O significado de Shavuot e três milênios de ódio

Estamos chegando a Shavuot, o segundo dos três maiores Dias Festivos judaicos (Pêssach é o primeiro e Sucot o terceiro). Vem exatamente 50 dias depois de Pêssach e registra a outorga da Torá por D-us ao povo judeu no Monte Sinai, há 3.300 anos, através de Moshê Rabeinu (Moisés). Shavuot significa "semanas" e constitui as sete semanas entre Pêssach e Shavuot (o período da contagem do Ômer), durante o qual, o povo judeu preparou-se para receber a Torá e os Dez Mandamentos, purificando-se das cicatrizes da escravidão e tornando-se uma nação pronta a entrar numa aliança eterna com D-us. Shavuot também significa "juramentos", o que quer dizer que o povo judeu e Ele empenharam suas palavras na formação de um pacto duradouro de não abandonar um ao outro.
Os Dez Mandamentos talvez sejam as leis escritas mais antigas para a perfeita convivência social. Ainda hoje, os códigos civis dos países civilizados se baseiam nos Dez Mandamentos. Sem dúvida é o maior legado do povo judeu à humanidade. Na antiguidade, a obediência ao pacto divino e às leis acabou caracterizando o povo judeu como diferente entre os demais. Resistiram a todo custo às tentativas forçadas de conversão, inclusive com o tributo da própria vida. Comunidades inteiras preferiram a morte à desonra do pacto de seus antepassados. O fato ficou conhecido como “Al Kidush Hashem” — A Santificação do Nome de D-us. O apego às tradições e a firmeza com que se agarraram à sua fé, teria sido, para historiadores fidedignos, a causa do surgimento do ódio e do anti-semitismo.
Mas o fato é que um após outro, os conquistadores, de antigos persas, babilônios, assírios, egípcios, passando pelos romanos, gregos, otomanos, bizantinos caíram e desapareceram, enquanto o povo judeu continuou a existir. Da mesma forma, as tentativas de eliminação, as principais provenientes da Inquisição, dos nazistas e dos comunistas, não conseguiram quebrar o pacto. D-us manteve Sua palavra e Am Israel Chai — o povo de Israel vive. Até mesmo na atualidade, após esperar 2 mil anos para restaurar Eretz Israel, não cessaram as perseguições, nem o anti-semitismo ou o ódio. Os árabes que circundam Israel, mobilizaram seus recursos petrolíferos e políticos para que Israel não renascesse, moveram guerras e mais guerras para aniquilá-lo, mas perderam todas — alguém ainda duvida do Pacto Divino? — e agora ameaçam apagá-lo do mapa com bombas atômicas de um programa nuclear iraniano cantado como se para fins pacíficos fosse. Mas a fé persiste.
Em Curitiba, o embaixador da Síria no Brasil, Ali Diab, repetiu o que vem fazendo em diversas universidades pelo Brasil. Fala da situação do Oriente Médio para estudantes e professores, faz acusações a Israel, e no clima criado lança uma dose de preconceito contra os judeus, chamados de sionistas. Nas páginas desta edição do Visão Judaica os leitores têm uma amostra disso. A Síria é responsável por reviver mentirosos libelos de sangue da obscuridade ignorante da Idade Média para os modernos seriados de TV, apresentando judeus ortodoxos, rabinos e líderes sionistas como assassinos selvagens que, em nome dos livros sagrados esfaqueiam e esquartejam crianças e adultos em busca de sangue para o pão da páscoa; promovem atos vis e torpes com as vítimas e outras falsidades. Trechos do seriado estão na internet, no site de vídeos Youtube, para quem quiser ver (www.youtube.com/watch?search=&mode=related&v=DB1wkEHZQ-Y). As cenas são chocantes. É o racismo brutal de três mil anos contra os judeus em sua versão tecnológica.
           
                                                                                                A Redação