O que a imprensa árabe pensa sobre o Hamas           



 

Há uma tendência crescente em grande parte dos jornais de língua árabe, que estão cada vez mais publicando artigos e editoriais contra o Hamas. A opinião pública árabe está começando a conscientizar-se do fato de que o Hamas é prejudicial a muitos interesses básicos do povo palestino.
Dentre os temas que aparecem em artigos constantemente, pode-se citar:
- Culpa do Hamas pelo sofrimento do povo palestino na Faixa de Gaza;
- Influência iraniana sobre o Hamas é condenada;
- Protestos contra os planos do Hamas de estabelecer um califado islâmico em Gaza;
- Tentar provocar Israel a atacar Gaza;
- Denunciar o golpe do Hamas contra a Autoridade Nacional Palestina;
A seguir alguns exemplos:
Al-Watan
Num artigo intitulado: “Quem jogou Gaza na escuridão?”, publicado no jornal diário do Qatar, Al-Watan, de 27 de janeiro de 2008, o conhecido repórter e comentarista, Abdallah al-Khadlaq, ataca duramente o Hamas, taxando-o consistentemente de organização terrorista ao longo do artigo, e declarando enfaticamente que o Hamas sozinho é o verdadeiro inimigo do povo palestino, unicamente responsável pela miséria da população civil em Gaza. “Os terroristas atacam Israel e deixam a população de Gaza pagar o preço, vestindo-os com luto. O povo em Gaza continua a sofrer. É claro que não haverá nenhum progresso nas conversações de paz, sem cortar os laços militares, ideológicos, políticos e financeiros entre o Hamas, a entidade persa (iraniana) em Teerã, e o regime Baath de Damasco, como também o movimento terrorista Hezbolá. O lançamento de foguetes executados por ordens iranianas contra Israel deve parar”.
Abdallah al-Khadlaq acusa o Hamas de operar sob ordens de Teerã, como “agente dos persas (iranianos)”, e obstinadamente bloquear qualquer esperança de paz como pagamento dos milhões de dólares que o regime iraniano coloca em Gaza.  
Al-Khadlaq conclui declarando que: “Acho que devemos desculpas ao Exército de Israel por usar a força contra o Hamas, já que esta é a única linguagem que eles entendem”.
No website Al-Watan, o jornalista defende o direito de Israel à autodefesa. Ele escreve: "Após o escalada da violência na fronteira com a Faixa de Gaza, onde o movimento terrorista (sic) do Hamas governa, e de onde eles lançam foguetes e bombas contra Sderot  e outras cidades com o propósito de matar civis inocentes; mulheres, crianças e idosos, Israel não tinha escolha a não ser atacar a organização terrorista Hamas para evitar que esta organização continue a lançar foguetes indiscriminadamente inclusive contra a cidade de Ashkelon. Israel tem o direito de perseguir os líderes do Hamas e, neste processo mantém seu direito de autodefesa".
Al-Khadlaq culpa o Irã por todos os problemas no Oriente Médio: "O denominador comum de todos os problemas no Oriente Médio, como a tomada da Faixa de Gaza pela organização terrorista (sic) Hamas, e as tentativas da organização terrorista Hezbolá, de controlar o Líbano, é a entidade persa em Teerã, que como é sabido, financia as organizações terroristas".
"O que aconteceria se organizações terroristas como os Guardas Revolucionários do Irã, conseguissem armas nucleares? Não há dúvidas de que (eles) tentariam forçar seu regime extremista e fundamentalista sobre cada sociedade humana e continuar a apoiar as organizações terroristas ao redor do mundo". Al-Khadlaq acredita que ainda há tempo de evitar que o Irã obtenha armas nucleares e conclama a comunidade internacional a deter o Irã na execução de  seus desígnios maléficos.
Al-Khadlaq reitera "Israel tem o direito de se defender e de defender seus cidadãos e de ter soberania contra o Hamas, que recebe apoio do regime persa, militar e financeiramente". Ele também diz à comunidade internacional para "não criticar Israel se o país continuar a lutar contra o terrorismo persa, executado pelos terroristas do Hamas, desde que este, incitado pelo Irã, continue a lançar foguetes a partir da Faixa de Gaza contra residentes israelenses em Sderot, Ashkelon e outras cidades, e não criticar Israel por usar a força para defender seus cidadãos e seu território, mesmo se isto causar a total destruição da organização terrorista do Hamas, uma organização que recebe suas ordens de Teerã". E termina o artigo dizendo: "E, como sempre, Israel vencerá, independente de seu tamanho menor".
Al-Hayat
Al-Hayat, um importante jornal diário pan-árabe, em 4/3, através de Hazem Saghaya, jornalista e comentarista libanês, publicou o seguinte: "Gaza e o choro dos árabes", em que critica o Hamas por usar crianças em sua guerra contra Israel. Saghaya revisa a falta de reação árabe às atividades israelenses na Faixa de Gaza, em contraste com as reações da opinião pública árabe, e conclui que os movimentos políticos islâmicos perderam sua influência sobre a sociedade árabe.
O Hamas, de acordo com Saghaya, contribuiu para a islamização do conflito e é responsável por empurrar o conflito ao seu extremismo anti-racional atual. Saghaya ataca o Hamas por explorar e sacrificar crianças para seus próprios propósitos: "O sangue palestino é derramado em Gaza a um preço barato... Se sentimos pelos sacrifícios de civis e crianças, devemos ter ainda mais raiva do Hamas por usar crianças, da mesma maneira que Khomeini fazia durante a guerra contra o Iraque, quando ele armava crianças com granadas de mão, e as enviava para sua própria morte. Aqueles que exploram esse sangue para poder gritar: "Onde estão os árabes"? Estão mentindo para si mesmos ou mentindo para nós como forma de promover os planos do Irã e Damasco, e isso é um crime".
Asharq al-Awsat
Em um artigo no Asharq al-Awsat, o jornal diário saudita publicado em Londres, em 21 de janeiro de 2008, intitulado: “Quem é responsável – o Hamas ou Israel?”, o jornalista Abd a-Rahman a-Rashid escreve que a provocação de Israel pelo Hamas resultou em um desastre terrível para Gaza.
A-Rashid declara que o balanço do terror ameaçado pelo líder do Hamas, Khalid Mashal não é nada além de uma farsa, já que o Hamas não tem condições de confrontar Israel militarmente com sucesso.
A-Rashid conclui que é possível que o comportamento tolo do Hamas fará com que as forças israelenses entrem em Gaza novamente: “O Hamas agiu tolamente e prejudicou a si mesmo ao dar aos israelenses a oportunidade de atacar em retaliação por causa de alguns mísseis lançados, após cometer um crime maior contra o povo palestino, ao separar-se da Autoridade Palestina e tomar o poder (em Gaza). Os palestinos em Gaza já sofreram muito devido ao comportamento do Hamas, que fará com que os israelenses voltem à Gaza após esta ter sido liberta pelas forças palestinas”(?).