Aos 60 anos, Israel continua a ser demonizado
A jornalista e escritora espanhola Pilar Rahola conhece bem a questão. Ela já escreveu inúmeros artigos a respeito de como a imprensa em geral trata mal Israel. A despeito de ser a única democracia plena na região, onde, os árabes têm melhor nível de vida do que em qualquer outro país, incluindo os riquíssimos potentados do petróleo. Em Israel há cidadãos árabes com partidos políticos próprios, cadeiras no parlamento — o Knesset — e ocupando até mesmo altos cargos no governo e na diplomacia. Todos têm os mesmos direitos, sejam judeus, árabes, cristãos. Nas universidades se graduam árabes nos mais variados campos da atividade humana, entre eles, muitas mulheres, o que na maioria das nações vizinhas seria algo impensável. A tudo isso, agregue-se o fato de a assistência médica e previdenciária é das melhores do mundo, o que levou nos últimos anos muitos árabes palestinos de Jerusalém Oriental, a pedir cidadania israelense, receosos de que num acordo de paz com a Autoridade Palestina, percam os benefícios sociais que hoje têm e que nunca teriam sob a AP. Equipes médicas como a Save a Childs Heart operam crianças palestinas, e de outros países árabes, salvando-lhes as vidas.
Nada disso, entretanto, é visto ou reconhecido. Pouquíssimo se fala a respeito. Rahola lembra que a mídia, tanto na Espanha, quanto no resto da Europa e em geral no mundo todo, Israel é apresentado como sendo “lo malo”, que traduzido do espanhol é o mau, o perverso, o vilão. No Brasil, e até mesmo em aqui Curitiba, alguns jornais publicaram no dia 8/5, data em que se comemoraram seis décadas de Iom Haatzmaut, material da agência inglesa de notícias Reuters resumida no seguinte título: “Em crise, Israel completa 60 anos”. Uma amostra grátis do que veio pela frente, e que indignou — com toda a razão — muitos membros da nossa comunidade local. Ao correr os olhos pelo artigo, logo se percebe que, a não ser na manchete, não há referência a crise alguma. Pelo contrário, ao leitor atento, que acompanha o dia-a-dia do noticiário internacional, não escapa o fato de que crise mesmo está instalada é no vizinho Líbano, onde o grupo fantoche do Irã, o Hezbolá, tenta tomar o poder na marra.
A Reuters, ironicamente fundada em 1851 por um judeu — Julius Reuter — é hoje um peso pesado da indústria de comunicação, e como tal, teria, diz-se com freqüência, entre seus acionistas, forte capital saudita. Os árabes aplicam os bilhões do ouro negro nas grandes companhias ocidentais. Curioso é que a agência recorda muito ao mundo a miséria e a pobreza às quais estão relegadas algumas populações árabes, como os palestinos, em Gaza. Eles não dispõem de redes de esgoto, vivem da escassa água e da energia elétrica dos inimigos israelenses que pretendem destruir, usam o dinheiro da ajuda humanitária internacional na fabricação de bombas, foguetes e mísseis para lançá-los contra as populações civis vizinhas em Israel. Porém, não observa o óbvio: Que mais de meio século de exploração petrolífera — da qual o mundo inteiro é refém — não foi capaz de dotar os palestinos, que são, sem dúvida, seus irmãos árabes, de infra-estrutura mínima em saneamento, saúde, educação, mas sim banheiros de palácios reais com torneiras e privadas de ouro. Ao contrário, Israel, em 60 anos, fundado pelos que se levantaram dos campos de morte nazista, construiu uma nação com índices notáveis no mundo, na economia, na cultura, na ciência, na medicina e na tecnologia. E oferece isso também ao mundo árabe, que ainda reluta em aceitar a paz. Apesar disso, “lo malo” continua a se demonizado.
A Redação