O mundo inteiro amalucou
Por: Edda Bergmann

Já por várias vezes na história mundial, países e regiões, reinados ou vassalagens amalucaram e destruíram tudo o que existia das civilizações anteriores.
Hoje estamos atravessando um período desses, não passível de análise e nem muito menos de discernimento.
Há poucos anos atrás Gorbachev teve que sair correndo do Afeganistão e jogar a União Soviética esfacelada para o lado acidental para não perder o trem.
O que vinha acontecendo, inclusive com a ajuda do Papa, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas se desmantelou e foi para o Ocidente.
No Afeganistão existiam estátuas enormes esculpidas em pedra, de civilizações anteriores, antagonizadas pelo “Taleban” e pelos muçulmanos fanáticos, integralistas e desconhecidos de tudo o que não era islâmico ou muçulmano e olhe lá.
Tinha se formado no país um interesse de desestabilização nacional e de conseqüências imprevisíveis em relação às estátuas, pois representavam várias divindades diferentes e diferenciadas, cultos diversos e contraditórios em relação oficial ao “Taleban”, aquele que não podia ser posto em dúvida ou sofrer classificações.
Era certo e se acabou, aquelas estátuas gigantes, imponentes que desafiavam o tempo e o espaço, os séculos e os milênios impunha no ar sua presença e com o tempo sua posição.
Suas origens não eram tão definidas assim, sua grandiosidade era acima em espaço e amplitude cultural e amplexos humanos, algo muito especial.
Muito foi falado, muito foi escrito, muito se discutiu, e o governo do país não aceitou de forma alguma que aquelas estátuas fizessem parte de sua cultura, de seu repertório cultural e acompanhassem seu desenvolvimento ou atraso.
Eram coisas atrasadas mentais, não faziam parte de suas origens religiosas, definidas muçulmanas, islâmicas, fechadas, sem abertura para o mundo.
Não podiam e não deveria pertencer a ninguém, a nenhuma outra cultura, pois lá ninguém pode nem deve aparecer.
Quando existem muçulmanos, o mando é deles, foi o que ficou definido pelo governo, intransigente, incoerente, incapaz de análises ou de avaliações, incapaz de entender ou se esforçar para tentar entender o mundo, mesmo que em pequena parte, e em pequena escala.
As estátuas foram destruídas e a duras penas, inclusive apesar de sua solidez, foram demolidas.
O mundo assim chamado civilizado reclamou, foram precisos vários dias, mas a história acabou.
Todos os jornais do mundo noticiaram, mas o islamismo, o “Taleban” e o Afeganistão foram implacáveis.
Estátuas de outras civilizações “aqui não”, aqui só existimos nós e somos os únicos que conhecem as verdadeiras leis, verdadeiros caminhos e verdadeiros meios pelos quais se conhece a verdade.
A verdade é uma e única, e é a nossa.
A nossa verdade é a que vence os séculos.
Em seus sonhos, em seus ideais, em suas imposições pelas quais todos devem pensar da mesma forma, todos devem sonhar e ter atitudes iguais.
O islamismo não pergunta, decreta, não define, dita regras e estabelece preceitos. Até aí, tudo bem, mas não tolera civilizações diferentes e diferenciadas como os buracos enormes das estátuas que foram de outras civilizações no Afeganistão.
Enormes buracos vazios e destruídos. Ninguém reclamou?
No mundo ninguém achou que aquilo era conhecimento ou o poder dos séculos.

Dois pesos e duas medidas.
Mas o mundo foge por que as civilizações se digladiam e se olham a si mesmas apenas através de um vidro prateado, ou melhor, de um espelho.

* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional da B’nai B’rith.