Os arquivos dos campos de extermínio nazista poderão ser abertos ao público daqui a seis meses. A informação foi divulgada pela ministra da justiça alemã, Brigitte Zypries, em Washington, depois de consultar o Museu do Holocausto, na capital dos Estados Unidos.
O governo de Berlim, disse Zypries, pretende trabalhar com a administração americana e com outros interessados, para rever as normas internacionais sobre as informações de quase 17 milhões de vítimas do Holocausto.
Até agora, a Alemanha resistia aos pedidos de historiadores, sobreviventes e de familiares de vítimas, para que o acesso aos milhões de documentos não fosse restrito. Os papéis são mantidos arquivados em uma vila alemã. Calcula-se que existam de 30 a 50 milhões de documentos em Bad Arolsen.
Durante os últimos 60 anos após o Holocausto, somente a Cruz Vermelha Internacional estava autorizada a consultar os documentos para identificar as vítimas (em sua maioria, judeus). A relutância alemã em abrir esses arquivos estava apoiada em razões de privacidade, segundo a ministra.
Depois de participar de uma reunião no Memorial Museum da capital federal dos Estados Unidos, Zypries estimou, durante uma coletiva de imprensa, que serão necessários cerca de seis meses para que os arquivos se tornem acessíveis ao público.
Essas declarações provocaram uma reação imediata na comunidade judaica dos Estados Unidos. "Concordamos com a abertura dos arquivos de Bad Arolsen e reiteramos que os dados devem ser protegidos pela Alemanha. Devem fazer cópias para que sejam utilizadas. Agora que tomamos essa decisão, queremos agir".
A diretora do um museu norte-americano sobre o Holocauto, Sara Bloomfield, diz estar "muito empolgada" com a notícia. "A decisão alemã é um passo muito importante. Ficarei muito satisfeita quando puder consultar o material". (ANSA).