Para Villepin a França vem primeiro que a Europa.
Quanto a isto não resta a menos dúvida.
Está havendo uma corrida para resolver os problemas franceses independentemente dos outros países, similares ou não e para que eles sejam resolvidos especialmente à moda francesa, doa a quem doer, não afetando a Comunidade Européia e as lideranças estudantis e profissionais dos outros países da UE.
O problema francês é de fato específico, as várias ondas migratória são diferentes e diferenciadas em cada país, o movimento francês apresenta todo um ranço muçulmano das ex-colônias, mal visto pelos colonizadores e seus descendentes, com que se defrontam inclusive politicamente no momento.
O Islã não deixa de cutucar e de desestabilizar todo o ambiente estudantil e fabril, e a produção se ressente disso.
O governo não deixa de querer mudar e de dizer alto e em bom tom, que ele estabelece as regras, doa a quem doer, prejudique a quem prejudicar e facilita aos dirigentes de mão-de-obra e empresários.
Bate de frente com os líderes sindicais, por que acha que não são os mais importantes os que na verdade estão na luta, bate de frente com os líderes estudantis na esperança de poder isolar os descendentes de imigrantes das colônias dos outros franceses, espera que o restante da Europa não se mexa porque não lhe convém.
E em tudo isso existe uma provocação mandatária de Villepin, que talvez deixe isso para rever na última hora, se verificar que a empreitada foi longe demais para o seu fôlego e a decisão tática seja uma boa e providencial saída.
Com a agitação no Estado Nação, alguns críticos afirmam que a chama federal está se apagando no centro.
Segundo os passos dos franceses, os outros governos europeus também estão oferecendo integrações mais lentas, e fala-se numa Europa de projetos, que oferecem soluções enquanto os problemas surgem e quando os governos individuais o permitam, o que tenta anular qualquer impulso ideológico do grupo ou ajuda grandiosa do órgão central do bloco.
Em vez de mercado mais competitivo, a Europa passou a querer se basear em resultados de urgência e a utilizar de forma errada a globalização sem conseguir desafiar competidores emergentes como a China e a Índia fornecedores de energia unindo forças.
No momento em que enfraquece a massa crítica da Europa torna-se mais necessária, o que não está acontecendo, ao contrário, a Europa e a França, em particular, está sendo contaminada por estas economias de salários baixos e crescimentos rápidos.
Líderes políticos, particularmente na França e na Alemanha mostram tendência de endossar preocupações de seus eleitores em vez de tentar acalmá-los, muitas vezes atacando a Comissão Européia em Bruxelas por políticas destinadas a ampliar a abertura e integração dos mercados.
As reações nacionalistas das últimas semanas não são apenas um breve surto, e sim resultado de um processo que já vem vindo há algum tempo.
“A polícia deve se concentrar no seu papel e não no interior da passeata”.Diz o sindicalista.
O sucesso se mede pela demonstração de força e não pelo volume na passeata e pelo êxito de greve mensal que deve alcançar as atividades dos setores públicos e privado e deixar tudo as escuras.
É, sem sombra de dúvida, o Estado Nação, que volta a surgir com todas as suas limitações e visões particulares da situação geral, mas cabe principalmente à França não se deixar levar por isso, apesar de todos os empecilhos e problemas da globalização, que entre outras coisas levantam o nome e os receios de todos os países membros serem tragados por algo que represente o mundo, influenciando os países, o geral influenciando o particular e o individual.
As pressões externas versus às internas, o coletivo versus o individual, o que com toda certeza é uma agressão plena aos princípios extremados do Islã e as suas diretrizes diversificadas e por vezes e nem sempre plausíveis.
Não resta a mínima dúvida que a França vai pagar um preço bastante alto por esta tentativa de Dominique de Villepin, isolado dentro do governo com toda a atenção sobre a sua pessoa, agindo de forma até politicamente correta, mas despertando contra si mesmo todas as repudias de um ex-colonialismo, de discriminações e de variadas leis que sempre prejudicaram os trabalhadores das colônias quando não eram mais escravos.
E em sua maioria muçulmanos ou islâmicos, ligados ao profeta e ao califado, ciosos de suas origens diversas, diferentes e diferenciadas que fazem questão de conservar, de enobrecer, de ampliar e de proteger para o futuro.
Um futuro de influências de maiorias e não de grupos de imigrante, talvez sem estigmas, mas do cidadão francês muçulmano ou islâmico em plenos direitos e deveres, amplos e particularmente influentes na Nova Política Européia e que pode surgir em breve para ocupar este espaço, e pelo que tudo indica, será na própria França!
* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional da B’nai B’rith.