Das mentiras, torpeza e banalidade do mal
O jornal Visão Judaica recebe muitas mensagens de leitores do Brasil afora e até do exterior, elogiando ou criticando suas edições e determinados assuntos publicados. Há os que escrevem fazendo pedidos de toda sorte, muitos curiosos querendo saber se seus sobrenomes realmente têm ancestralidade judaica ou ainda, com certa ingenuidade, como fazer para converter-se ao judaísmo, desconhecendo o fato de que esta fé não é proselitista, e nem o jornal procura atrair ninguém para sua religião. Os objetivos do VJ — como já foi dito muitas vezes aqui, e não custa repetir — são o combate ao racismo e ao anti-semitismo (não só através da denúncia e por meio da informação correta que derruba mitos, preconceitos e mentiras, mas também mostrando o que é a religião judaica), assim como defende o direito de Israel existir.
A despeito disso, de tempos em tempos o jornal recebe também estúpidas mensagens anti-semitas, negando o direito de Israel existir, negando o Holocausto, comparando o sionismo ao nazismo, acusando os judeus de genocídio palestino e ameaças de todo tipo, muito semelhantes às proferidas com freqüência pelo ensandecido presidente do Irã. A última dessas grotescas missivas anônimas veio redigida num português lamentável, o que denota a (in)capacidade intelectual do remetente. Isso faz parte de uma estratégia da propaganda árabe contra Israel, de envenenar pessoas ignorantes do mundo todo com propaganda embusteira acerca do Oriente Médio. A tática passou a ser utilizada depois que, frustrados com a seguidas guerras que perderam, e que provocaram, sempre para lançar os “judeus ao mar”, mudaram de métodos. E esses métodos, incluem também o terrorismo, especialmente atentados suicidas para assassinar civis, como os que recentemente vitimaram quatro pessoas, entre elas uma brasileira e depois, nove pessoas em Tel Aviv. Usa-se o islã para atingir esses objetivos.
Mas é um erro identificar todos os muçulmanos com as forças do mal. Muçulmanos moderados, esclarecidos, livres-pensadores existem de fato. Acossados em seu próprio meio, eles se voltam para o Ocidente em busca de proteção e amparo. E, por mais fracos que estejam hoje, eles terminarão por desempenhar um papel fundamental na modernização do mundo islâmico. Um desses exemplos é o da síria Wafa Sultan, que hoje vive nos Estados Unidos e que os leitores do VJ poderão conhecer melhor nas páginas desta edição.
Há poucos dias recordamos o Holocausto. Está acontecendo no Sudão a maior catástrofe humana da atualidade, e que não tem recebido a devida atenção das autoridades mundiais. Milícias árabes, apoiadas pelo governo do país, forçaram mais de dois milhões de pessoas a deixarem as suas casas. Trata-se de centenas de milhares de pessoas mortas e estupradas. A ONU ainda tem dúvidas em classificar o caso como genocídio, o que a obrigaria a agir. Sua omissão permitiu que ocorresse um massacre em Ruanda, em 1994. Sem intervenção imediata, milhares de pessoas continuarão a sofrer ou serão mortas. As atrocidades no Sudão, semelhantes àquelas cometidas por governos totalitários, são um exemplo da baixeza de que é capaz a espécie humana. E alguns, depois, têm a torpeza de dizer que o extermínio dos judeus, ou o genocídio no Sudão, nunca existiram!
Para concluir, o que não deixa de ser uma boa notícia: Em São Paulo, a polícia apreendeu farto material racista e anti-semita num shopping center e prendeu os comerciantes responsáveis. Um golpe certeiro nos que lucram com a banalidade do mal.
A Redação