Com o soar das sirenes e uma paralisação
geral de dois minutos, Israel fez no dia 5/5 um dia de luto pelas
vítimas do Holocausto e em memória dos que lutaram
contra a repressão nazista na Segunda Guerra Mundial
(1939-1945). O primeiro-ministro Ariel Sharon participou da "Marcha
da vida" entre os campos nazistas de Auschwitz e Birkenau,
na Polônia, com outras 18 mil pessoas, metade delas não-judias,
coincidindo com o 60º aniversário da derrota do
Terceiro Reich alemão.
As sirenes, que soam em situações de alerta máximo
(como no começo de uma guerra), foram ativadas às
10h (4 da madrugada no Brasil), e os motoristas desceram de
seus veículos para aguardar de pé, assim como
os pedestres, até que parassem de soar.
No Parlamento (Knesset), como todos os anos, os legisladores
lembravam parte das vítimas entre os seis milhões
de civis (um terço do povo judeu) que morreram em dezenas
de campos nazistas mencionando seus nomes, "porque não
eram um número, tinham nome".
"
Nosso povo jamais voltará a ser exposto ao extermínio
gratuito e ao desamparo total, nunca mais voltarão a
nos pegar desprevenidos", afirmou Sharon na noite de quarta-feira,
4/5, referindo-se à existência de Israel, no início
dos atos no Museu do Holocausto (Yad Vashem), localizado numa
das 28 colinas de Jerusalém.
Durante a cerimônia em Yad Vashem, como é tradicional,
seis sobreviventes acenderam tochas em memória dos mortos,
e todos os meios de comunicação reproduziam testemunhos
estremecedores do que ocorreu nos campos nazistas. As bandeiras
dos estabelecimentos públicos ficaram hasteadas a meio
mastro.
Sharon foi à Polônia dia 5/5 para participar da "Marcha
da Vida", até o complexo de campos de concentração
de Auschwitz, com filhos e netos de sobreviventes da "Shoá" (Holocausto
em hebraico) refugiados em Israel e que atualmente estão
servindo nas suas Forças Armadas.
Nove generais do Estado Maior militar, inclusive o comandante-em-chefe,
Moshé Yaalon, são filhos de sobreviventes da
guerra em que morreram cerca de 60 milhões de pessoas
dos dois lados, uma grande parte no continente europeu.
O chefe do governo israelense, general na reserva e filho de
professores nascidos na Rússia dos czares, colocou a
tradicional "mezuzá", na porta de um pavilhão
do campo de Auschwitz, e acendeu uma vela no crematório.
A perseguição nazista por causa do plano da "Solução
Final", isto é, o extermínio sistemático
dos judeus, afetou também os membros das comunidades
judaicas da Tunísia, pela aliança da França
com a Alemanha, e da Líbia, colônia da Itália,
que sob o governo de Benito Mussolini fez parte do Eixo nazista.
Sete dias mais tarde, os israelenses lembraram também
com o soar das sirenes em todo o país, os mais de 20
mil mortos nas guerras com os Estados árabes vizinhos
e com os palestinos desde a criação do Estado
judeu em maio de 1948. Ao término dos atos oficiais
e das visitas aos cemitérios, começaram as comemorações
do Dia da Independência (Iom Haatzmaut).