Militantes do Hamas alistaram Mickey Mouse, ratinho ícone da Disney e figura facilmente reconhecida por crianças, para transmitir suas mensagens de dominação islâmica e resistência armada na televisão.
Um plágio perfeito do personagem foi ao ar com o nome de "Farfour", ou "borboleta", discursando contra os Estados Unidos e Israel em um show infantil exibido toda terça-feira na Al-Aqsa TV, emissora controlada pelo Hamas. O grupo militante, que busca a destruição de Israel, divide o poder no governo palestino.
"Você e eu estamos lançando os alicerces de um mundo governado por islamitas", disse Farfour no mais recente episódio do show, entitulado "Pioneiros do Amanhã".
"Nós vamos trazer a comunidade islâmica de volta a sua antiga grandiosidade, e libertar Jerusalém, se D-us quiser, libertar o Iraque, se D-us quiser, e libertar todos os outros países dos muçulmanos, invadidos por assassinos".
Crianças fizeram parte do show, muitas delas cantando hinos do Hamas sobre a luta contra Israel, que tem reclamado que as transmissões palestinas de TV estão repletas de ‘incitações’.
Uma organização israelense que monitora a mídia palestina, a Palestinian Media Watch, disse que o Mickey Mouse parecia tomar "cada oportunidade para doutrinar jovens espectadores com ensinamentos da supremacia islâmica, ódio a Israel e aos EUA, e apoio à ‘resistência’, o eufemismo palestino para terror". A emissora de TV não comentou.
Um porta-voz do quartel-general da Walt Disney Company, em Burbank, Califórnia, não retornou imediatamente as mensagens pedindo por um parecer sobre o uso do personagem idêntico ao da empresa.
Yehia Moussa, um líder do Hamas em Gaza, negou incitar as crianças contra os judeus. "Nosso problema não é com os judeus. Nosso problema é com a ocupação (israelense) e seus ocupadores", disse.
Autoridades israelenses denunciaram o programa. David Baker, integrante do gabinete do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, declarou que "não há nada cômico em incitar jovens gerações de palestinos a odiar os israelenses".
Depois que o fato foi divulgado e a imprensa israelense e norte-americana denunciaram a manipulação a TV palestina anunciou a suspensão do programa, devido à repercussão negativa, mas isso não foi confirmado ainda.