Atos anti-semitas no Paraguai e na Argentina geram protestos

 

umerosas pichações anti-semitas apareceram em Assunção, no Paraguai, gerando reações imediatas do governo e da B’nai B’rith paraguaia junto à comunidade judaica.
Entre os dias 10 e 11 de fevereiro várias suásticas, figuras de Hitler e inscrições anti-semitas foram pintadas em diversas partes de Assunção, incluindo a casa do diretor do jornal mais importante do país, o ABC Color. O governo apoiou imediatamente a iniciativa da B’nai B’rith paraguaia e da comunidade judaica, anunciando uma profunda investigação e condenando o vandalismo dos grupos nazistas, enquanto que a B’nai B’rith e a comunidade judaica publicaram um comunicado no qual se exorta o Governo para que o Paraguai aprove o quanto antes uma lei antidiscriminatória que proteja todos os cidadãos contra a discriminação e a xenofobia e toda a forma de racismo.
O Diário ABC Color publicou que o governo repudia as pichações anti-semita e quer saber quem está por trás delas, conforme assinalou o ministro do Interior, Rogelio Benitez. Anunciou que policiais ficarão em postos chaves da cidade nos horários noturnos para identificar os responsáveis e pediu também aos cidadãos que denunciem se tiverem informação a respeito.
“Vemos com profunda preocupação a proliferação destas imagens (como a suástica e cara de Hitler), que perturbam a sociedade paraguaia e a comunidade judaica residente no país”, expressou o ministro Benitez no Palácio de Lopez. Disse que o governo não tem indícios de que no Paraguai exista um grupo organizado que simpatize com as idéias anti-semitas, mas igualmente repudia e rechaça este tipo de manifestações aparentemente isoladas.
Indicou que é preocupante esta campanha nazista e antijudaica “justo agora no momento político atual (eleições internas coloradas) e a reivindicação que pudessem estar havendo alguns movimentos para sistemas de governo que entendemos totalmente anulados como os totalitários, que estão na contramão do governo democrático”.
Esclareceu que o governo não recebeu nenhuma queixa pela aparição dos símbolos anti-semitas pintados em portões e muros de alguns setores da capital. Expressou que a sociedade paraguaia nunca rechaçou uma comunidade por motivos religiosos, políticos e econômicos.
“Em solidariedade com o povo e a comunidade judaica rejeitamos a aparição símbolos e solicitamos à população que denuncie”, se tem conhecimento de quem realiza as pichações, comentou.
Após conversar com o presidente Nicanor Duarte Frutos, Benítez convocou os jornalistas acreditados no Palácio de Lopez para informar também que ordenou aumentar a presença policial em horários noturnos em determinados setores da cidade para tentar identificar os responsáveis por estas pichações.
“Acompanhamos a inquietude da comunidade judaica” no Paraguai que, seguramente, se sente preocupada por este tipo de manifestações que vão na contramão da história”, disse.

Nota da B’nai B’rith do Paraguai
As entidades abaixo assinadas, diante da aparição de agressões com símbolos nazistas e antijudaicos, ocorridos recentemente, resolve:
1. Condenar os atos vandálicos de anti-semitismo, racismo, e discriminação, que encerram as agressões a edifícios públicos e privados por parte de extremistas que pintaram cruzes gamadas e outros símbolos altamente antijudaicos de uma das maiores ideologias do ódio da história: o nazismo.
2. Expressar nossa solidariedade com todas as pessoas, instituições, e empresas que foram agredidas por aqueles que crêem no ódio e na intolerância.
3. Sendo que no Paraguai sempre conviveram em perfeita harmonia um cadinho de culturas, religiões e etnias; e sendo este um país amante da paz; em nossa condição de paraguaios, nos unimos a todas as pessoas de bem, pluralistas e democráticas para enfrentar e rejeitar estas manifestações contrárias ao sentimento majoritário de nossa pátria.
4. Respaldar a decisão do Governo Nacional de tomar todas as medidas dentro do marco legal que rege a República para que os culpados destes atentados vandálicos sejam identificados e levados diante da Justiça e caia sobre eles todo o peso da lei.
5. Assim mesmo, exortamos às autoridades, Poder Executivo e o Poder Legislativo, que em nosso país se dê no menor prazo possível uma legislação antidiscriminatória que permita enfrentar com instrumentos legais apropriados todas as manifestações de incitação ao ódio, discriminação religiosa, racismo, xenofobia e anti-semitismo.
Assunção 13 de fevereiro de 2006
B’nai B’rith do Paraguai, União Hebraica oo Paraguai, Aliança Israelita do Paraguai e Damas Israelitas do Paraguai.
Na Argentina
Na manhã de 16 de fevereiro de 2006, o Centro Cultural Israelita I. L. Peretz (Icuf – Idisher Cultur Frarband), localizado na Rua O‘Higgins, 2061, em Lanus, Província de Buenos Aires,  foi novamente agredido com a pichação de uma suástica na porta de seu edifício. Do ataque anterior aa instituição até este, passaram-se só dez meses, mas desta vez foi à luz do dia, como que desafiando a instituição e satisfeitos com a impunidade com que contam, já que nunca são surpreendidos em flagrante, nem presos ou condenados.
Este atentado é parte de uma sucessão de atos de cunho anti-semita que vem se repetindo no país. Foi o quinto ataque de características anti-semitas no transcurso dos últimos doze meses que recebem as instituições culturais judaicas do Icuf.
Após o quarto atentado a Federação das Entidades Culturais Judaicas da Argentina solicitou audiência com o ministro do Interior, Aníbal Fernández, mas a  instituição ainda está à espera que se marque a audiência.
As entidades estão preocupadas com a facilidade e a leviandade com que se realizam os atos anti-semitas e perguntam ao governo porque este não pode ainda desarticular os grupos neonazistas? 
É imprescindível buscar as causas profundas da permanente reaparição deste tipo de grupos ou organizações, assim como seus mentores ideológicos, seus inspiradores locais, seus responsáveis e suas fontes de financiamento, destaca a Federação.
Numa nota oficial assinada pelo presidente e pelo secretário geral da Federação das Entidades Culturais Judaicas da Argentina, respectivamente, Daniel Silber e Marcelo Horestein, a entidade afirma que “esses grupos não serão erradicados da sociedade, se a própria sociedade não promover ações enérgicas de todo caráter (legal, jurídico, político, social, educativo e cultural) para desentranhar de seu seio este tipo de questões”.
“É imprescindível que o Estado — através de todos os seus instrumentos — opere rapidamente, realizando todas as gestões derivadas de suas obrigações, uma vez que detém o poder de Justiça”, prossegue a nota.    
“Repudiamos energicamente todas as expressões discriminatórias de qualquer natureza”, prossegue a nota observando ainda que “não conseguirão que baixemos nossos braços, pelo contrário nos fortalecem a seguir lutando contra todo tipo de discriminação, para alcançar um mundo mais justo que mereça ser vivido por todos, respeitando as diferenças e diversidade de opiniões”.
Por fim, a nota diz: “Exigimos das autoridades nacionais e provinciais a maior celeridade na investigação e esclarecimento deste novo episódio de uma velha história”.