No jornal egípcio “Al Shark El Awsat” a jornalista Mona
El Tjawi [1] criticou abertamente os atentados suicidas e o uso de mulheres
por parte das organizações terroristas.
Num artigo publicado dia 25 de janeiro ela escreveu que desta forma, a mensagem
do Hamas aos palestinos é reforçar a idéia de que as
mulheres não valem nada. A jornalista expressa sua preocupação
ante a impossibilidade de avivar um debate no seio da sociedade palestina
sobre o inútil e imoral estímulo ao sacrifício de meninos
para auto-imolação. Também destaca que se opõe
aos atentados suicidas em todas suas formas e que até agora o envio
de suicidas nunca havia envolvido crianças.
Do seu ponto de vista, o atentado que Al Riashi [2] realizou não servirá como
apoio aos trabalhadores palestinos, como justificou o Hamas, mas só os
prejudica mais ainda. Após o atentado, Israel fechou a passagem de
Erez e isso deixou os operários jogados à sua sorte. Assim
mesmo, a jornalista pede ao povo palestino para superar suas dúvidas
e negar-se claramente a este fenômeno espantoso.
Num outro artigo de 8 de fevereiro, a mesma jornalista se estendeu em sua
crítica e explica que se os palestinos querem derrotar Israel, deverão
viver e não morrer. Também reflexiona acerca da impossibilidade
do governo palestino em entender que é sua responsabilidade coroar
como
heróis aos que permanecem com vida apesar de todas as dificuldades,
e não aos que se sacrificam. Mona El Tjawi vai além: Que os
mais de 100 atentados suicidas não trouxeram ao povo palestino nenhum
beneficio. Ainda assim, agrega também que os dirigentes palestinos
só dizem a verdade a seu público só depois que renunciam.
Como exemplo cita o caso de Mohamed Dahlan que, só depois de renunciar,
declarou que a situação dos palestinos era melhor antes da
Intifada. Na mesma nota a jornalista destaca que muitos leitores lhe enviaram
cartas carregadas de ódio em resposta ao seu artigo anterior, no qual
se manifestou contrária a suicida Al Raishi, se bem que escolheu resumir
as reações dos leitores que a apoiaram, um da Arábia
Saudita e o outro da França.
Resumindo: Nestes artigos ela também critica Israel e a "política
de conquista", mas aos leitores fica bem claro que a mensagem principal é o
repudio aos atentados suicidas.
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[1] Jornalista egípcia radicada em Nova York. Trabalhou como correspondente
da Reuters no Cairo e como representante desta agência de notícias
em Jerusalém durante um ano.
[2] Primeira mulher suicida palestina que se matou em nome do Hamas, em fevereiro
de 2004. Tinha filhos.