O jornal árabe londrino Al-Sharq Al-Awsat publicou um artigo de seu ex-editor Abd Al-Rahman Al-Rashed em que ele lamenta a indiferença da mídia árabe diante da violência no Sudão que já causou a morte de 300 mil pessoas.
“Por não serem vítimas de ataques israelenses ou americanos – os sudaneses massacrados não recebem atenção. Dessa forma, aumenta o desinteresse por eles. Sua morte é aceita com naturalidade. A crise de Darfur é apresentada como artificial e não merecedora dos protestos do mundo”, escreveu ele.
“Será que a vida de mil pessoas no oeste do Sudão tem menos valor que a de um único palestino ou iraquiano – só porque seu inimigo não se chama Israel ou Estados Unidos?”. Mais adiante observou: “Conforme avaliações da delegação da ONU, que examinou os acontecimentos na região de Darfur, a vida de 300 mil sudaneses foi ceifada pelos contínuos combates... É um fato grave quando forças armadas ou milícias financiadas pelo governo têm permissão de aniquilar pessoas para alcançar uma vitória rápida”, prosseguiu Al-Rashed..
Mais adiante declarou: “A respeito desses conflitos a ONU criou uma legislação que prevê a intervenção e a supressão da soberania interna dos países, transformando seus problemas em assunto internacional... permitindo levar aos tribunais os culpados – especialmente os mais graduados. Será que os sudaneses desejam isso? Não consigo imaginar [...] que a cúpula sudanesa queira se expor a acusações tão perigosas – acusações de genocídio...”
“Por isso, advertimos o governo sudanês acerca das eventuais conseqüências do que acontece no país, pois o que ocorre com os Fur (grupo étnico que vive majoritariamente na região de Darfur) é da maior relevância...”, acrescentou.
“E o que dizer dos intelectuais árabes, que não vêem nada no mundo além dos palestinos e da causa iraquiana e simplesmente ignoram todo o derramamento de sangue que não esteja relacionado diretamente com esses conflitos? Eles se tornam
cúmplices intelectuais desses crimes...”. (extraído de ww.memri.org).