Homenagens aos heróis e mártires da 2ª Guerra Mundial 60 anos depois do fim da era nazista


Entidades judaicas comunitárias em diversos estados brasileiros se uniram para promover vários eventos de homenagem aos heróis e mártires da 2ª Guerra Mundial, incluindo os que pereceram no Holocausto, os sobreviventes da perseguição nazista, os que lutaram a favor da democracia como os pracinhas da FEB e os soldados brasileiros judeus que se integraram nesta luta.
A comunidade judaica brasileira no Rio de Janeiro homenageou dia 1º de maio os brasileiros de todas as fés que tombaram no esforço de guerra contra o nazi-fascismo. Pela manhã, aconteceu um dos pontos altos da celebração, no Monumento Nacional aos Mortos da 2ª Guerra Mundial no Aterro do Flamengo e à tarde, no Grande Templo Israelita houve uma extensa programação alusiva.
A cerimônia matutina coincidiu com a Troca da Guarda realizada no primeiro domingo de cada mês, quando no rodízio entre as Forças Singulares, uma tropa da Aeronáutica passou simbolicamente a Guarda ao Túmulo do Soldado Desconhecido para o Exército, que durante o mês de abril teve a seu cargo aquela honrosa missão. Durante o evento, uma banda militar executou marchas alusivas e as honras de estilo prestadas pela tropa diante do Túmulo do Soldado Desconhecido, tombado em todas as guerras, dos quais só D-us sabe seus nomes.
Houve o hasteamento do Pavilhão Nacional pelo coronel de artilharia Salli Szajnferber, Veterano da FEB condecorado com a Cruz de Combate de 1ª Classe, o Toque de Silêncio pelo corneteiro, seguido de toque de Shofar pelo hazan e o acendimento das velas de uma Menorá. Foi também recordado o 2º Comissário Mauricio José Pinkusfeld, Z"L,
morto no torpedeamento do navio mercante Anibal Benévolo, em 1942, ao largo de Salvador, Bahia, e cujo nome encontra-se inscrito na lápide do subsolo do Monumento, que homenageia os cerca de 1.000 brasileiros, tripulantes e passageiros de navios mercantes, torpedeados por submarinos nazistas, e que tiveram o mar como túmulo.
Foi uma homenagem justa prestada pela coletividade israelita, que participou ombro a ombro com seus soldados, cabos, sargentos e oficiais da Marinha de Guerra e Mercante, Exército e Aeronáutica na luta sem trégua contra a barbárie nazista. É desnecessário dizer o que essa luta representou para os judeus, e seu significado aos brasileiros de todas as denominações que perderam suas vidas no front italiano e nos navios covardemente torpedeados em nosso litoral.
Participaram representantes do Comando Militar do Leste, Exército, Aeronáutica, Marinha de Guerra e Mercante, veteranos da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e Associações da Reserva. As cerimônias cívicas fizeram parte das comemorações do 60º aniversário da Vitória Aliada na Europa. A realização das cerimônias teve a participação da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, B’nai B’rith, Museu Judaico, Conselho Sefaradi, Pioneiras e Wizo.
Ainda no Rio de Janeiro, no dia 19 de abril, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, foi recordado o ‘Dia do Holocausto’, uma iniciativa da deputada estadual Jurema Batista (PT-RJ) com a participação do Coral Israelita Brasileiro. Na ocasião a embaixadora de Israel no Brasil, Tzipora Rimon, entregou diploma e medalha do Instituto Yad Va’shem, de Jerusalém à família do embaixador Luiz Martins de Souza Dantas, cujo nome foi inscrito no ‘Jardim dos Justos’, em Israel. A deputada entregou o título de Cidadão Fluminense ao ativista comunitário Aleksander Laks, presidente no Rio de Janeiro e vice-presidente nacional da Sherit Hapleitá - Organização dos Sobreviventes do Holocausto.
Houve um intenso trabalho de coleta de dados sobre os heróis homenageados. Palestras também fizeram parte da programação, como a do embaixador Sergio Correa da Costa, “As indecisões do governo Vargas e a manifestação popular contra o nazi-fascismo”, a de Israel Blajberg, “General de Divisão Samuel Kicis, veterano da FEB - a carreira exemplar de um soldado brasileiro de fé mosaica”, de Luis Benyosef ‘Comandante Jacob Benemond, um autêntico lobo do mar’, de Moacyr Scliar ‘Carlos Scliar, um artista no campo de batalha’, e a do coronel Sérgio Gomes Pereira ‘Marinha, Exército, Aeronáutica, ombro a ombro em defesa da democracia’. Aconteceu ainda a Exposição: ‘Cadernos de Guerra – Desenhos de Carlos Scliar’.
No dia 5/5, ainda no Rio, houve uma cerimônia de Iom Hashoá na ARI (Associação Religiosa Israelita do Rio de Janeiro) para lembrar o Holocausto. O evento foi organizado pelo Centro de Referência e Pesquisas sobre o Holocausto Família Zinner, FIERJ e as Embaixadas de Israel e da Polônia. E o grupo universitário Hillel realizou, na PUC/RJ, uma cerimônia para lembrar os 60 anos do Holocausto.
Em São Paulo
Em São Paulo, pelo segundo ano consecutivo realizou-se um concurso para as escolas públicas, promovido em conjunto pela Câmara Municipal, Sherit Hapleitá do Brasil e B’nai B’rith do Brasil, numa iniciativa do secretário municipal de Participações e Parcerias, Gilberto Natalini. O tema é “O que aprendemos 60 anos após a 2ª Guerra Mundial?”. O lançamento ocorreu no Centro de Cultura Judaica, por ocasião de sessão solene da Câmara Municipal.
“ Após 60 anos da 2ª Guerra Mundial, o que evoluiu, o que aprendemos?.Percebemos, por vários caminhos, que a democracia, vivida e praticada, com todos os seus defeitos e imperfeições é o melhor regime representativo que conhecemos”, explicou o presidente da B’nai B’rith do Brasil, Abraham Goldstein em seu discurso na Sessão Solene da Câmara Municipal de São Paulo pelo ‘Dia da Recordação dos Heróis e Mártires da 2a. Guerra Mundial’, no Centro da Cultura Judaica.
Desde 1995, essa sessão solene da Câmara Municipal de São Paulo homenageia os Heróis e Mártires da 2ª Guerra Mundial, instituída pela Lei Municipal nº 11.844 de 1995, por iniciativa do vereador Juscelino Gadelha. As comemorações acontecem em instituições judaicas como Fisesp, A Hebraica e neste ano, foi no dia 9 de maio no Centro de Cultura Judaica, em evento promovido pela Sherit Hapleitá do Brasil, B’nai B’rith do Brasil e Centro de Cultura Judaica.
Como nos dois anos anteriores, a sessão Solene contou com a presença de alunos das escolas públicas e autoridades das Forças Armadas e da Escola do Corpo de Bombeiros, cuja banda abrilhantou a solenidade. Na ocasião, sobreviventes do Holocausto acenderam seis velas em memória dos 6 milhões que pereceram e um representante das Forças Armadas acendeu uma vela em memória dos pracinhas. A solenidade foi coordenada por Ben Abraham, presidente da Sherit Hapleitá do Brasil e vice-presidente da Organização Mundial dos Sobreviventes do Holocausto. Todos os alunos presentes receberam livros. No Centro de Cultura Judaica houve ainda exposições sobre ‘A presença brasileira na 2ª Guerra Mundial’ e o ‘Holocausto’.
Estiveram presentes três secretários municipais: O secretário de Participações e Parcerias Gilberto Natalini; Floriano Pesaro, da Assistência e Desenvolvimento Social e o Secretário Municipal da Educação, José Aristodemo Pinotti.
No domingo, 8/5, houve a Marcha da Vida regional em São Paulo, com a presença do cônsul da Polônia, sua esposa, filha e outros poloneses cristãos. Estiveram presentes ainda Berel Aizenstein (Conib), Jayme Blay (Fisesp), Bem Abraham (Sherit Hapleitá), Walter Feldman e representantes de muitas outras entidades. Muitos dos participantes eram jovens, com faixas dos movimentos juvenis, escolas judaicas, com palavras de paz, que percorreram um percurso de mais de 2 km, pela estrada até o cemitério do Butantã, onde foi realizado um ato solene e uma homenagem às mães que sofreram as barbáries do nazismo. O evento repercutiu também na mídia não-judaica. A Folha de S.Paulo publicou fotografia na primeira página. À tarde, houve a apresentação de dois documentários da Shoah Foundation na Hebraica, com sobreviventes contando suas histórias.