a este fenômeno espantoso.
Num outro artigo de 8 de fevereiro, a mesma jornalista se estendeu em sua crítica e explica que se os palestinos querem derrotar Israel, deverão viver e não morrer. Também reflexiona acerca da impossibilidade do governo palestino em entender que é sua responsabilidade coroar como
heróis aos que permanecem com vida apesar de todas as dificuldades, e não aos que se sacrificam. Mona El Tjawi vai além: Que os mais de 100 atentados suicidas não trouxeram ao povo palestino nenhum beneficio. Ainda assim, agrega também que os dirigentes palestinos só dizem a verdade a seu público só depois que renunciam. Como exemplo cita o caso de Mohamed Dahlan que, só depois de renunciar, declarou que a situação dos palestinos era melhor antes da Intifada. Na mesma nota a jornalista destaca que muitos leitores lhe enviaram cartas carregadas de ódio em resposta ao seu artigo anterior, no qual se manifestou contrária a suicida Al Raishi, se bem que escolheu resumir as reações dos leitores que a apoiaram, um da Arábia Saudita e o outro da França.
Resumindo: Nestes artigos ela também critica Israel e a "política de conquista", mas aos leitores fica bem claro que a mensagem principal é o repudio aos atentados suicidas.
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[1] Jornalista egípcia radicada em Nova York. Trabalhou como correspondente da Reuters no Cairo e como representante desta agência de notícias em Jerusalém durante um ano.
[2] Primeira mulher suicida palestina que se matou em nome do Hamas, em fevereiro de 2004. Tinha filhos.

 


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