A
condenação,
por querer existir Como escreveu Nahum Sirotsky, jornalista brasileiro que vive
em Israel, e colaborador desta Visão Judaica, “a
declaração final da reunião sul americana-árabe
de Brasília só surpreende aos inocentes e ingênuos
em política internacional atualizada. Retrata, antes
de mais nada, a confusão no mundo árabe e a diplomacia
brasileira sem um norte definido”. E acrescentou: “A
questão israelense-palestina não é mais
a principal no mundo árabe. Estão inseguros os
atuais governos ameaçados pelos movimentos internos
de seus povos que perderam o medo da reação policial
sob a pressão maior de necessidades básicas insatisfeitas
com esses governos que tentam enganar-se”.
No Iraque, a pretexto de combater o ocupante norte-americano — todos
sabemos que se trata de impedir a qualquer custo o êxito
da democracia, uma palavra da qual se envergonharam de inserir
na declaração — mata-se todos os dias dezenas
de iraquianos, às vezes centenas, em atentados terroristas,
idênticos aos quais os signatários da carta de
Brasília deram seu aval, sob a fantasia mórbida
de que esse terrorismo é bom, porque “se defende
da ocupação estrangeira”. Nunca é demais
dizer: Não existe terrorismo bom e terrorismo mau. Terrorismo é terrorismo
e ponto final!
No Egito a Fraternidade Muçulmana, organização
extremista e mãe de todas as demais no mundo árabe,
tentou há pouco promover uma revolta, levando Mubarak
a reagir com a prisão de seus membros. Uma guerra civil
se desenrola na Argélia. A situação do
Líbano é precária, principalmente após
o assassinato de Rafik Hariri. Como é a da Síria.
Na Arábia Saudita atuam grupos extremistas contra o
governo. No Sudão, os muçulmanos escravizam e
massacram os cristãos. E por aí vai. Mas a cúpula
teve como alvo só Israel os EUA.
Os governos islâmicos representados na reunião
de Brasília são praticamente todos ditaduras,
monarquias absolutistas e regimes despóticos, onde não
há democracia, nem justiça independente, ou respeito
aos direitos humanos, como bem lembrou o deputado federal Max
Rosenmann. E mesmo o líder palestino, Abu Mazen, escolhido
numa eleição ainda duvidosa, não está firme
no poder, pois está ameaçado pela influência
concreta e política crescente do Hamas, outro grupo
terrorista ativo na região. O que se viu em Brasília,
foi a repetição de outros palcos: Condenar e
condenar Israel pela ocupação. Ora, a ocupação
existe quando um país ocupa outro legalmente constituído.
A Palestina ainda não é um país constituído,
nem nunca o foi. No máximo, pode-se dizer que são
territórios em disputa, nunca ocupados. Mas a repetição
ad perpetum disso, com o apoio da mídia ventríloqua
e por intermédio de um processo semelhante à mentira
gobbeliana, transformou-a em realidade.
Mais real, entretanto, é o fato de que o Itamaraty,
que sempre teve diplomatas de excepcionais qualidades, botou
a mão num fogo que queima os interesses nacionais. Entregou
o que dele queriam sem receber nada antes. O governo brasileiro
trombeteou para todos os lados que se tratava de um encontro
de negócios, de alto nível comercial, de interesse
dos países da América do Sul. O interesse comercial
foi tanto que o presidente da Argentina Nestor Kirchner, abandonou
o encontro no meio dele, ao perceber do que se tratava: Política.
A lamentar de tudo isso, resta a triste constatação
de que Israel é condenado, mais uma vez, e justamente
na véspera de completar seus 57 anos de existência
(Iom Haatzmaut). E antes de recordar todos os que caíram
na luta pelo restabelecimento da nação bíblica
do povo judeu (Iom Hazicaron). E a condenação,
no Brasil, ocorre em seguida às comemorações
dos 60 anos da derrota do monstro nazista na 2ª Guerra
Mundial e da lembrança dos seis milhões de mártires
que pereceram pelo crime de serem judeus (Iom Hashoá).
Hoje, Israel é condenado pelo crime de ser Israel.
A Redação
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