Ahmadinejad? Quem é ele?

Ahmadinejad? Quem é ele?
 
Esta foi a reação típica da maioria dos iranianos um dia após do primeiro turno das eleições presidenciais no Irã, quando ouviram que os dois candidatos que se enfrentariam no segundo turno eram o veterano político aiatolá Ali-Akbar Hashemi Rafsanjani e o até então pouco conhecido prefeito ultra-extremista de Teerã, Mahmoud Ahmadinejad. 
A surpresa foi toda esquecida pelo choque maior após as eleições, quando Ahmadinejad derrotou o ex-presidente, uma espécie de figura ícone na teocracia governante numa vitória que desmoronou o poder que estava consolidador nas mãos dos clérigos islâmicos. 
Com refletores agora apontados para a figura pequena e barbuda, num surrado terno cinza, como uma marca registrada, o passado obscuro de Ahmadinejad está causando profunda ansiedade exterior, e no Irã crescente preocupação por causa das políticas e orien­tação do novo presidente. 
Nascido no deserto, no lugarejo de Garmsar, a leste de Teerã, em 1956, Ahmadinejad é o quarto filho de uma família de proletários, de um total de sete crianças. Seu pai, um ferreiro, mudou-se com a família para Teerã quando Ahmadinejad tinha apenas um ano de idade. Ele viveu nos bairros toscos do sul de Teerã, que eram um coquetel de pobreza, frustração e xenofobia no auge do regime elitista do xá, um chão muito fértil para o crescimento do fundamentalismo islâmico. 
Depois de concluir a escola secundária, Ahmadinejad foi para Universidade Elm-o Sanaat em 1975 para estudar engenharia. Logo, o vendaval de revolução islâmica conduzido pelo aiatolá Ruhollah Khomeini varreu-o da sala de aula para a mesquita e ele juntou-se a uma geração de fundamentalistas muçulmanos dedicados à causa da revolução mundial islâmica.
Estudantes ativistas da Universidade Elm-o Sanaat na época da revolução iraniana foram dominados por radicais islâmicos ultra-conservadores. Ahmadinejad logo tornou-se um de seus líderes e fundou a associação dos estudantes islâmicos naquela universidade após a queda do regime do xá. 
Em 1979 ele se tornou o representante dos estudantes da Elm-o Sanaat junto ao Departamento para Fortalecer a Unidade entre Universidades e Seminá­rios Teológicos, que depois ficou conhecido como OSU. O OSU foi idealizado pelo aiatolá Mohammad Beheshti que era na ocasião o maior confidente de Khomeini e uma figura chave na liderança clerical. Beheshti queria que o OSU organizasse os estudantes islâmicos para se contraporem rapidamente à influência ascendente da Oposição Mojahedin-e Khalq (MeK) entre estudantes universitários. 
O OSU teve um papel central no ataque desvairado à embaixada dos Estados Unidos em Teerã, em novembro de 1979. Membros do conselho central do OSU, que incluíam Ahmadinejad e também Ibrahim Asgharzadeh, Mohsen (Mahmoud) Mirdamadi, Mohsen Kadivar, Mohsen Aghajari, e Abbas Abdi, eram recebidos regularmente pelo próprio Khomeini. 
De acordo com outros membros do OSU, quando a idéia de atacar violentamente a embaixada norte-americana em Teerã foi levada ao comitê central do OSU por Mirdamadi e Abdi, Ahmadinejad sugeriu que se atacasse violentamente a embaixada soviética ao mesmo tempo. Uma década depois, a maioria dos líderes do OSU reagrupou-se em torno de Khatami, mas Ahmadinejad permaneceu leal aos ultra-extremistas. 
Durante a turbulência nas universidades em 1980, à qual Khomeini chamou de “Revolução Cultural Islâmica”, Ahmadinejad e o OSU tiveram um papel crítico na remoção de professores e estudantes dissidentes, muitos dos quais foram presos e mais tarde executados. As universidades permaneceram fechadas por três anos e Ahmadinejad juntou-se aos Guardas Revolucionários. 
No início dos anos 80, Ahmadinejad trabalhou na “Segurança Interna” do departamento do CGRI (Corpo da Guarda Revolucionária do Irã) e ganhou notoriedade como interrogador cruel e torturador. De acordo com o website estatal Baztab, os aliados do presidente Mohammad Khatami, que estava deixando o poder, revelaram que Ahmadinejad trabalhou durante algum tempo como executor na conhecida Prisão de Evin, onde foram executados milhares de prisioneiros políticos nas punições sangrentas dos anos oitenta. 
Em 1986 Ahmadinejad tornou ofi­cial graduado da Brigada Especial dos Guardas Revolucionários e foi locado na Guarnição de Ramazan, perto de Kermanshah, no Irã ocidental. A Guarnição de Ramazan era a sede das “operações extraterritoriais” dos Guardas Revolucio­nários, um eufemismo para ataques de terrorista além das fronteiras do Irã. 
Em Kermanshah, Ahmadinejad envolveu-se nas operações terroristas estrangeiras do regime clerical e conduziu muitas operações extraterritoriais do CGRI. Ahmadinejad tornou-se depois um dos mais altos chefes das forças do CGRI. Ele foi o autor inteligência dominante numa série de assassinatos no Oriente Médio e na Europa, intelectual do assassinato do líder curdo iraniano Abdorrahman Qassemlou que foi morto a tiros por oficiais dos Guardas Revolucionários em um apartamento de Viena, julho de 1989. Ahmadinejad foi quem planejou o ataque, de acordo com fontes dos Guardas Revolucionários.
Ahmadinejad serviu durante quatro anos como prefeito das cidades de Maku e Khoy no noroeste do Irã. Em 1993 ele foi designado pelo ministro de Cultura islâmica e Orientação Ali Larijani, um oficial da mesma categoria dos Guardas Revolucionários, como o seu conselheiro cultural. Meses depois, ele foi designado como governador da então recém-criada província de Ardebil. 
Em 1997 a administração de Khatami recém-instalada, removeu Ahmadinejad de seu posto e o devolveu à Universidade de Elm-o Sanaat para lecionar, mas sua atividade principal foi organizar a Ansar-e Hezbollah, um grupo radical de vigilantes islâmicos violentos.
Desde que se tornou prefeito de Teerã em abril de 2003, Ahmadinejad usou sua posição  para construir uma forte rede forte de radicais islâmicos, organizando-os como “Abadgaran-e Iran-e Islami” (literalmente, Fomentadores de um Irã islâmico). Trabalhando em colaboração íntima com a Guarda Revolucio­nária, o Abadgaran pôde ganhar as eleições municipais em 2003 e a eleição parlamentar em 2004. Eles devem suas vitórias mais à multidão pobre e à desilusão geral com a facção “moderada” do regime, do que à sua bem-lubrificada máquina política e militar. 
O Abadgaran vende a imagem de um grupo fundamentalista neo-islâmico cujos jovens membros querem reavivar os ideais e as políticas do fundador da República islâmica, aiatolá Khomeini. Foi um dos vários grupos ultra-extremistas cujas organizações estavam às ordens do aiatolá Khamenei para derrotar a facção do presidente Mohammad Khatami em fim de mandato, após as eleições parlamentares em fevereiro de 2000. 
O registro de Ahmadinejad é típico dos homens escolhidos pela “entourage” de Khamenei para colocar uma nova face nova à identidade extremista da elite clerical. Mas além da fachada superficial poucos duvidam que a república islâmica sob seu novo presidente se mova com maior velocidade e determinação ao longo do caminho das políticas radicais que incluam mais abusos de direitos humanos, enquanto continuar patrocínio do terrorismo, e os passos para obter armas nucleares. (Agência Iran Focus. Este artigo pode ser lido no original, em inglês, no website http://www.iranfocus.com/modules/news/article.php?storyid=2605).