Os cinco anos de Visão, Pêssach e a esperada paz

Há exatos cinco anos atrás iniciávamos a trajetória do jornal Visão Judaica desenvolvendo um meio de comunicação com o objetivo de atender as necessidades da comunidade em termos de informação a temas relacionados aos judeus e a Israel, bem como ser útil a um crescente público de não-judeus, cada vez mais interessados em conhecer detalhes da fé judaica — quer seja por curiosidade, quer seja por estudo e pesquisa — e compreender melhor o que se passa no Oriente Médio. Para muitos isso é um enigma desconcertante. Quem acompanha o que ocorre naquela parte do mundo, ou sendo leitor de Visão Judaica, tem noções suficientes para concluir o que pode ser resumido em apenas duas palavras: intolerância e preconceito. Em sua jornada, o VJ cresceu, tem leitores em todo o Brasil e no exterior, possui um site na internet, talvez o maior repositório em língua portuguesa de artigos sobre Israel. Nessa caminhada encontramos o apoio de muitos e a insensibilidade de uns poucos. Felizmente, a maioria tem nos incentivado a prosseguir.
Visão Judaica nasceu, não por acaso, logo em seguida à célebre farsa de Jenin. Trata-se de um episódio que ficou conhecido como o “tiro no pé” dado pelo marketing palestino. Engendrou-se um plano destinado a transformar os israelenses em carrascos nazistas, bem ao gosto de certo esquerdismo radical, que adotou a cartilha fascista do anti-semitismo. Por algum tempo o mundo acreditou no embuste. A imprensa, enganada vergonhosamente, reproduzia tudo o que era forjado na fábrica de mentiras de Arafat e seus asseclas. Mas a justiça prevaleceu e a verdade veio à tona. Toda a história está registrada nesta edição no excepcional artigo ”A farsa de Jenin”. A indignação com a tentativa de demonizar, mais uma vez, os judeus, foi tanta, que um punhado de ativistas, com o apoio de outros mais, resolveu tocar adiante o projeto do jornal agora que chega seu ao seu quinto aniversário.
O jornal também surgiu às vésperas de Pêssach, uma das festividades mais importantes do judaísmo e que transcende a própria história do povo de Israel. Geração após geração, ao longo dos milênios, a saga dos escravos libertos do Egito, que vagaram 40 anos pelo deserto para retornar à terra de seus antepassados, é contada de pai para filho nas noites do Seder. Tudo está muito bem relatado, refletido e analisado numa série de artigos que estamos publicando também nesta edição comemorativa a Pêssach, com destaques especiais para os textos dos professores Sérgio Feldman, Jane Bichmacher de Glasman, e o do rabino Mordechai Kaczala, entre outros, que abordam questões e aspectos inéditos. É leitura obrigatória.
Pêssach, além dos significados de passagem e libertação, possui ainda a conotação de esperança. Como? Durante quatro séculos os judeus escravos no antigo Egito esperaram pelo dia da libertação, que aconteceu. Isso nos serve de lição para outro fato de importância capital na existência do povo judeu. Após a destruição do Tempo de Jerusalém e a dispersão forçada pelo império romano, durante dois mil anos almejamos pelo retorno. Que também aconteceu! E Israel aí está, a despeito das reiteradas tentativas de destruí-lo, e apesar das vociferações — e ações — dos Ahmadinejad, dos Hamas, dos Hezbolá, e daqueles que nos odeiam por morbidez. Israel está forte e continua dando exemplos ao mundo. E sua esperança de paz não fenece.
                                                                                                    A Redação