Entidades judaicas comunitárias em diversos estados
brasileiros se uniram para promover vários eventos de
homenagem aos heróis e mártires da 2ª Guerra
Mundial, incluindo os que pereceram no Holocausto, os sobreviventes
da perseguição nazista, os que lutaram a favor
da democracia como os pracinhas da FEB e os soldados brasileiros
judeus que se integraram nesta luta.
A comunidade judaica brasileira no Rio de Janeiro homenageou
dia 1º de maio os brasileiros de todas as fés que
tombaram no esforço de guerra contra o nazi-fascismo.
Pela manhã, aconteceu um dos pontos altos da celebração,
no Monumento Nacional aos Mortos da 2ª Guerra Mundial
no Aterro do Flamengo e à tarde, no Grande Templo Israelita
houve uma extensa programação alusiva.
A cerimônia matutina coincidiu com a Troca da Guarda
realizada no primeiro domingo de cada mês, quando no
rodízio entre as Forças Singulares, uma tropa
da Aeronáutica passou simbolicamente a Guarda ao Túmulo
do Soldado Desconhecido para o Exército, que durante
o mês de abril teve a seu cargo aquela honrosa missão.
Durante o evento, uma banda militar executou marchas alusivas
e as honras de estilo prestadas pela tropa diante do Túmulo
do Soldado Desconhecido, tombado em todas as guerras, dos quais
só D-us sabe seus nomes.
Houve o hasteamento do Pavilhão Nacional pelo coronel
de artilharia Salli Szajnferber, Veterano da FEB condecorado
com a Cruz de Combate de 1ª Classe, o Toque de Silêncio
pelo corneteiro, seguido de toque de Shofar pelo hazan e o
acendimento das velas de uma Menorá. Foi também
recordado o 2º Comissário Mauricio José Pinkusfeld,
Z"L,
morto no torpedeamento do navio mercante Anibal Benévolo,
em 1942, ao largo de Salvador, Bahia, e cujo nome encontra-se
inscrito na lápide do subsolo do Monumento, que homenageia
os cerca de 1.000 brasileiros, tripulantes e passageiros de
navios mercantes, torpedeados por submarinos nazistas, e que
tiveram o mar como túmulo.
Foi uma homenagem justa prestada pela coletividade israelita,
que participou ombro a ombro com seus soldados, cabos, sargentos
e oficiais da Marinha de Guerra e Mercante, Exército
e Aeronáutica na luta sem trégua contra a barbárie
nazista. É desnecessário dizer o que essa luta
representou para os judeus, e seu significado aos brasileiros
de todas as denominações que perderam suas vidas
no front italiano e nos navios covardemente torpedeados em
nosso litoral.
Participaram representantes do Comando Militar do Leste, Exército,
Aeronáutica, Marinha de Guerra e Mercante, veteranos
da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e Associações
da Reserva. As cerimônias cívicas fizeram parte
das comemorações do 60º aniversário
da Vitória Aliada na Europa. A realização
das cerimônias teve a participação da Federação
Israelita do Estado do Rio de Janeiro, B’nai B’rith,
Museu Judaico, Conselho Sefaradi, Pioneiras e Wizo.
Ainda no Rio de Janeiro, no dia 19 de abril, na Assembléia
Legislativa do Rio de Janeiro, foi recordado o ‘Dia do
Holocausto’, uma iniciativa da deputada estadual Jurema
Batista (PT-RJ) com a participação do Coral Israelita
Brasileiro. Na ocasião a embaixadora de Israel no Brasil,
Tzipora Rimon, entregou diploma e medalha do Instituto Yad
Va’shem, de Jerusalém à família
do embaixador Luiz Martins de Souza Dantas, cujo nome foi inscrito
no ‘Jardim dos Justos’, em Israel. A deputada entregou
o título de Cidadão Fluminense ao ativista comunitário
Aleksander Laks, presidente no Rio de Janeiro e vice-presidente
nacional da Sherit Hapleitá - Organização
dos Sobreviventes do Holocausto.
Houve um intenso trabalho de coleta de dados sobre os heróis
homenageados. Palestras também fizeram parte da programação,
como a do embaixador Sergio Correa da Costa, “As indecisões
do governo Vargas e a manifestação popular contra
o nazi-fascismo”, a de Israel Blajberg, “General
de Divisão Samuel Kicis, veterano da FEB - a carreira
exemplar de um soldado brasileiro de fé mosaica”,
de Luis Benyosef ‘Comandante Jacob Benemond, um autêntico
lobo do mar’, de Moacyr Scliar ‘Carlos Scliar,
um artista no campo de batalha’, e a do coronel Sérgio
Gomes Pereira ‘Marinha, Exército, Aeronáutica,
ombro a ombro em defesa da democracia’. Aconteceu ainda
a Exposição: ‘Cadernos de Guerra – Desenhos
de Carlos Scliar’.
No dia 5/5, ainda no Rio, houve uma cerimônia de Iom
Hashoá na ARI (Associação Religiosa Israelita
do Rio de Janeiro) para lembrar o Holocausto. O evento foi
organizado pelo Centro de Referência e Pesquisas sobre
o Holocausto Família Zinner, FIERJ e as Embaixadas de
Israel e da Polônia. E o grupo universitário Hillel
realizou, na PUC/RJ, uma cerimônia para lembrar os 60
anos do Holocausto.
Em São Paulo
Em São Paulo, pelo segundo ano consecutivo realizou-se
um concurso para as escolas públicas, promovido em conjunto
pela Câmara Municipal, Sherit Hapleitá do Brasil
e B’nai B’rith do Brasil, numa iniciativa do secretário
municipal de Participações e Parcerias, Gilberto
Natalini. O tema é “O que aprendemos 60 anos após
a 2ª Guerra Mundial?”. O lançamento ocorreu
no Centro de Cultura Judaica, por ocasião de sessão
solene da Câmara Municipal.
“
Após 60 anos da 2ª Guerra Mundial, o que evoluiu,
o que aprendemos?.Percebemos, por vários caminhos, que
a democracia, vivida e praticada, com todos os seus defeitos
e imperfeições é o melhor regime representativo
que conhecemos”, explicou o presidente da B’nai
B’rith do Brasil, Abraham Goldstein em seu discurso na
Sessão Solene da Câmara Municipal de São
Paulo pelo ‘Dia da Recordação dos Heróis
e Mártires da 2a. Guerra Mundial’, no Centro da
Cultura Judaica.
Desde 1995, essa sessão solene da Câmara Municipal
de São Paulo homenageia os Heróis e Mártires
da 2ª Guerra Mundial, instituída pela Lei Municipal
nº 11.844 de 1995, por iniciativa do vereador Juscelino
Gadelha. As comemorações acontecem em instituições
judaicas como Fisesp, A Hebraica e neste ano, foi no dia 9
de maio no Centro de Cultura Judaica, em evento promovido pela
Sherit Hapleitá do Brasil, B’nai B’rith
do Brasil e Centro de Cultura Judaica.
Como nos dois anos anteriores, a sessão Solene contou
com a presença de alunos das escolas públicas
e autoridades das Forças Armadas e da Escola do Corpo
de Bombeiros, cuja banda abrilhantou a solenidade. Na ocasião,
sobreviventes do Holocausto acenderam seis velas em memória
dos 6 milhões que pereceram e um representante das Forças
Armadas acendeu uma vela em memória dos pracinhas. A
solenidade foi coordenada por Ben Abraham, presidente da Sherit
Hapleitá do Brasil e vice-presidente da Organização
Mundial dos Sobreviventes do Holocausto. Todos os alunos presentes
receberam livros. No Centro de Cultura Judaica houve ainda
exposições sobre ‘A presença brasileira
na 2ª Guerra Mundial’ e o ‘Holocausto’.
Estiveram presentes três secretários municipais:
O secretário de Participações e Parcerias
Gilberto Natalini; Floriano Pesaro, da Assistência e
Desenvolvimento Social e o Secretário Municipal da Educação,
José Aristodemo Pinotti.
No domingo, 8/5, houve a Marcha da Vida regional em São
Paulo, com a presença do cônsul da Polônia,
sua esposa, filha e outros poloneses cristãos. Estiveram
presentes ainda Berel Aizenstein (Conib), Jayme Blay (Fisesp),
Bem Abraham (Sherit Hapleitá), Walter Feldman e representantes
de muitas outras entidades. Muitos dos participantes eram jovens,
com faixas dos movimentos juvenis, escolas judaicas, com palavras
de paz, que percorreram um percurso de mais de 2 km, pela estrada
até o cemitério do Butantã, onde foi realizado
um ato solene e uma homenagem às mães que sofreram
as barbáries do nazismo. O evento repercutiu também
na mídia não-judaica. A Folha de S.Paulo publicou
fotografia na primeira página. À tarde, houve
a apresentação de dois documentários da
Shoah Foundation na Hebraica, com sobreviventes contando suas
histórias.