Formado novo governo em Israel - Peretz será vice-primeiro ministro e titular da Defesa


As características do novo governo israelense contemplam a retirada de parte dos territórios da Margem Ocidental, a construção do muro antiterrorista e os direitos de cidadania da minoria árabe-israelense. Os trabalhistas ocuparão 6 ministérios, mas há tensões dentro do partido. O partido Kadima — vencedor das eleições — não conseguiu acercar-se do partido dos imigrantes russos, mas aproximou-se dos religiosos.
Após firmar o acordo de coalizão entre o Kadima e o Avodá, o chefe trabalhista, Amir Peretz, será vice-primeiro ministro e titular da Defesa. No total, seu partido ocupará seis pastas ministeriais: Defesa, Educação, Infra-estruturas Nacionais, Agricultura e Desenvolvimento Rural, Turismo e dois ministros sem pasta, um dos quais será o responsável pelos Assuntos de Jerusalém, enquanto o outro estará a cargo da Administração Nacional da Rádio e Televisão, que é a que dirige a cadeia estatal Kol Israel.
É assim que o Avodá conseguiu a inclusão de várias de suas promessas eleitorais na área sócio-econômica. Por exemplo, o novo governo se compromete a legislar um sistema de aposentadoria obrigatória nacional, para incrementar gradualmente as consignações para a velhice, à ampliação da cesta de medicamentos subsidiados, e progressivamente implantar um salário mínimo nacional equivalente a mil dólares mensais.
Pontos básicos
O acordo entre o Kadima e o Avodá permitiu a publicação, pela primeira vez, dos 62 pontos básicos da futura ação do governo.
Na área político-estatal, Israel se compromete formalmente a retirar-se de parte dos territórios da Margem Ocidental. Uma cláusula do acordo de coalizão expressa textualmente: "O governo procurará traçar as fronteiras definitivas de Israel. A demarcação dos territórios que permanecerão sob a soberania israelense, obrigarão a reduzir a extensão das populações israelenses na Judéia e Samária".
No campo da defesa e da segurança, o novo governo do premiê Ehud Olmert, se compromete a completar a construção do muro antiterrorista em torno da Margem Ocidental, tomando em consideração as necessidades humanitárias dos povoados palestinos para evitar-lhes padecimentos desnecessários. O governo israelense procederá à evacuação total dos enclaves populacionais ilegais ainda existentes nos territórios.
Na matéria trabalhista, Olmert se compromete a que a quantidade dos trabalhadores estrangeiros não supere os 3 por cento do total da força laboral ativa israelense, e ao mesmo tempo legislará para que as agências empregadoras particulares cumpram totalmente com os aportes sociais dos seus trabalhadores.
Por sua vez, Amir Peretz conseguiu incluir uma cláusula que garante os direitos de cidadania da minoria árabe-israelense. Desse modo, o partido Avodá bloqueou o programa político do partido dos imigrantes russos, que na indicação de um futuro acerto com os palestinos sugerem cancelar a cidadania israelense dos habitantes árabes.
No último domingo Peretz submeteu à aprovação os acordos ao Comitê Central do Avodá, onde já se perfila uma frente de oposição ao sindicalista de Shderot.
Os deputados trabalhistas Vilnaí, Yatom, Kolet Avital, Braverman e Ami Ayalon, não escondem sua profunda decepção por não terem recebido ministérios, e prometem fazer a Peretz uma fauda (expressão na gíria árabe que significa desordem descomunal), durante a sessão do Comitê Central. (Rádio Chai/Tzvi Neumann, de Jerusalém).