Uma paz cada vez mais distante
O que leva uma pessoa armada com fuzil-metralhadora, granadas e cinturão-bomba a invadir uma escola religiosa — onde trabalhou como motorista — e, sem o menor resquício humano abrir fogo contra meninos que estudavam as escrituras sagradas, assassinando oito deles e ferindo mais de trinta? Essa cena dantesca ocorreu em Jerusalém, no seminário Merkaz Harav. A realidade, às vezes supera em grau a ficção, e o bárbaro crime só vai trazer, daqui para frente, mais dificuldades aos palestinos, desconfiança dos árabes-israelenses, e deixar o processo de paz mais distante de ser concretizado.
Voltemos à pergunta inicial: O que leva a isso? E também a uma outra indagação: Como conceber, em sã consciência, que após tal monstruoso ataque, em Gaza e no Líbano, festejem nas ruas com danças e distribuição de doces o derramamento de sangue de inocentes garotos? A resposta é... o ódio! A mesma repulsão depravada dos nazistas foi incorporada pelos palestinos, com o agravante, nesse caso, de possuir um componente mais doentio ainda: O fanatismo religioso, que chega às raias do absurdo de transformar terror em martírio.
Com a população do sul de Israel sendo bombardeada dia e noite, incessantemente, por mísseis lançados de Gaza, o que demonstra, por obviedade, que ali não faltam recursos, nem energia elétrica ou combustíveis, Israel teve que tomar medidas de prevenção e retaliativas para se defender e garantir a segurança de seu povo. Qualquer país faria isso e o mundo acharia justo. Mas não Israel. É nesse contexto, que a pseudo-esquerda, a direita, certo liberalismo e o islamismo extremista ficam profundamente indignados com autodefesa israelense. Para eles, sempre será desproporcional. Talvez esperem de Israel o mesmo dos judeus europeus que não tinham meios de defender-se das gangues nazistas, durante os anos 20 e 30.
Essas gangues eram amparadas por propagandistas a serviço de Goebbels. Hoje, há toda uma descendência dessa estirpe nos países árabes e no Irã, na televisão, nos jornais, nas revistas. Ensina-se o ódio aos judeus nos livros escolares didáticos, estimula-se a matança em programas infantis de TV, deformando-se a personalidade das crianças com o auxílio de personagens clonados da Disney e criando novas gerações de jovens assassinos com o infame mantra que prega “matar e morrer para atingir o paraíso das 70 virgens”. E em nome da religião deturpada martelam nos sermões as mesmas cantilenas nazistas contra os judeus, alimentando mais assassinos, como o dos oito garotos de Jerusalém.
E o cerco a Israel também se faz fora dele. O conflito do Oriente Médio chegou ao Salão do Livro de Paris, que está sendo boicotado pelo mundo árabe e mulçumano, já que esse ano tem Israel como homenageado do evento pelo 60º aniversário da criação do Estado Judeu. No dia 13/3 quando foi aberta pela ministra francesa de Cultura, Christine Albanel e pelo presidente israelense, Shimon Peres, o principal evento literário na França, os estandes destinados à Arábia Saudita, Líbano, Irã e Tunísia estavam vazios. O Salão do Livro reúne anualmente 200 mil visitantes e convidou 39 autores israelenses, entre eles grandes nomes da esquerda, muitos deles críticos da política atual do governo. Ainda assim, os árabes boicotaram o evento. Os responsáveis pelo Salão do Livro disseram que lamentam a não participação dos árabes, e assinalam que o evento é, antes de tudo, um acontecimento cultural e um local para diálogo.
A Redação