Hamas desmente Carter, que “caiu do cavalo”



 

Khaled Meshaal, líder do grupo, nega plano de reconhecer Israel

O líder do grupo extremista islâmico Hamas, Khaled Meshaal desmentiu dia 19/4 o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter e afirmou que não irá reconhecer o Israel, mas está preparado para aceitar a criação de um Estado palestino na terra ocupada pelo Estado judeu em 1967.
Carter afirmara antes que o Hamas estaria preparado para aceitar o direito de Israel "viver em paz como um vizinho de porta", o que foi desmentido pelo líder do Hamas
Meshaal, que vive na Síria, e comentou as afirmações de Carter após dois encontros com o ex-presidente em Damasco.
"Aceitamos um Estado nas fronteiras de 4 de junho (de 1967), com Jerusalém como capital, com real soberania e com inteiro direito sobre o retorno de refugiados, mas sem reconhecer Israel", declarou Meshaal aos repórteres.
As "fronteiras de 4 de junho" são anteriores à Guerra dos Seis Dias, na qual Israel tomou o controle da Faixa de Gaza, da Cisjordânia e das Colinas do Golã. Na prática, o que ele disse significa a eliminação de Israel.
Meshaal, quem Carter tentava incluir nas negociações de paz entre o presidente palestino Mahmoud Abbas e Israel, afirmou que iria respeitar "um Estado palestino mesmo que ele fosse contra suas convicções".
Carter afirmou que Meshaal, quem encontrou os dias 18 e 19/4 recusou os seus apelos de um cessar-fogo com Israel para "acabar com a violência que ameaça os esforços para a paz". "Eu fiz o máximo que pude nessa questão", afirmou Carter, agora isolado, desmentido e certamente se sentindo um bobo.
Carter chegou a propor a Meshaal uma troca de prisioneiros entre Israel, e o Hamas que, junto com outros grupos militantes islâmicos, capturou o soldado israelense Guilad Shalit em 2006 na fronteira de Gaza. A troca também foi recusada pelo líder do Hamas.
O governo norte-americano, que se recusa a fazer acordos com a organização islâmica e não apoiou a viagem de Carter, afirmou que "não viu mudanças nas posições do grupo". “Temos que olhar para os comentários públicos e nós também temos de olhar para as ações, e ações falam mais do que palavras", disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.
Para encontrar com Meshaal, Carter desafiou Israel dizendo que é “preciso parar de isolar o grupo nas negociações de paz da região”. Talvez tenha aprendido a lição.
Para Yigal Palmor, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, o encontro "dignifica" um grupo comprometido com a destruição de Israel. "Não é possível imaginar como essa atitude pode promover a paz e a compreensão."
O encontro com líder da organização islâmica, considerada terrorista por EUA e Israel, foi criticado também pela Casa Branca. O Hamas é responsável pela morte de 250 israelenses em atentados suicidas.
Em sua visita pela região, Carter não se encontrou com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert. O único líder do país com quem se entrevistou foi o presidente Shimon Peres, criticou a reunião do norte-americano com Meshaal. Segundo as críticas, a aproximação com o Hamas daria legitimidade ao grupo, ao mesmo tempo em que minaria a figura do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, do laico Fatah. Abbas negocia um acordo de paz com Israel. No ano passado, o Hamas expulsou o Fatah da Faixa de Gaza e tomou controle da área.