Por: Sérgio
Rosvald Donaire (Jochanan Saphir ben Avraham) *
O que a Segunda Lei da Termodinâmica tem a ver com D-us
e com a ética judaica?
Ora, meus amigos, se vocês também não lembram
muito bem daquela Lei, não se preocupem, fiz cursinho
há uns 15 anos, também não lembro totalmente.
Vamos recordar
os princípios básicos e o relacionamento disto
com a vida; com o modo de vida judaico, mais particularmente.
E, com isso, nossa relação com D-us, B"H.
Imagine uma pedra caindo. Ela possui Energia Potencial (pela
sua posição, sua altura do solo) e Cinética,
relacionada ao seu movimento. Quando se choca com o solo, converte
parte da energia de seu movimento em calor e desagregação,
neste caso, um desperdício, por assim dizer, uma energia
caótica, uma energia desorganizada.
O que quero propor aqui é que a forma como o Universo
está disposto, faz-nos acreditar que toda energia "organizada" tende
a se desorganizar. Hum... Agora você deve estar pensando:
Como explicar os processos que organizam a vida? Este é o
ponto no qual queremos refletir.
Vamos voltar às definições clássicas.
A Segunda Lei da Termodinâmica procura estudar as limitações
a que estão sujeitos os processos, determinando o sentido
em que ocorrem essas transformações, através
da função Entropia.
Entropia: quando ocorre uma transformação termodinâmica,
uma parte da energia é aproveitada e uma outra é desperdiçada,
em forma desorganizada e aparentemente inútil, conhecida
como energia térmica. A Entropia mede a "degradação" da
energia organizada para uma energia desorganizada.
Nos processos naturais (irreversíveis) a Entropia aumenta.
Se admitirmos que o Universo seja um sistema isolado, a Entropia
do Universo sempre aumentaria. (Conforme Fuke, Carlos e Kazuhito
- Os Alicerces da Física - 1ª edição
- Ed. Saraiva, 1988)
E nós, Yehudi, com isso? Vamos tentar imaginar se a vida é um
processo organizado ou desorganizado. O que você acha?
Talvez não sejam necessários muitos argumentos
para convencê-lo que os processos vitais são altamente
organizados, complexos, perfeitos, preparados, sábios,
por que não dizer? E quanto à criatividade? Bem,
então agora chegamos ao contraponto: os processos vitais,
em sua constituição, negam o aumento da Entropia
(que seria o aumento da "bagunça"). E isto está perfeitamente
de acordo com as leis de D-us.
Nos foi dado o livre-arbítrio. Nos foi dada a opção
de imitarmos nosso D-us, de auxiliarmos em sua Obra Criadora,
de sermos "realmente uma parte do D-us acima". "LeChaim"!
Viva a vida!
A noção de Entropia (e aqui não a estamos
desfazendo, e sim, buscando trazer um conceito da Física)
foi desenvolvida numa época em que a preocupação
dos cientistas era a de estudar as condições através
das quais o Calor pode ser convertido em Trabalho.
O quanto de seu Calor, digo, do Calor de seus pensamentos, do
Calor de seu coração, tem se convertido em Trabalho
Divino? Com seu trabalho, com sua imaginação bem
conduzida, com sua ação neste Mundo, podemos melhorá-lo.
Assim, com a sua criatividade aplicada, elevando este Mundo,
você estaria "negando" aquela lei do aumento
da Entropia (bagunça).
Entenda que tudo neste Mundo foi criado e está sob as
Leis de D-us, e as leis da matéria, as leis científicas,
não se opõem às leis morais, às leis
judaicas. Qualquer contradição aparente é um
ponto a desenvolvermos, pois como sabemos e acreditamos: "Ad'nai
Eloh'nu, Ad'nai Ech'd". (O Eterno é nosso D-us, o
Eterno é Um). O fato é que D-us não só criou
a matéria, mas o Homem, à sua semelhança.
Conforme revelado a nosso Patriarca, Avraham, Avinu, Z"L,
este abraçou a fé monoteísta, e construiu
uma nação, para glorificar e aumentar a luz de
D-us neste mundo.
A dualidade Energia organizada versus Entropia é apenas
uma outra forma de se colocar a questão do dualismo da
Criação. Isto não foi à toa. Há o
mundo "Olam" e há o Homem "Adam Kadmon".
Através dele, D-us quer que seja evitada a tendência
ao caos, a tendência de aumento da Entropia. "Yetzer
HaTov" sobrepujando "Yetzer Hará". A boa
inclinação superando a má inclinação.
Como dizia um nobre Físico: "D-us não joga
dados com o Universo".
Observe os fenômenos ao seu redor. As águas de um
rio movimentam-se devido a um desnível; o fluxo de água
pode ser utilizado para gerar Trabalho e mover turbinas de usinas
hidroelétricas ou mover moinhos. Você, meu amigo,
não deixe suas águas paradas, transforme-as em
Energia; é isto o que quer nos dizer a Natureza. Entretanto,
a mesma água, estando parada num lago, por exemplo, não é capaz
de gerar trabalho, pois não há fluxo. Aqui se vê outra
relação importante: a vida é fluxo, a vida é movimento.
Lembrando daquela outra definição: Trabalho é igual à Força
vezes o Deslocamento. Portanto: entre no movimento da vida, desloque-se,
provoque a mudança, transforme o mundo: "Tikun Olam",
conforme dizem nossos sábios.
Uma xícara de café quente deixada sobre a mesa,
esfria, isto é, entra em equilíbrio térmico
com o meio ambiente, e deixa de haver fluxo de calor do café para
o meio externo. Ao contrário disso, sejamos parte do fluxo
que vem de D-us, contribuamos para aquecer nossos semelhantes
e vice-versa.
Shalom.
* Sérgio Rosvald Donaire (Jochanan Saphir ben Avraham) é administrador
de empresas, auditor, consultor - Donaire Sistemas, é coordenador
do Grupo Yidish Surfers
http://br.groups.yahoo.com/group/Yidish_Surfers
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