Origem e história dos judeus etíopes remonta aos tempos do
rei Salomão
Por quase 3.000
anos, os judeus negros da Etiópia, conhecidos
como falashas e que se auto-denominam “Beta Israel” mantiveram
sua fé e identidade lutando contra a fome, a seca e as
guerras tribais. Acredita-se que eles faziam parte de uma das
dez tribos perdidas, seus ancestrais remontando ao rei Salomão
e à rainha de Sheba (Sabá).
Em maio de 1991, os falashas protagonizaram um êxodo milagroso.
Com a Etiópia envolvida em profunda e brutal guerra civil,
14.200 membros dessa comunidade foram transportados de avião
para Jerusalém pelas Forças de Defesa de Israel.
Toda a operação de salvamento durou 25 horas.
O herói que idealizou e organizou o incrível resgate
foi o então embaixador de Israel na Etiópia, Asher
Naim. A epopéia foi narrada no livro Saving the lost tribe
(Salvando a tribo perdida), no qual Naim relata com humor e conhecimento
de causa a ação que se tornou conhecida como Operação
Salomão.
No outono de 1990, quando foi nomeado pelo governo israelense
para o cargo de embaixador em Adis Abeba, sua identificação
com os judeus etíopes foi imediata. Ele queria dar continuidade à chamada
Operação Moisés, iniciada em 1985 pelos
israelenses com o apoio dos norte-americanos e que durante três
anos, tentou tirar do país dezenas de milhares de falashas
através do Sudão, levando-os de barco para Israel.
O sucesso daquela operação foi relativo, pois na época,
só oito mil pessoas conseguiram fugir; o restante adoeceu
na viagem e muitos voltaram à Etiópia. Muitas famílias
foram, assim, separadas.
História dos falashas
Em 1860, missionários britânicos que viajavam pela
Etiópia foram os primeiros ocidentais a encontrar a tribo
dos falashas, ficando surpresos ao ver as faces queimadas com
traços semitas e que praticavam o judaísmo. Os
membros dessa comunidade observavam o shabat e mantinham rígidas
leis rituais da forma como estão descritas na Torá.
Pouco tempo depois, o estudioso judeu Joseph Halevy decidiu conhecê-los
pessoalmente. Seria possível que esses judeus fossem parte
de uma das tribos de Israel, perdidas há muito, foragidas
durante as destruições do Primeiro ou Segundo Templo?
Halevy foi recebido com curiosidade e desconfiança pelos
nativos, que lhe perguntavam: O senhor, judeu? Como pode ser
judeu? O senhor é branco!
Mas quando Halevy mencionou a palavra Jerusalém, todos
se convenceram. Os falashas haviam sido separados de outros judeus
por milhares de anos. Nenhum deles jamais saíra de seus
vilarejos. No entanto, todos acalentavam um grande sonho, vindo
de gerações passadas: voltar para Jerusalém.
Os judeus da Etiópia sofriam as mesmas discriminações
que os demais, na diáspora.
No início de 1970, havia um grupo organizado dos Beta-Israel
que queria emigrar para Israel, apesar de seus membros ainda
não serem considerados judeus àquela época,
não tinham, portanto, direito a fazer aliá (imigração).
Uma centena de falashas já vivia em Israel, onde começou
um movimento liderado por um iemenita judeu nascido na Etiópia,
Ovadia de Tzahala, que fizera aliá em 1930 e que tinha
parentes entre os falashas. Por isso, pressionava-os a emigrar
para Israel.
Operação Salomão
Em 1990, enquanto as forças rebeldes avançavam
contra o ditador etíope Mengistu Haile Mariam (conhecido
como o açougueiro de Adis), foi ficando claro que os falashas
seriam exterminados, a não ser que conseguissem deixar
o país pois eram muito discriminados. Asher Naim, excelente
mediador, trabalhou em vários campos simultaneamente.
Negociava com Mengistu, coordenava logística e estratégias
com os militares israelenses e arrecadava doações,
freneticamente, através de contatos nos Estados Unidos.
No dia 23 de maio de 1991, decidiu que havia chegado a hora de
convocar a Força Aérea Israelense: a Operação
Salomão devia começar imediatamente. O ditador
Mengistu aceitara as condições, mediante pagamento
em espécie e impondo segredo absoluto.
Diante da embaixada israelense, milhares de falashas se acotovelavam,
prontos para partir. Os primeiros aviões israelenses aterrissaram
no aeroporto de Adis Abeba e uma equipe de comandantes muito
bem preparados se posicionou para proteger a missão a
qualquer custo.
No total, em pouco mais de um dia, 14.200 emigrantes foram levados
para o aeroporto Ben-Gurion, em Tel Aviv. Trinta e cinco aviões
militares e civis fizeram 41 vôos. Em um dado momento,
havia 28 aviões no ar. Um dos Jumbos, que normalmente
poderia levar 500 passageiros, transportou de uma só vez
1.087 pessoas, num feito anotado no livro de recordes Guinness.
Para Asher Naim, o resgate dos judeus etíopes foi de importância
vital. Ele queria liberar seus irmãos de um ditador tirano
e assim assegurar a sobrevivência dessa tribo. Ajudando
os falashas a voltar para Jerusalém, Naim chegou a um
novo e profundo entendimento do verdadeiro significado de fé,
de identidade e da luta para superar as adversidades. No seu
livro, cita uma frase de Bernard Raskas: “D-us não
quer que façamos coisas extraordinárias. Ele quer
que façamos coisas simples, de forma extraordinária...”
Em Israel, a adaptação dos imigrantes não
foi fácil. A maioria era muito jovem e sem cultura nenhuma,
e no princípio sofreram desconfiança e rejeição
por parte de alguns por causa de sua cor. Mas vários institutos
têm desenvolvido projetos especiais de educação
intensiva para as crianças, como por exemplo, a escola
Beth Zipora, no sul de Israel. Esse programa foi implantado por
Elie Wiesel e ministra cursos de inglês e computação.
O sonho dos judeus etíopes é formar líderes,
médicos, engenheiros e até generais. Tão
logo desembarcaram, o governo israelense fez campanhas para angariar
fundos para sua absorção e sobrevivência,
a fim de não deixá-los voltar ao mesmo ciclo de
empobrecimento, amargura e desespero de seu passado na África.
Nota sobre o autor:
Asher Naim, diplomata israelense, serviu como adido cultural
no Japão e Estados Unidos e como embaixador na ONU,
Finlândia, Coréia do Sul e Etiópia. Ele é o
criador do Fundo de Bolsas de Estudos para Judeus Etíopes
e arrecada verbas para que os membros desta comunidade possam
ter uma educação de nível superior nas
universidades israelenses.
Os presentes artigos
foram pesquisados e editados com base no material colhido nos
sites do Beit Chabad
do Brasil
(www.chabad.org),
da Revista Morashá de março de 2003 (www.morasha.com.br)
Enciclopaedya Philtar (http://www.philtar.ucsm.ac.uk/encyclopedia/judaism/falash.html)
e Enigmas da Humanidade (www.enigmas.hpg.ig.com.br)