A farsa de Jenin

 

A história do plano que tentou incriminar Israel não resistiu a simples investigação

Talvez a farsa de Jenin, ocorrida em abril de 2002, tenha sido o mais emblemático fracasso de mídia da Autoridade Palestina. A AP mentiu e arrastou todos os seus aliados da comunidade internacional a uma trágica pantomima, com um dano irreparável à sua credibilidade.
Naqueles dias, a imprensa mundial mostrava assim os fatos: "JENIN - Massacre no campo de refugiados de Jenin. Última Hora. 9 de abril de 2002/Noite. IMC-Palestine. Mais de um terço das casas do campo foram destruídas... destruição total... dezenas de civis foram motos desta maneira. (...) O exército de ocupação israelense empregou grande número de tropas, assim como intenso potencial de fogo no campo de refugiados de Jenin, num esforço para dobrar a legítima resistência palestina. Disparam contra tudo o que esteja na rua, sejam vivos, feridos ou mortos. Trata-se de um massacre de palestinos, cujos cadáveres se contam às dezenas espalhados pelas ruas, casas, vielas, refúgios, etc...".
A farsa e a mentira dos incidentes naqueles dias chegaram a níveis inauditos:
NABLUS – A cidade antiga foi totalmente devastada. 9 de abril de 2002. Em Nablus e nos campos de refugiados circundantes o exército de Israel continua bombardeando as moradias da população civil com seus habitantes dentro (...) as ações do exército israelense, que tem cedido plenos poderes para o uso da tortura no desdobramento de suas operações (...) A situação da cidade antiga, nas palavras de um membro internacional na área é de TOTAL DEVASTAÇÃO. O grupo ao qual pertence o mencionado estrangeiro, que chegou à zona para apoiar as equipes médicas e de ambulâncias, declarou que o exército de Israel comunicou-lhes pessoalmente que disparariam se se atrevessem a mover-se (...) Os cadáveres permanecem lá onde caem — o exército israelense dispara inclusive naqueles que tentam retirá-los da rua — e hoje, vários dias depois do início dos ataques, há corpos que estão 5 dias abandonados e começam a ser devorados pelos cães (...) O exército de ocupação lança mensagens por alto-falantes colocados em todo lugar, dizendo o seguinte: ‘somos mais fortes que vocês — vocês são fracos — e não há ninguém aqui para ajudá-los’. Assim mesmo a Sociedade Palestina para a Proteção dos Direitos Humanos e o Meio Ambiente ‘afirmou não só que os soldados israelenses teriam cavado fossas comunais nas quais tinham sepultado cerca de 300 corpos, como haviam levado a cabo execuções seletivas no campo de refugiados e assassinaram combatentes palestinos quando estes tentavam render-se hoje e que “as escavadoras  passaram sobre os cadáveres e pessoas que estavam nas ruas”. A perturbação e a incitação da mídia chegaram a tal ponto que o correspondente da Antena3 TV, Carlos Hernández, referindo-se a Jenin chegou a mencionar a palavra "massacre" em uma de suas intervenções até 7 vezes, em menos de um minuto e meio.
A BBC, mais uma vez, acompanhou a simulação quase até a queda da encenação. Assinalava em seu noticiário em 7 de maio de 2002 o seguinte: "A ofensiva israelense durou oito dias. Morreram 23 soldados israelenses e dezenas de palestinos. Entre eles, segundo informes produzidos por organizações de direitos humanos internacionais, um elevado número de civis (...) O Comitê Internacional da Cruz Vermelha acusa Israel de ter cometido graves violações da Convenção de Genebra, pelo ‘uso excessivo e indiscriminado da força’ e por 'impedir o acesso de equipes médicas'(...) Segundo a organização Human Rights Watch, Israel cometeu violações sérias do direito humanitário internacional e alguns constituem em função disso, crimes de guerra". O enviado especial da ONU para o Oriente Médio, após visitar o campo assinalou que "Jenin foi palco de horrores que superam o entendimento humano. Moralmente é repugnante".
A farsa chegou a tal ponto que a Assembléia Geral das Nações Unidas solicitou formalmente ao seu secretario geral, Kofi Annan, que formasse uma Comissão e apresentasse um relatório sobre o ocorrido no acampamento de refugiados palestinos de Jenin. Diplomatas árabes patrocinaram a resolução da ONU dizendo que não podiam permitir que o tema de Jenin fosse omitido da agenda internacional. Entretanto, como a comissão formada não pode operar, Annan a dissolveu, com o que a ONU decepcionou a União Européia e os países árabes, que consideraram imprescindível esclarecer o acontecido em Jenin durante a ofensiva militar israelense, catalogada como "massacre da população palestina". Arafat e o porta-voz da AP, Saeb Erekat, pessoalmente fizeram parte da encenação: "um despacho da EFE em Gaza informou que a Autoridade Palestina considera que a dissolução da comissão da ONU que devia investigar o ocorrido no campo de refugiados de Jenin, é "uma autorização ao governo de Ariel Sharon para que continue sua agressão contra o povo palestino". Ante a desastrosa e parcial conduta da União Européia, num artigo publicado no New York Observer, o escritor Ron Rosenbaum falou da missão dos "euroidiotas" que tinham visitado as cidades palestinas de Nablus e Ramalah, em meio à ocupação israelense: "Os europeus estão dispostos a se tornar cúmplices, de novo, no assassinato de judeus". Um segundo Holocausto é pressentido no horizonte, centrado na destruição de Israel, e a Europa, patologicamente anti-semita, já se colocou do lado dos exterminadores". Outro colunista do The New York Times também qualificava de tolos os europeus, "por acudir em auxílio de Arafat".
Finalmente, de maneira quase silenciosa, a ONU emitiu um relatório, baseado em investigações isentas, negando que tivesse havido um "massacre" em Jenin e cifrou em 52 os palestinos mortos, metade deles combatentes, e os outros mortos quando os mesmos terroristas explodiram edifícios com seus moradores dentro. Também a revista Time afirmou que em Jenin: "Não houve massacre. De acordo com a ONU morreram 54 palestinos e 49 permanecem desaparecidos. Houve menos mortos em Jenin que os 78 que morreram em Nablus, mas capturou a atenção pela amplitude da destruição das propriedades. E porque morreram meros espectadores civis. A Human Rights Watch publicou seu relatório e concluiu que “não houve massacre no local, apesar de terem morrido 22 civis". Dali em diante, nenhuma instituição internacional séria voltou a cooperar abertamente com os palestinos. Em vários programas de TV, em diversas partes do mundo, mostraram-se muitos vídeos com a farsa dos "mortos" palestinos e muitos jornalistas investigaram o assunto.
A distorção na mídia hoje é evidente
Desde o início do conflito, muitos meios de comunicação abordaram o tema já com uma linha editorial definida. Como reconhecia dias depois numa conversa uma jornalista chilena, a opinião pública se forma hoje com base em imagens. E nos primeiros dias do conflito, o menino protegido por seu pai que morreu baleado foi de muito impacto para o mundo, e a culpa deste fato infeliz caiu, sem juízo, sobre Israel. A partir daí, assinalava a jornalista, muitos meios simpatizaram com quem parecia ser o fraco desta confrontação, os palestinos. Também reconhecia a jornalista que a grande maioria dos meios carecia de especialistas no tema do Oriente Médio, e isso impediu que tivessem uma visão profunda do conflito. Assim, os informes divulgados eram os que manejavam as agências de notícias, que muitas vezes têm suas próprias agendas e interesses. Outro aspecto destacado pela jornalista foi a atitude de grande parte dos editores, que desde o início jogaram com o sensacionalismo e a superficialidade, especialmente na televisão.
Hoje, à raiz de uma serie de investigações e posições mais duras e fortes da comunidade judaica mundial, que pressionou constantemente diante desta manipulação, começaram a se desmascarar os meios arbitrários e parciais. O Honest Reporting (e sua versão em português De Olho Na Mídia), deu um grande passo na luta para impedir a parcialidade dos meios, nos mostra um exemplo do ocorrido com a BBC: "a BBC foi, por longo tempo, uma fonte de disputas quanto a sua maneira de informar sobre o conflito no Oriente Médio ". Inclusive, outros meios ingleses não tiveram nenhum reparo em assinalar que a BBC era um meio parcial e tendencioso. OThe Guardian (http://tinyurl.com/ppr7mm) e o Daily Telegraph (http://tinyurl.com/rz5wo) estiveram na vanguarda da crítica à BBC por não usar a palavra "terrorismo", enquanto que o The Independent ( http://tinyurl.com/q7dm6) preferiu sublinhar a "informação tendenciosa" da BBC.
Como disse Honest Reporting, a BBC, "reconhecendo seus próprios defeitos (...) realizou uma investigação independente (http://tinyurl.com/bjs3c) para examinar seu próprio enfoque do conflito israelense-palestino. Suas conclusões foram finalmente publicadas". Estas observam o seguinte: "a BBC deve encontrar a linguagem correta. Cremos que devem chamar atos de terrorismo ao "terrorismo" porque o termo é claro e entendível". Certamente o informe critica a inconsistência no uso dos vocábulos "terrorista" e "terrorismo", fazendo notar que tais vocábulos foram utilizados em relação às bombas no metrô e no ônibus de Londres, mas quando se refere ao conflito israelense-palestino, usam a palavra "militante". Ainda assim, há falhas em manter coerência nos próprios níveis editoriais da BBC, incluindo o uso da linguagem. Existem defeitos que emanam do evasivo planejamento editorial, e que, concluindo, a BBC não cobre consistentemente o conflito em sua totalidade e equitativamente, mas aspectos importantes e apresenta um quadro incompleto e enganoso. O informe recomenda soluções concretas, que devessem ser válidas para muitos outros meios que vivem as mesmas distorções: deve brindar, consistentemente, informação completa e imparcial; deve oferecer maior treinamento ao seu pessoal sobre o tema do Oriente Médio; deve encontrar a linguagem correta; deve, como objetivo e não só com efeito retroativo, explicar as complexidades do conflito.